quarta-feira, 11 de julho de 2012

memória selectiva

ainda me parece inverno.
e agora que vou embora, parece que parámos nas gotas de chuva daquele dia que nunca mais acabava.


já sei. volta-se sempre*
de nós ali, sempre. mas cuidem-me dela, sim? ;)

o karma vem a galope

lembram-se quando björk e explosions in the sky cancelaram no primavera sound?


pois. eu já vi florence 2 vezes, uma das quais no mesmo recinto onde a coitadita agora diz que não se pode deslocar.

riam-se, mas não muito. que há quem ria sempre mais ainda no fim e a música chega sempre a todos.
um dia :))

sei bem o que isso é

lembras-te de certeza da sensação de cair quando estás prestes a adormecer, e depois acordas e afinal,era só a tua cama e dois braços que te prendem a ela. 










são sempre as curvas

e as contracurvas
que nos levam à linha da tua cintura.
aquele centímetro de pele que desce e volta a subir na volta certa dos dedos perdidos por ali há muitas noites seguidas.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

algures perto dos pulmões.


- onde é que vais pôr uma caixa desse tamanho numa casa já de si tão pequena, onde não quero acumular tralha, já me basta o que ainda nem trouxe, que nunca vou trazer e desencaixotar e....


- já olhaste bem para o tamanho dessa caixa toráxica? onde conseguiste arrumar um coração desse tamanho aí dentro? a merda é a mesma. arrumando.



para um homem do norte, merda é vernáculo e o coração vírgula.


the golden era of make believe

elas continuam a viver às custas deles.
arranjam cãezinhos bonitos à imagem dos das amigas só para dizerem que têm o mais recente acessório de moda e botarem conversa nos chats das redes sociais e colocarem fotografias fofas deles a dormir enroscadinhos, mas quando os bichos e as pessoas fazem a habitual merda, é despachá-los para o canto mais próximo, que é como quem diz, para alguém mais sensato que os ature e lhes dê comidinha, água e colo. os sofás de pele não se ajustam com pêlos e xixis e os cartões de crédito gold não suportam contas de veterinário que podem ser gastas em malas e sapatos de luxo.
os bichos, tal como as pessoas, chegando a velhos trocam-nos por outros novos e igualmente fofos.


se não acreditam, vejam vocês mesmos.
assinalem nas cruzinhas e façam como elas.
só não deixem queimar o fricassé!
mas divirtam-se à grande à custa dos otários mais próximos.

alimento



sempre que consigo fechar a porta em condições pergunto-me das voltas à chave que vais ter de dar para a fazer abrir se chegares depois de mim. o prédio é velho e as caixas de correio destoam entre si.
esta farta-se de receber cartas e postais. as outras estão cheias de publicidade aos quilos, das portas fechadas há anos no abandono de quem não arrisca estar sozinho.
já me avisaram vezes sem conta que aquela fechadura basta um solavanco e cai. nem tranca nem nada. fica para ali solta no alimento da alma que come migalhas aos poucos para não acordar serralheiros a meio da noite.

sais com cuidado.
apertas-me o braço, não vá a jangada partir-se a meio do naufrágio.
e olha que por aqui ninguém nada muito bem.
dão-se umas braçadas espalhafatosas entre muros.
aprende-se a remar de dia para à noite flutuar sem rede mais próximo do céu.
afinal, ao que parece, deus por lá nunca se viu.

dizem que, a bem da verdade, continua ainda e só a ser uma palavra.

terça-feira, 3 de julho de 2012

são contrariedades que voltam como prémios. eu não disse.


conquista da semana: aulas em casa!!


siga!!!******

águas furtadas.


Ao entrar na floresta, o guiador a balançar nas minhas mãos, afastava-me de tudo o que era a minha casa, os meus amigos, os lugares onde pensava que me podia sentir seguro. A tarde tornara-se fresca no meu corpo sob as roupas: a camisola branca, as calças. Conhecia menos o meu corpo sob as roupas do que conhecia as roupas. Conhecia as roupas do tempo que passaram guardadas em gavetas, conhecia-as de quando as dobrei e guardei em gavetas, quando as escolhi e comprei, e , nesse dia, quando as escolhi por querer vesti-las. 

A palma da sua mão tinha linhas que eram o mapa de uma vida inteira, uma vida com todos os seus enganos, com todos os seus erros, com todas as suas tentativas. Os seus olhos de pedra. Senti os ossos da sua mão a envolverem os meus dedos. Não me puxou, mas eu aproximei o meu corpo do seu.

josé luís peixoto, cal

quando for grande


«quero ter uma mulher como tu só para mim.»

cause i no longer know where home is.


every day there's a boy in the mirror
asking me
what are you doing here
finding all my previous motives
growing increasingly unclear

I travelled far and I burned all the bridges

I believed as soon as I hit land
all the other
options held before me
will wither in the light of my plan


homesick , koc

darkside - nicolas jaar & dave harrington @ clubbing casa da música








segunda-feira, 2 de julho de 2012

ultimamente

chego a casa e deixo de atirar a mala para o chão. olho para ti, que vens atrás, e pouso-a num canto para que dali não saia até à manhã seguinte. apetece dizer tudo aquilo que nunca mais daqui saiu. mas recolho-me à máquina do café e tiro-nos mais um. dormimos pouco. dormimos quando calha. dormimos quando, ao que parece, já não há mais nada para fazermos. e de dia ao que parece, tudo volta. igual. ou maior. o café é duplo. as chaves do carro são duas. as mãos são quatro. os olhos também. apetece-me perder-te de propósito. que é para nunca mais saber o que já me esquecia de dizer-nos.