terça-feira, 17 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
corifeu
Um relâmpago. Avista-se Diónisos em beleza esmeraldina.
Diónisos:
Sê prudente, Ariadne!...
Tu tens orelhas pequenas, tens as minhas orelhas:
Mete nelas uma palavra prudente! -
Não temos que odiar-nos primeiro, para podermos amar-
[mo-nos?...
Eu sou o teu labirinto...ditirambos dionisíacos, f. nietzsche
antígona, ou a mulher que enterra o irmão, o pai, a mãe(avó) e sabia fazer rir o mundo
domingo, 15 de maio de 2011
a noite
sábado, 14 de maio de 2011
brick lane
parecia-nos que o sonho chegara onde as salas persistem sem paredes nem vidros.
envolvendo palavras em búzios e pérolas e enredadas em redes e vidradas em contradições pungentes.
agora, persiste o sabor a sal. caminhando ao lado da pele macia dos lábios que descobrem afinal o caminho mais nosso.
repousa os olhos e o corpo. ressente e cobre de mãos ávidas de viagem em planisférios que caminhaste a doçura do toque na carne que é esta. que sempre se desfaz em água à passagem dos dedos na reentrância da anca. a que desce pela linha do tronco. a que vinca na alma o querer chegar àquela parte incerta das pestanas que cerram no encontro com o vento.
que traz a notícia desse leve mas cumpridor despertar.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
ulisses

foto: fabrice pinto
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
sophia de mello breyner
essential killing
só vincent gallo se podia safar num filme onde não articula uma só palavra.
e diz tudo.
de rastos. a chapada não podia ser mais forte.
e diz tudo.
de rastos. a chapada não podia ser mais forte.
terça-feira, 10 de maio de 2011
the corpse bride
o «jovem esqueleto» do poema de baudelaire
domingo, 8 de maio de 2011
sábado, 7 de maio de 2011
corpo
que te seja leve o peso das estrelas e de tua boca irrompa a inocência nua dum lírio cujo caule se estende e ramifica para lá dos alicerces da casa abre a janela debruça-te deixa que o mar inunde os órgãos do corpo espalha lume na ponta dos dedos e toca ao de leve aquilo que deve ser preservado mas olho para as mãos e leio o que o vento norte escreveu sobre as dunas levanto-me do fundo de ti humilde lama e num soluço da respiração sei que estou vivo.
sou o centro sísmico do mundo
sou o centro sísmico do mundo
al berto
quinta-feira, 5 de maio de 2011
na distância
aquela que por vezes precisamos e pela qual gritamos quando o ruído é tanto e ensurdecedor que parece encher-nos de borboletas e formigas e mãos que nos puxam e empurram e formam montanhas de palavras às nossas costas.
é também na distância que surgem vontades. amores maiores. certezas que só o silêncio e os quilómetros e os mares e os ventos permitem abrir no peito. aclarar ideias. amenizar bocas ávidas de perguntas. alisar sobrancelhas arqueadas e testas franzidas.
sorrisos que não esquecem e mãos que apertam. muito. e tocam no regresso.
até já. vem devagarinho. cá te espero. no silêncio que não se importa de romper com um riso bem sonoro pelas ruas que ladeiam a nossa casa de chá com cupcakes dentro.
terça-feira, 3 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
contra ventos e marés
nada como levar com uma prancha nos queixos para acordar.
há anos que não via o céu daquela cor. as nuvens rosa mar adentro.
o cinzento riscado.
há anos que não saía da praia de noite.
há muitos anos que não tocava numa destas.
até lhes havia esquecido o peso. e a força.
há anos que não ficava sem ar e a remar contra a maré e a tentar subir e a força que não deixa e o mar que puxa e a água que acalma por fim.
obrigada pelo tanto que reencontrei!
e pela força que sempre chega.
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