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domingo, 18 de novembro de 2012

jardim das amoreiras.

é uma tentação atribuir aos outros o poder de tirarem o melhor ou o pior de nós, como se fossemos um instrumento musical nas mãos de um músico, que tanto pode revelar o talento para extrair a nossa mais harmoniosa melodia, como apenas obter notas desafinadas e ruidosas. 

os outros justificam o facto de sermos simultaneamente um Stradivarius e um violino de plástico. 

foto: o.a.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

porque não se deve contrariar ídolos. parte 3.


Dia do Desassossego 

 “Escrevo para desassossegar, não quero leitores conformados, passivos, resignados”, 
disse José Saramago pelos cantos do mundo e, pela última vez, na apresentação de Caim, para muitos mais do que um romance, um grito para romper com a indiferença. Nunca a sociedade precisou tanto de seres humanos desassossegados, capazes de mostrar coletivamente a inquietação e, a partir dela, elaborar alternativas que nos devolvam a racionalidade. 

O Dia do Desassossego é uma chamada de atenção. Somos seres pensantes e queremos viver enquanto tal. Não somos massa, nem um número, nem uma estatística, e muito menos um rebanho dirigido. Somos homens e mulheres capazes das maiores proezas, incluindo a de sorrir em tempos sombrios, porque decidimos que ninguém nos gela o sangue nem nos corta a respiração. 

 “Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”, escreveu Ricardo Reis-Fernando Pessoa. E José Saramago mostrou-lhe esse espetáculo no ano da sua morte porque sempre soube que contemplar é um passo necessário, mas o segundo, tão urgente hoje como em 1936, é intervir, antes que intervenham sobre nós. Como pessoas, como culturas, como países. Neste Dia do Desassossego, quando José Saramago faria 90 anos, contemplemos o espetáculo do mundo pela sua mão. 

Caminhemos com O Ano da Morte de Ricardo Reis pelas ruas de Lisboa e, em cada esquina descrita, paremos para pensar, de cabeça levantada. Somos cidadãos desassossegados, gente que pensa e tem coração para sentir a força da beleza, da bondade e dos argumentos. Saiamos à rua neste 16 de novembro, desassossegados mas não vencidos, com as nossas capacidades despertas, a nossa sensibilidade afinada, seres de palavras, de memória e de gratidão. O desassossego será uma forma de romper todos os cercos.

Fundação José Saramago

 aos grandes 90 que hoje seriam.

remediado está.

a dra. da farmácia camões, ao passar-me as pastilhas para a garganta e rindo do sussurro quando lhe disse ao que vinha: "hoje vai dar aulas por sms" :))))))) só no chiado :D

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

obrigada. obrigada. obrigada.

Pújá pode ter vários significados. Oferenda, honra ou retribuição de energia ou de força interior, são as formas pelas quais nos referimos ao pújá na estirpe Dakshinacharatantrika-Niríshwarasámkhya Yôga. Mas o termo pode significar também adorar, prestar culto, venerar, honrar, reverenciar.

DeRose - Tratado de Yôga








terça-feira, 13 de novembro de 2012

lembrete antes do mexefest. queriam o são jorge só para corridas 100 metros barreiras entre salas, não? :)

   antestreia exclusiva em Portugal de On The Road, adaptação há muito esperada do livro de Jack Kerouac (1922-1969), que conta no elenco com Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Sam Riley ou Kristen Stewart, é um dos destaques do Festival LER 25
Anos/25 Filmes. Seis dias (de 4 a 9 de dezembro) de cinema e literatura, de portas bem abertas no Cinema São Jorge, em coprodução com a EGEAC e a Câmara Municipal de Lisboa. Ao filme realizado por Walter Salles juntam-se uma seleção de Pedro Mexia (24 filmes, de Matar ou Não Matar, de Nicholas Ray, a Tess, de Roman Polanski, passando por Vidas em Fúria, de Stephen Frears, ou A Corte do Norte, de João Botelho), a entrevista de Carlos Vaz Marques a António Lobo Antunes (ao vivo), a conferência de Gonçalo M. Tavares, os concertos das bandas dos escritores Afonso Cruz (The Soaked Lamb) e Jacinto Lucas Pires (Os Quais), bem como o espetáculo de David Santos (Noiserv), autor de alguns dos temas musicais de José & Pilar – três concertos em parceria com o Festival Vodafone Mexefest;a emissão em direto de «Prova Oral», programa de rádio de Fernando Alvim, e mais debates, tertúlias, exposições, contadores de histórias e uma feira do livro.

na Revista Ler

hoje. tentar não tropeçar na linha do eléctrico e convidá-lo para o cafézinho after-hours na Praça das Flores.


Willem Dafoe lê poemas de Alfred Brendel às 19h no Museu de História Natural e da Ciência. O bilhete custa 2€. 

«Os poemas de Alfred Brendel são uma delícia. A sua voz é maravilhosamente excêntrica, gracejadora, maliciosa, irrequieta – os mesmos dedos brilhantes fazem um novo som.»
Harold Pinter, dramaturgo, prémio Nobel da Literatura


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

00h30














Quando leres isto, eu que era visível, serei invisível,
Agora és tu, concreto, visível, aquele que me lê, aquele que me procura,
Imagino como serias feliz se eu estivesse a teu lado e fosse teu companheiro,
Sê tão feliz como se eu estivesse contigo. (Não penses que não estou agora junto a ti.)


- Walt Whitman

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

do silêncio de novo.


uma noite de verão em 2011 levou-me por acaso ao Palácio Belmonte pela mão da fabulosa Maria de Morais e o seu Metaphorás' Project.
foi uma daquelas noites surreais, únicas, de onde nasceram imagens e sons que me mantêm pelas muralhas do castelo ainda hoje. e ontem revimos o Lisbon Story do Wim Wenders e lá estavam aquelas salas outra vez.
as paredes descascadas, mais os painéis de azulejos, aquela sala na penumbra onde o vinil rodava, o fogo no terraço. a vista sobre São Vicente de Fora. inesquecíveis.
eu não acredito muito nos acasos, mas hoje chegou-me este email.
ela regressa com o ciclo de conversas O Silêncio tem Sentido? vai ser na galeria Luis Serpa.

De amanhã até Novembro os dias contam-se. devagar.

alphaville


Pourtant, j’ai vu les plus beaux yeux du monde,
Dieux d’argent qui tenaient des saphirs dans leurs mains,
De véritables dieux, des oiseaux dans la terre
Et dans l’eau, je les ai vus.


Paul Eluard, Capitale de la Douleur

de Godard, hoje e sempre, na fabulosa Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema

redução de ruído.

On Silence [ by Aldous Huxley ]

 

The twentieth century is, among other things, the Age of Noise. Physical noise, mental noise and noise of desire -- we hold history's record for all of them. And no wonder; for all the resources of our almost miraculous technology have been thrown into the current assault against silence. That most popular and influential of all recent inventions, the radio is nothing but a conduit through which pre-fabricated din can flow into our homes. And this din goes far deeper, of course, than the eardrums. It penetrates the mind, filling it with a babel of distractions, blasts of corybantic or sentimental music, continually repeated doses of drama that bring no catharsis, but usually create a craving for daily or even hourly emotional enemas. And where, as in most
countries, the broadcasting stations support themselves by selling time to advertisers, the noise is carried from the ear, through the realms of phantasy, knowledge and feeling to the ego's core of wish and desire. Spoken or printed, broadcast over the ether or on wood-pulp, all advertising copy has but one purpose -- to prevent the will from ever achieving silence. Desirelessness is the condition of deliverance and illumination. The condition of an expanding and technologically progressive system of mass production is universal craving. Advertising is the organized effort to extend and intensify the workings of that force, which (as all the saints and teachers of all the higher religions have always taught) is the principal cause of suffering and wrong-doing and the greatest obstacle between the human soul and its Divine Ground. 

— from Silence, Liberty, and Peace (1946)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

aterrar*




































entre o cinema francês e o doc, as jameson urban routes e o resto, agradece-se um tempinho para respirar no aniversário, ok?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

é ir*


e felicidade de te rever no palco.*

Um hino à imaturidade dos amantes a partir do drama trágico "Penthesilea" (1808) de Heinrich von Kleist. O autor, inspirando-se provavelmente na passagem de Penthesilea pelo poema épico "Posthomerica" de Quintus Smyrnaeus e na herança imagética de Séneca, nomeadamente nas descrições sangrentas, subverte o mito clássico de que a rainha das Amazonas morreria pela espada de Aquiles durante a guerra de Tróia.


Na peça do dramaturgo alemão, é Aquiles quem é brutalmente desmembrado pela rainha confusa por experimentar sentimentos novos e obcecada pela conquista que a sua tradição lhe exige. Em cena, soam as vozes de uma poderosa luta entre o belo e o terrível, a razão e a emoção, a sociedade e os afectos.

A filosofia mistura-se com a poesia que se mistura com a psicologia, num espectáculo que sublinha, sobretudo, a evidência de que os homens dificilmente conseguirão resolver a sua relação com a liberdade. Parafraseando Oscar Wilde, é caso para se dizer “Each man kills the thing he loves” (Todos os homens matam o que amam).

É urgente ler.