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segunda-feira, 5 de março de 2012

e vai daí

- mas não a avisaram que é proibido ter animais domésticos no prédio?
- não. como também não avisaram que não se podia ouvir tony carreira às 9h da manhã de um domingo e há quem ouça. o conceito de animal é bastante lato, não concorda?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

poucas coisas

me enternecem tanto como ver um cão com a cabeça de fora, a língua pendurada da janela de um automóvel.

é aquela inocência de quem não sonha o que o mundo abarca.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

domingo


A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte.
O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons de duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade.

Hermann Hesse, O Jogo das Contas de Vidro

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

do que é realmente importante



quando a maggie desapareceu por um dia, não sabíamos se estava viva ou morta, nem se a tinham levado, nem para onde, nem sequer a direcção que seguira, a que horas, onde, enfim, o terror da dúvida que nos deixou sem norte, até que alguém disse, calma, vamos começar por avisar toda a gente online. vamos começar a avisar toda a gente na rua. mas a noite caía e os becos escuros onde andámos, as lojas onde pedíamos para deixar cartazes, tudo fechava e o frio do norte, o frio que ela nunca soube o que era, nunca dormira na rua, não sabia atravessar a estrada, nem sequer devia saber onde ficava a casa. depois de a polícia me ter obrigado a catalogar o ocorrido em «extravio de bens» e que não valia a pena explicar que ela era uma pessoa, a minha família. o pânico. saber que trocaria tudo para a ter de volta em casa, quentinha e segura.
só me lembro de pensar no tanto que perdi e agora não podia perder a única coisa que ainda me dava sentido, que me fazia companhia, que sempre estivera comigo.
à noite tivemos notícias dela. asseguraram-me que não estava ao frio e que nem sequer tinha fome. que tinha companhia. e que esperava por mim, por nós todos.

e tu estavas comigo. perguntaste-me se queria comer. o que queria fazer... o que me apetecia.

-água. só quero água.

eu continuava sem ela. mas levaste-me. deste-me a mão. contaste-me de ti.
pedimos algo que nos aquecesse.
saímos juntos, demos uma volta à anémona e vimos o homem das castanhas.
- queres??? - perguntaste...
- não... sim!!!

comemos castanhas a ver o mar. as minhas primeiras do ano.
perdi a conta às vezes que me fizeste rir.
e por isso te digo sempre. as coisas vão e vêm. desaparecem quase todas.
ela. tu.
ficam.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

animal a 3 km



O Homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos.
Eles sabem o que precisam saber. Nós não...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011