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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

porque não se deve contrariar ídolos. parte 5.

The State never intentionally confronts a man’s sense, intellectual or moral, but only his body, his senses. It is not armed with superior wit or honesty, but with superior physical strength. I was not born to be forced. I will breathe after my own fashion. Let us see who is the strongest.

- Henry David Thoreau, On Civil Disobedience


sábado, 17 de novembro de 2012

home*

o melhor de uma verdade é o que dela nunca se chega a saber...evitarás assim o ridículo de chorar a perda de um alfinete numa casa que te ardeu.
vergílio ferreira
 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

porque não se deve contrariar ídolos. parte 4.

Vale a pena atravessar meio mundo para ir procurar o outro, mesmo que seja para perceber que o outro não está lá porque atravessou meio mundo para nos vir procurar aqui.

 josé luís peixoto, n'A Visão















foto: genoveva abreu

porque não se deve contrariar ídolos. parte 3.


Dia do Desassossego 

 “Escrevo para desassossegar, não quero leitores conformados, passivos, resignados”, 
disse José Saramago pelos cantos do mundo e, pela última vez, na apresentação de Caim, para muitos mais do que um romance, um grito para romper com a indiferença. Nunca a sociedade precisou tanto de seres humanos desassossegados, capazes de mostrar coletivamente a inquietação e, a partir dela, elaborar alternativas que nos devolvam a racionalidade. 

O Dia do Desassossego é uma chamada de atenção. Somos seres pensantes e queremos viver enquanto tal. Não somos massa, nem um número, nem uma estatística, e muito menos um rebanho dirigido. Somos homens e mulheres capazes das maiores proezas, incluindo a de sorrir em tempos sombrios, porque decidimos que ninguém nos gela o sangue nem nos corta a respiração. 

 “Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”, escreveu Ricardo Reis-Fernando Pessoa. E José Saramago mostrou-lhe esse espetáculo no ano da sua morte porque sempre soube que contemplar é um passo necessário, mas o segundo, tão urgente hoje como em 1936, é intervir, antes que intervenham sobre nós. Como pessoas, como culturas, como países. Neste Dia do Desassossego, quando José Saramago faria 90 anos, contemplemos o espetáculo do mundo pela sua mão. 

Caminhemos com O Ano da Morte de Ricardo Reis pelas ruas de Lisboa e, em cada esquina descrita, paremos para pensar, de cabeça levantada. Somos cidadãos desassossegados, gente que pensa e tem coração para sentir a força da beleza, da bondade e dos argumentos. Saiamos à rua neste 16 de novembro, desassossegados mas não vencidos, com as nossas capacidades despertas, a nossa sensibilidade afinada, seres de palavras, de memória e de gratidão. O desassossego será uma forma de romper todos os cercos.

Fundação José Saramago

 aos grandes 90 que hoje seriam.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

roupagens.



Meus amigos, amo-vos mais de Inverno do que no Verão; 
zombo agora melhor e mais animosamente dos meus inimigos, desde que tenho o Inverno em casa. (...) Arrastar-me? Eu? 
Nunca na minha vida me arrastei ante os poderosos. E se alguma vez menti, foi por amor. 
Por isso fico satisfeito até na minha cama de Inverno. Um leito humilde aquece-me mais do que um leito faustoso, porque eu sou zeloso da minha pobreza. E é no inverno que ela me é fiel. 

Nietzsche, Assim falava Zaratustra

Fotografia: Fernando Dinis Music/Photography

para a TransVerso

terça-feira, 13 de novembro de 2012

lembrete antes do mexefest. queriam o são jorge só para corridas 100 metros barreiras entre salas, não? :)

   antestreia exclusiva em Portugal de On The Road, adaptação há muito esperada do livro de Jack Kerouac (1922-1969), que conta no elenco com Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Sam Riley ou Kristen Stewart, é um dos destaques do Festival LER 25
Anos/25 Filmes. Seis dias (de 4 a 9 de dezembro) de cinema e literatura, de portas bem abertas no Cinema São Jorge, em coprodução com a EGEAC e a Câmara Municipal de Lisboa. Ao filme realizado por Walter Salles juntam-se uma seleção de Pedro Mexia (24 filmes, de Matar ou Não Matar, de Nicholas Ray, a Tess, de Roman Polanski, passando por Vidas em Fúria, de Stephen Frears, ou A Corte do Norte, de João Botelho), a entrevista de Carlos Vaz Marques a António Lobo Antunes (ao vivo), a conferência de Gonçalo M. Tavares, os concertos das bandas dos escritores Afonso Cruz (The Soaked Lamb) e Jacinto Lucas Pires (Os Quais), bem como o espetáculo de David Santos (Noiserv), autor de alguns dos temas musicais de José & Pilar – três concertos em parceria com o Festival Vodafone Mexefest;a emissão em direto de «Prova Oral», programa de rádio de Fernando Alvim, e mais debates, tertúlias, exposições, contadores de histórias e uma feira do livro.

na Revista Ler

porque não se deve contrariar ídolos. parte 2.

Não se pode pensar em virtude sem se pensar num estado e num impulso contrários aos de virtude e num persistente esforço da vontade. Para me desenhar um homem virtuoso tenho que dar relevo principal ao que nele é voluntário; tenho de, talvez em esquema exagerado, lhe pôr acima de tudo o que é modelar e conter. Pela origem e pelo significado não posso deixar de a ligar às fortes resoluções e à coragem civil. E um contínuo querer e uma contínua vigilância, uma batalha perpétua dada aos elementos que, entendendo, classifiquei como maus; requer as nítidas visões e as almas destemidas.
Por isso não me prende o menino virtuoso; a bondade só é nele o estado natural; antes o quero bravio e combativo e com sua ponta de maldade; assim me dá a certeza de que o terei mais tarde, quando a vontade se afirmar e a reflexão distinguir os caminhos, com material a destruir na luta heróica e a energia suficiente para nela se empenhar. O que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas; muitas vezes me há-de parecer que a sua virtude consiste numa falta de habilidade para urdir o mal, numa falta de coragem para o praticar; e, na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que se sobrevivem.Só os sacristães são levados, por índole e ofício, a venerar todos os santos, sem pôr em mais alto lugar os que encheram sua vida de esquinas e no dobrar de cada uma sofreram agonias e suaram de angústia; mas, para nós, foram mais longe os que mais se feriram nos espinhos de uma remissa natureza; se a venceram merecem estar no céu; se não venceram, o próprio esforço lho devia merecer; no entanto já o inferno é uma forma de glória; para os outros seria bom que se criasse um novo recinto de imortalidade: e só o vejo estabelecido no lodo espapaçado de um fundo tranquilo, sem pregas de correntes nem restos de naufrágios; exactamente um cemitério de medusas.
Para o que é bom por ter nascido bom e a única virtude consistiria em ser mau; aqui se mostrariam originalidade e coragem, mérito, portanto; porque ser mau por ter nascido mau só lhe deveria dar, como aos do lado contrário, o direito ao eterno silêncio. Por aqui se compreende que as vidas dos Sorel tenham sempre ressonância nas almas Stendhal; e também a sensibilidade, a delicadeza, todo o fundo de boas qualidades de certos grandes criminosos. Sei bem os perigos que tal doutrina pode ter transportada ao social e sei também a maneira de pôr de lado a objecção, alargando o conceito de virtude, dando-o como o desejo de superar e não como o desejo de combater; mas de propósito fiquei no que a virtude tem de luta entre a natureza e a vontade.

Agostinho da Silva, Considerações

hoje. tentar não tropeçar na linha do eléctrico e convidá-lo para o cafézinho after-hours na Praça das Flores.


Willem Dafoe lê poemas de Alfred Brendel às 19h no Museu de História Natural e da Ciência. O bilhete custa 2€. 

«Os poemas de Alfred Brendel são uma delícia. A sua voz é maravilhosamente excêntrica, gracejadora, maliciosa, irrequieta – os mesmos dedos brilhantes fazem um novo som.»
Harold Pinter, dramaturgo, prémio Nobel da Literatura


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

porque não se deve contrariar ídolos. parte 1.




Se se diz a uma mulher que certo homem é inteligente, ela escreve mentalmente um zero. Se se diz que é culto, ela escreve outro zero. Se acrescentarmos que é belo, amável, com boa reputação social e tudo o mais que se quiser, ela acrescenta outros zeros. Se finalmente se confidenciar que ele é bom na cama, ela escreve um 1 antes dos zeros todos.

(Tenho ideia de ter lido qualquer coisa de semelhante a esta conta não sei onde. Mas como não sei onde, façamos de conta que a conta é minha. Porque de qualquer modo, é exacta.)


Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 2

encosta-te a mim.



































equilibristas *

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

00h30














Quando leres isto, eu que era visível, serei invisível,
Agora és tu, concreto, visível, aquele que me lê, aquele que me procura,
Imagino como serias feliz se eu estivesse a teu lado e fosse teu companheiro,
Sê tão feliz como se eu estivesse contigo. (Não penses que não estou agora junto a ti.)


- Walt Whitman

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

da genialidade.


“Write to please just one person. If you open a window and make love to the world, so to speak, your story will get pneumonia.”
Kurt Vonnegut














quarta-feira, 24 de outubro de 2012

rente ao chão













Quais são as tuas palavras essenciais? As que restam depois de toda a tua agitação e projectos e realizações. As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem. As que talvez ignores por nunca as teres pensado. As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha.
















Vergílio Ferreira

Fotografias: Fernando Dinis Music/Photography
para a TransVerso

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

redução de ruído.

On Silence [ by Aldous Huxley ]

 

The twentieth century is, among other things, the Age of Noise. Physical noise, mental noise and noise of desire -- we hold history's record for all of them. And no wonder; for all the resources of our almost miraculous technology have been thrown into the current assault against silence. That most popular and influential of all recent inventions, the radio is nothing but a conduit through which pre-fabricated din can flow into our homes. And this din goes far deeper, of course, than the eardrums. It penetrates the mind, filling it with a babel of distractions, blasts of corybantic or sentimental music, continually repeated doses of drama that bring no catharsis, but usually create a craving for daily or even hourly emotional enemas. And where, as in most
countries, the broadcasting stations support themselves by selling time to advertisers, the noise is carried from the ear, through the realms of phantasy, knowledge and feeling to the ego's core of wish and desire. Spoken or printed, broadcast over the ether or on wood-pulp, all advertising copy has but one purpose -- to prevent the will from ever achieving silence. Desirelessness is the condition of deliverance and illumination. The condition of an expanding and technologically progressive system of mass production is universal craving. Advertising is the organized effort to extend and intensify the workings of that force, which (as all the saints and teachers of all the higher religions have always taught) is the principal cause of suffering and wrong-doing and the greatest obstacle between the human soul and its Divine Ground. 

— from Silence, Liberty, and Peace (1946)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

tropeçamos no andamento de coisas claras.

 

 A influência exercida sobre a nossa alma, pelos diferentes lugares, é uma coisa digna de observação. Se a melancolia nos conquista infalivelmente quando estamos à beira das águas, uma outra lei da nossa natureza impressionante faz com que, nas montanhas, os nossos sentimentos se purifiquem: ali a paixão ganha em profundidade o que parece perder em vivacidade. 

Honoré de Balzac, A Mulher de Trinta Anos 

'

Fotografias: Fernando Dinis Music/Photography

TransVerso

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

reconhecer as entrelinhas no corpo do texto.
















Da montanha ao monte, cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por Quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte, 

Caminhais secretos.

 

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.


Fernando Pessoa, Cancioneiro 

Fotografia: Fernando Dinis Music/Photography

TransVerso

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Gare do Oriente.



Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada

de melancolia.

Procura.


Procura a maravilha.


- Eugénio de Andrade
Fotografia: Fernando Dinis Music/Photography