terça-feira, 8 de maio de 2012

vivre est une chute horizontale



ce qu'il faut c'est vivre ensemble le même rêve [. ..... l'oiseleur

vivre avec la faim

jean cocteau

e não é só porque aparece ali no meio um verso em francês



a coisa até podia ficar desconexa, mas a verdade é que tudo se anima sobre o pano denso.
o negrume recai sobre as costas mas existe um negro que ilumina tudo.
o arranhar da voz que se perde algures no que íamos dizer mas afinal não pensamos em mais nada que não seja uma sala às escuras e esta víbora disfarçada de morcego ou pantera ou qualquer animal negro de tão negro que se funde na perdição do ouvido e da música mais que perfeita.

bolas. vou atirar-me ao segundo café sem açúcar com a força de quem nunca mais vai ouvir nada assim tão depressa. nem com a chegada do verão e do recostar junto à praia com o yorke nas entrelinhas do palco.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

miúdas primitivas gostam disto.



wasteland companion, m. ward, 2012

senta-te a um canto e espera que passe



ando então com uns versos na cabeça: qualquer coisa sobre uma estrela que brilha na aurora, para a qual nada representa. dentro da música, movo-me assim - o poder de uns phones. dentro da música, com uns versos na cabeça, mais uma ou outra ideia que poderia ser escrita e não é. pensei: não é preciso escrevê-la. e depois pensei: brilhar na aurora e, ainda assim, ser invisível. apesar de. brilhar para dentro, mesmo que.

o outro deixará enfim de ser necessário.

atirar cocteau ao domingo de manhã contra a parede



é sinuoso e acabamos por aproveitar as linhas com que ele escreve sobre roussel ou proust para nos lembrarmos de que tudo acaba por estar já feito e mais que inventado. pergunto-me o porquê de encenarmos sempre as mesmas imagens, ouvirmos ou reproduzirmos o que tantos já fizeram e ainda acharmos que somos originais. existe nesta criatividade de hoje em dia uma colagem demasiado cega ao que se encontra demasiado visto. e se os surrealistas chegaram lá também com inspiração de tantos que genialmente lhes mostraram o caminho, isto desta modernidade de onde partimos tem-me mostrado uma certa pobreza de valores. como se os meios tão super produzidos de hoje nos remetessem cada vez mais para uma experiência individual de conceitos que apenas o autor e a sua prole de seguidores entende.
já não se arrepiam muitas peles. é cada vez mais raro o ir para casa com um nome criativo contemporâneo no ouvido.
é a ditadura da instalação e o poder do geniozinho torturado que vai exorcizando todos os traumas não através da arte, mas da suprema arrogância. por isso a ala de roussel a abarrotar de visitantes. por isso as instalações frias e desprovidas de conteúdo às moscas. é o povo que não entende ou é o «artista» que não comunica?
existem refúgios que merecem mais calor humano. mais claridade. mais madeira no chão.

sábado, 5 de maio de 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

diagonal



escreves sempre por linhas tortas*

I never ever cared about your real name, so never tell them your real name




a raridade de momentos mágicos.
soltos. perdidos na água que cai.
a revolta de mãos enlaçadas nos dedos colados à perna traçada.

em viena



It is the song of the lover in need of her loved one, the raving of the lunatic supplicant petitioning his God. It is the cry of one chained to the earth, to the ordinary and to the mundane, craving flight; a flight into inspiration and imagination and divinity. The love song is the sound of our endeavours to become God-like, to rise up and above the earthbound and the mediocre. (...)

Far From Me took four months to write, which was the duration of the relationship it describes. The first verse was written in the first week of the affair and is full of all the heroic drama of new love as it describes the totality of feeling whilst acknowledging the potential for pain – for you I'm dying now. It sets the two lovers it describes against an uncaring world – a world that fucks everybody over – and brings in the notion of the physical distance suggested in the title. Strangely, though, the song, as if awaiting the "traumatic experience" that I spoke of earlier to happen, would not allow itself to be completed until the catastrophe had occurred. Some songs are tricky like that and it is wise to keep your wits about you when dealing with them. I find quite often that the songs I write seem to know more about what is going on in my life than I do. I have pages and pages of fourth verses for this song written while the relationship was still sailing happily along.

nick cave, a love song lecture

esta deve ser a minha semana contestatária.



Free The Network., de Brian Anderson
ou deve ser o 25 e o 1º de maio, ou está-me no sangue, ou a mim já não me apanham, ou vejam e pronto.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

as bestas não são eles. somos nós.

Pingo de Maio Gate.

A violência que não se vê nas manifestações de rua comprime-se no afã vidrado de uma fila de supermercado.

a sério, pá.


"Esta é a praga deste tempo, quando os loucos guiam os cegos".
william shakespeare.

do vício.



I would love in three years to have a shaved head, 30 tattoos, a plane and several children. Oh - and three lovers.

angelina jolie

borderline



Mr. Brown: Let me tell you what 'Like a Virgin' is about. It's all about a girl who digs a guy with a big dick. The entire song. It's a metaphor for big dicks.
Mr. Blonde: No, no. It's about a girl who is very vulnerable. She's been fucked over a few times. Then she meets some guy who's really sensitive...
Mr. Brown: Whoa, whoa, whoa, whoa, whoa... Time out Greenbay. Tell that fucking bullshit to the tourists.
Joe: Toby... Who the fuck is Toby? Toby...
Mr. Brown: 'Like a Virgin' is not about this sensitive girl who meets a nice fella. That's what "True Blue" is about, now, granted, no argument about that.
Mr. Orange: Which one is 'True Blue'?
Nice Guy Eddie: 'True Blue' was a big ass hit for Madonna. I don't even follow this Tops In Pops shit, and I've at least heard of "True Blue".
Mr. Orange: Look, asshole, I didn't say I ain't heard of it. All I asked was how does it go? Excuse me for not being the world's biggest Madonna fan.
Mr. Blonde: Personally, I can do without her.
Mr. Blue: I like her early stuff. You know, 'Lucky Star', 'Borderline' - but once she got into her 'Papa Don't Preach' phase, I don't know, I tuned out.
Mr. Brown: Hey, you guys are making me lose my... train of thought here. I was saying something, what was it?
Oh, Toby was this Chinese girl, what was her last name?
Mr. White: What's that?
Joe: I found this old address book in a jacket I ain't worn in a coon's age. What was that name?
Mr. Brown: What the fuck was I talking about?
Mr. Pink: You said 'True Blue' was about a nice girl, a sensitive girl who meets a nice guy, and that 'Like a Virgin' was a metaphor for big dicks.
Mr. Brown: Lemme tell you what 'Like a Virgin' is about. It's all about this cooze who's a regular fuck machine, I'm talking morning, day, night, afternoon, dick, dick, dick, dick, dick, dick, dick, dick, dick.
Mr. Blue: How many dicks is that?
Mr. White: A lot.
Mr. Brown: Then one day she meets this John Holmes motherfucker and it's like, whoa baby, I mean this cat is like Charles Bronson in the 'Great Escape', he's digging tunnels. Now, she's gettin' the serious dick action and she's feeling something she ain't felt since forever. Pain. Pain.
Joe: Chew? Toby Chew?
Mr. Brown: It hurts her. It shouldn't hurt her, you know, her pussy should be Bubble Yum by now, but when this cat fucks her it hurts. It hurts just like it did the first time. You see the pain is reminding a fuck machine what it once was like to be a virgin. Hence, 'Like a Virgin'.
Joe: Wong?

Reservoir Dogs, Quentin Tarantino, 1992

falar verdade a mentir.



é que nem a chuva :)))

o tiago disse-me que os bush vêm a lisboa.

e a minha vida para setembro acaba de ser adiada. \m/

prometo-te que um dia voltarei sem bússola


neil gaiman/amanda palmer

regressarei com o lume do rio a guiar-me, e que os olhos pousarão nos teus olhos este frémito de água. Acredito nas ruas que existem por detrás dos óculos dos marinheiros, onde descansa um barco e tu foges, não acredito em ti. Um fio de água enforca-nos. Foi então que resolveste prosseguir viagem sozinho, com a tua adolescência um pouco ferida. Eu acreditei no fogo e no silêncio que, de manhã lavam os corpos, tornando-os de novo navegáveis. Esperei, ainda te espero. Ando por aí a mariscar com os nativos, escondendo do mundo a tristeza que me devora o corpo.

al berto, o medo

o david lynch lançou um álbum.



e pronto.
mas parece-me que a desculpa era mesmo fazer o vídeo que sempre quis sem que ninguém achasse estranho.

o_O

quarta-feira, 2 de maio de 2012

hoje, viver numa bolha. longe dos noticiários e do saque grotesco. nem os animais.


Melvin Sokolsky ~
Bubble series for Harper's Bazaar
Paris 1963 (j)


Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.

José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira

enquadramento




Foi no preciso momento em que os homens tomaram as impressões digitais do átomo que as estrelas se derreteram em lágrimas. O homem acabava de descobrir os seus segredos. Não há acima. Não há abaixo. Não há nada grande. Não há nada pequeno.

abel gance