The State never intentionally confronts a
man’s sense, intellectual or moral, but only his body, his senses. It is
not armed with superior wit or honesty, but with superior physical
strength. I was not born to be forced. I will breathe after my own
fashion. Let us see who is the strongest.
- Henry David Thoreau, On Civil Disobedience
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
home*
o
melhor de uma verdade é o que dela nunca se chega a saber...evitarás
assim o ridículo de chorar a perda de um alfinete numa casa que te
ardeu.
vergílio ferreira
vergílio ferreira
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Swádhyáya
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
porque não se deve contrariar ídolos. parte 4.
Vale a pena atravessar meio mundo para ir procurar o outro, mesmo que seja para perceber que o outro não está lá porque atravessou meio mundo para nos vir procurar aqui.
josé luís peixoto, n'A Visão
josé luís peixoto, n'A Visão
foto: genoveva abreu
porque não se deve contrariar ídolos. parte 3.
Dia do Desassossego
“Escrevo para desassossegar, não quero leitores conformados, passivos, resignados”,
disse José Saramago pelos cantos do mundo e, pela última vez, na apresentação de Caim, para muitos mais do que um romance, um grito para romper com a indiferença. Nunca a sociedade precisou tanto de seres humanos desassossegados, capazes de mostrar coletivamente a inquietação e, a partir dela, elaborar alternativas que nos devolvam a racionalidade.
O Dia do Desassossego é uma chamada de atenção. Somos seres pensantes e queremos viver enquanto tal. Não somos massa, nem um número, nem uma estatística, e muito menos um rebanho dirigido. Somos homens e mulheres capazes das maiores proezas, incluindo a de sorrir em tempos sombrios, porque decidimos que ninguém nos gela o sangue nem nos corta a respiração.
“Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”, escreveu Ricardo Reis-Fernando Pessoa. E José Saramago mostrou-lhe esse espetáculo no ano da sua morte porque sempre soube que contemplar é um passo necessário, mas o segundo, tão urgente hoje como em 1936, é intervir, antes que intervenham sobre nós. Como pessoas, como culturas, como países. Neste Dia do Desassossego, quando José Saramago faria 90 anos, contemplemos o espetáculo do mundo pela sua mão.
Caminhemos com O Ano da Morte de Ricardo Reis pelas ruas de Lisboa e, em cada esquina descrita, paremos para pensar, de cabeça levantada. Somos cidadãos desassossegados, gente que pensa e tem coração para sentir a força da beleza, da bondade e dos argumentos. Saiamos à rua neste 16 de novembro, desassossegados mas não vencidos, com as nossas capacidades despertas, a nossa sensibilidade afinada, seres de palavras, de memória e de gratidão. O desassossego será uma forma de romper todos os cercos.
Fundação José Saramago
aos grandes 90 que hoje seriam.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
roupagens.
Meus amigos, amo-vos mais de Inverno do que no Verão;
zombo agora melhor e mais animosamente dos meus inimigos, desde que tenho o Inverno em casa. (...) Arrastar-me? Eu?
Nunca na minha vida me arrastei ante os poderosos. E se alguma vez menti, foi por amor.
Por isso fico satisfeito até na minha cama de Inverno. Um leito humilde aquece-me mais do que um leito faustoso, porque eu sou zeloso da minha pobreza. E é no inverno que ela me é fiel.
Nietzsche, Assim falava Zaratustra
Fotografia: Fernando Dinis Music/Photography
para a TransVerso
terça-feira, 13 de novembro de 2012
lembrete antes do mexefest. queriam o são jorge só para corridas 100 metros barreiras entre salas, não? :)
antestreia exclusiva em Portugal de On The
Road, adaptação há muito esperada do livro de Jack Kerouac (1922-1969),
que conta no elenco com Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Sam Riley ou
Kristen Stewart, é um dos destaques do Festival LER 25
na Revista Ler
Anos/25 Filmes. Seis dias (de 4 a 9 de dezembro) de cinema e
literatura, de portas bem abertas no Cinema São Jorge, em coprodução com
a EGEAC e a Câmara Municipal de Lisboa. Ao filme realizado por Walter
Salles juntam-se uma seleção de Pedro Mexia (24 filmes, de Matar ou Não
Matar, de Nicholas Ray, a Tess, de Roman Polanski, passando por Vidas em
Fúria, de Stephen Frears, ou A Corte do Norte, de João Botelho), a
entrevista de Carlos Vaz Marques a António Lobo Antunes (ao vivo), a
conferência de Gonçalo M. Tavares, os concertos das bandas dos
escritores Afonso Cruz (The Soaked Lamb) e Jacinto Lucas Pires (Os
Quais), bem como o espetáculo de David Santos (Noiserv), autor de alguns
dos temas musicais de José & Pilar – três concertos em parceria com
o Festival Vodafone Mexefest;a emissão em direto de «Prova Oral»,
programa de rádio de Fernando Alvim, e mais debates, tertúlias,
exposições, contadores de histórias e uma feira do livro.
na Revista Ler
porque não se deve contrariar ídolos. parte 2.
Não se pode pensar em
virtude sem se pensar num estado e num impulso contrários aos de virtude
e num persistente esforço da vontade. Para me desenhar um homem
virtuoso tenho que dar relevo principal ao que nele é voluntário; tenho
de, talvez em esquema exagerado, lhe pôr acima de tudo o que é modelar e
conter. Pela origem e pelo significado não posso deixar de a ligar às
fortes resoluções e à coragem civil. E um contínuo querer e uma contínua
vigilância, uma batalha perpétua dada aos elementos que, entendendo,
classifiquei como maus; requer as nítidas visões e as almas destemidas.
Por isso não me prende o menino virtuoso; a bondade só é nele o estado natural; antes o quero bravio e combativo e com sua ponta de maldade; assim me dá a certeza de que o terei mais tarde, quando a vontade se afirmar e a reflexão distinguir os caminhos, com material a destruir na luta heróica e a energia suficiente para nela se empenhar. O que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas; muitas vezes me há-de parecer que a sua virtude consiste numa falta de habilidade para urdir o mal, numa falta de coragem para o praticar; e, na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que se sobrevivem.Só os sacristães são levados, por índole e ofício, a venerar todos os santos, sem pôr em mais alto lugar os que encheram sua vida de esquinas e no dobrar de cada uma sofreram agonias e suaram de angústia; mas, para nós, foram mais longe os que mais se feriram nos espinhos de uma remissa natureza; se a venceram merecem estar no céu; se não venceram, o próprio esforço lho devia merecer; no entanto já o inferno é uma forma de glória; para os outros seria bom que se criasse um novo recinto de imortalidade: e só o vejo estabelecido no lodo espapaçado de um fundo tranquilo, sem pregas de correntes nem restos de naufrágios; exactamente um cemitério de medusas.
Para o que é bom por ter nascido bom e a única virtude consistiria em ser mau; aqui se mostrariam originalidade e coragem, mérito, portanto; porque ser mau por ter nascido mau só lhe deveria dar, como aos do lado contrário, o direito ao eterno silêncio. Por aqui se compreende que as vidas dos Sorel tenham sempre ressonância nas almas Stendhal; e também a sensibilidade, a delicadeza, todo o fundo de boas qualidades de certos grandes criminosos. Sei bem os perigos que tal doutrina pode ter transportada ao social e sei também a maneira de pôr de lado a objecção, alargando o conceito de virtude, dando-o como o desejo de superar e não como o desejo de combater; mas de propósito fiquei no que a virtude tem de luta entre a natureza e a vontade.
Agostinho da Silva, Considerações
Por isso não me prende o menino virtuoso; a bondade só é nele o estado natural; antes o quero bravio e combativo e com sua ponta de maldade; assim me dá a certeza de que o terei mais tarde, quando a vontade se afirmar e a reflexão distinguir os caminhos, com material a destruir na luta heróica e a energia suficiente para nela se empenhar. O que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas; muitas vezes me há-de parecer que a sua virtude consiste numa falta de habilidade para urdir o mal, numa falta de coragem para o praticar; e, na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que se sobrevivem.Só os sacristães são levados, por índole e ofício, a venerar todos os santos, sem pôr em mais alto lugar os que encheram sua vida de esquinas e no dobrar de cada uma sofreram agonias e suaram de angústia; mas, para nós, foram mais longe os que mais se feriram nos espinhos de uma remissa natureza; se a venceram merecem estar no céu; se não venceram, o próprio esforço lho devia merecer; no entanto já o inferno é uma forma de glória; para os outros seria bom que se criasse um novo recinto de imortalidade: e só o vejo estabelecido no lodo espapaçado de um fundo tranquilo, sem pregas de correntes nem restos de naufrágios; exactamente um cemitério de medusas.
Para o que é bom por ter nascido bom e a única virtude consistiria em ser mau; aqui se mostrariam originalidade e coragem, mérito, portanto; porque ser mau por ter nascido mau só lhe deveria dar, como aos do lado contrário, o direito ao eterno silêncio. Por aqui se compreende que as vidas dos Sorel tenham sempre ressonância nas almas Stendhal; e também a sensibilidade, a delicadeza, todo o fundo de boas qualidades de certos grandes criminosos. Sei bem os perigos que tal doutrina pode ter transportada ao social e sei também a maneira de pôr de lado a objecção, alargando o conceito de virtude, dando-o como o desejo de superar e não como o desejo de combater; mas de propósito fiquei no que a virtude tem de luta entre a natureza e a vontade.
Agostinho da Silva, Considerações
hoje. tentar não tropeçar na linha do eléctrico e convidá-lo para o cafézinho after-hours na Praça das Flores.
Willem Dafoe lê poemas de Alfred Brendel às 19h no Museu de História Natural e da Ciência. O bilhete custa 2€.
«Os poemas de Alfred Brendel são uma delícia. A sua voz é maravilhosamente excêntrica, gracejadora, maliciosa, irrequieta – os mesmos dedos brilhantes fazem um novo som.»
Harold Pinter, dramaturgo, prémio Nobel da Literatura
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
porque não se deve contrariar ídolos. parte 1.
Se se diz a uma mulher que certo homem é inteligente, ela escreve mentalmente um zero. Se se diz que é culto, ela escreve outro zero. Se acrescentarmos que é belo, amável, com boa reputação social e tudo o mais que se quiser, ela acrescenta outros zeros. Se finalmente se confidenciar que ele é bom na cama, ela escreve um 1 antes dos zeros todos.
(Tenho ideia de ter lido qualquer coisa de semelhante a esta conta não sei onde. Mas como não sei onde, façamos de conta que a conta é minha. Porque de qualquer modo, é exacta.)
Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 2
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
corpos estranhos
vezes houve em que se dava em mim
a fulguração de um talvez:
já sabes - são invisíveis os poemas
Fotografia: Fernando Dinis Music/Photography
para a TransVerso
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
00h30
Quando leres isto, eu que era visível, serei invisível,
Agora és tu, concreto, visível, aquele que me lê, aquele que me procura,
Imagino como serias feliz se eu estivesse a teu lado e fosse teu companheiro,
Sê tão feliz como se eu estivesse contigo. (Não penses que não estou agora junto a ti.)
- Walt Whitman
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
da genialidade.
“Write to please just one person. If you open a window and make love to the world, so to speak, your story will get pneumonia.”
Kurt Vonnegut

quarta-feira, 24 de outubro de 2012
rente ao chão
Quais são as tuas palavras essenciais? As que restam depois de toda a tua agitação e projectos e realizações. As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem. As que talvez ignores por nunca as teres pensado. As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha.
Vergílio Ferreira
Fotografias: Fernando Dinis Music/Photography
para a TransVerso
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
redução de ruído.
On Silence [ by Aldous Huxley ]
— from Silence, Liberty, and Peace (1946)
The twentieth century is, among other things, the Age of Noise.
Physical noise, mental noise and noise of desire -- we hold history's
record for all of them. And no wonder; for all the resources of our
almost miraculous technology have been thrown into the current assault
against silence. That most popular and influential of all recent
inventions, the radio is nothing but a conduit through which
pre-fabricated din can flow into our homes. And this din goes far
deeper, of course, than the eardrums. It penetrates the mind, filling it
with a babel of distractions, blasts of corybantic or sentimental
music, continually repeated doses of drama that bring no catharsis, but
usually create a craving for daily or even hourly emotional enemas. And
where, as in most
countries, the
broadcasting stations support themselves by selling time to advertisers,
the noise is carried from the ear, through the realms of phantasy,
knowledge and feeling to the ego's core of wish and desire. Spoken or
printed, broadcast over the ether or on wood-pulp, all advertising copy
has but one purpose -- to prevent the will from ever achieving silence.
Desirelessness is the condition of deliverance and illumination. The
condition of an expanding and technologically progressive system of mass
production is universal craving. Advertising is the organized effort to
extend and intensify the workings of that force, which (as all the
saints and teachers of all the higher religions have always taught) is
the principal cause of suffering and wrong-doing and the greatest
obstacle between the human soul and its Divine Ground.
— from Silence, Liberty, and Peace (1946)
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
tropeçamos no andamento de coisas claras.
A influência exercida sobre
a nossa alma, pelos diferentes lugares, é uma coisa digna de
observação. Se a melancolia nos conquista infalivelmente quando estamos à
beira das águas, uma outra lei da nossa natureza impressionante faz com
que, nas montanhas, os nossos sentimentos se purifiquem: ali a paixão
ganha em profundidade o que parece perder em vivacidade.
'

Fotografias: Fernando Dinis Music/Photography
TransVerso
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
reconhecer as entrelinhas no corpo do texto.
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por Quinta e por fonte,
Caminhais aliados.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.
Fernando Pessoa, Cancioneiro
Fotografia: Fernando Dinis Music/Photography
TransVerso
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Gare do Oriente.
Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.
No brilho redondo
e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada
de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha.
- Eugénio de Andrade
Fotografia: Fernando Dinis Music/Photography
e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada
de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha.
- Eugénio de Andrade
Fotografia: Fernando Dinis Music/Photography
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