terça-feira, 24 de abril de 2012

da espinha dorsal.

o miguel portas era o político que sempre escolhi desde que nasceu o bloco.
merda para os bons que se vão depressa demais. e logo hoje. na véspera.
os ruins que por cá ficam mereciam alguém como ele a envergonhá-los por muito mais tempo.

a irrelevância


Suponhamos que amanhã, como consequência de terem lido Henry Miller, todas as pessoas começavam a usar uma linguagem livre, uma linguagem de sarjeta, se quiserem, e a agir de acordo com as suas crenças e convicções. E então ? A minha resposta é que, acontecesse o que acontecesse, seria como nada tivesse ocorrido, nada, insisto, se o compararmos com os efeitos da explosão de uma única bomba atómica. E isto é, confesso, a coisa mais triste que um indivíduo criador como eu pode admitir. É minha convicção que estamos hoje a atravessar um período a que se poderia chamar de «insensibilidade cósmica», um período em que Deus parece, mais do que nunca, ausente do mundo, e o homem se vê condenado a enfrentar o destino que para si próprio criou. Num momento como este, a questão de saber se um homem é ou não culpado de usar de uma linguagem obscena em livros impressos parece-me perfeitamente inconsequente. É quase como se eu, ao atravessar um prado, descobrisse uma erva coberta de esterco e, curvando-me para a ervilha obscura, lhe dissesse em tom de admoestação: «Que vergonha!»

henry miller

o difícil está feito e o impossível só leva mais tempo.

salgueiro maia

os meus pensamentos são todos sensações.

foto: assíria mikosz (nunca sei se no teu nome o s vem antes do z)

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos - Poema IX

domingo, 22 de abril de 2012

walter benjamin & his most wanted friends

walter benjamin 
david santos - noiserv 
bruno pernadas 
b fachada 
márcia 
francisca cortesão - minta 
joão correia - julie & the carjackers 
jakob bazora 
nuno lucas
joão paulo feliciano
manuel dordio







sábado, 21 de abril de 2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

terra molhada.

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
 




traçadinhos e feijão verde.

- mas tu és de cá, que eu lembro-me de ti. aos camones mandei-os subir ao castelo. vi logo que moraste ali atrás, no beco do jasmim. tinhas um cão. mas entras e comes qualquer coisa, ou quê? nem penses que vais daqui sem nada no estômago. filho da mouraria nunca sai daqui de mãos vazias.
 




percebe-se a apatia de quem vive cego.

É em momentos como o ontem vivido no Alto da Fontinha que Rui Rio revela o seu rosto de autocrata e a sua aversão a tudo o que lhe cheire a diferença, particularmente a todas a formas de cultura e cidadania que escapem à Kultura, ao papel "couché" e à rotina institucional.

No edifício da antiga Escola da Fontinha, há cinco anos ao abandono, nascera espontaneamente, por iniciativa dos moradores e outras pessoas, um projecto cívico autónomo que, durante um ano, sem mendigar subsídios, fez a "diferença", infeccionando de vida comunitária e, sobretudo, de esperança, o resignado quotidiano de uma das inúmeras zonas degradadas que, longe do olhar dos turistas, persistem no coração da cidade.

Uma ilha de iniciativa, de partilha, de democracia participativa? Era de mais para Rui Rio. Ateliês de leitura, de música, de teatro, de fotografia?, formação contínua?, apoio educativo?, aulas de línguas?, xadrez?, yoga?, debates?, assembleias? - Intolerável!

De nada valeu ao movimento Es.Col.A constituir-se em associação, como lhe exigira a Câmara com a promessa de um contrato que nunca chegaria. Como os "Blue Meanies" de "O submarino amarelo", as retinas de Rui Rio não suportam as cores vibrantes e indisciplinadas dos sonhos. Ontem, por sua ordem, a Polícia cercou o bairro, invadiu armada a Escola da Fontinha, prendeu pessoas e destruiu e pilhou as instalações. E Pepperland voltou de novo a ser cabisbaixa e cinzenta.


Manuel António Pina no JN

quarta-feira, 18 de abril de 2012

aqui dentro.


existem palavras maiores do que tudo <3
é tão bom voltar aqui com olhos de ver.

ao fundo, ponte.


se pudermos um dia escolher o cenário das nossas vidas, teremos de ser cautelosos ao ponto de deixar pinceladas dos quatro cantos que nos fizeram o que somos hoje. cautela, resguardo, zelo, pelo que encontramos aos nossos pés com a humildade de quem se revê no espelho do que já foi e o amor pelo que ainda virá a ser.

terça-feira, 17 de abril de 2012

cassiopeia



transformar em estrelas o que nos parece imutável.

continua a doer-me o céu da boca.

e chego a casa com a maior das vontades de deixar a saliva crescer.

beware of those walks in the woods.




I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived

henry david thoreau

the heavens tied to a chair



I never fall apart because I never fall together


Andy Warhol

o que dizer quando a Cidade me recebe assim.




segunda-feira, 16 de abril de 2012

domingo, 15 de abril de 2012

ingvild





phaedra @ cafe au lait

estágio.



radiohead ao vivo em coachella 2012. concerto na íntegra. desligar o mundo. afastar cadeiras e mesas.

que a luz martela de leve.



E digo: elas cantam a minha vida. Essas mulheres estranguladas por uma beleza incomparável. Cantam a alegria de tudo, minha alegria por dentro da grande dor masculina. Essas mulheres tornam feliz e extensa a morte da terra.
Elas cantam a eternidade.

Cantam o sangue de uma terra exaltada.

herberto helder, a faca não corta o fogo

depois não digam que não avisei.




não és nada enrascado.



na minha teimosia em fechar todas as portas. não desistes.
levantas-te e vais abrir a janela.