fiquei a pensar (...) no que é essa necessidade de parar para a qual a vida, num momento ou noutro, nos encaminha; nos fins que nos temos de impor se quisermos crescer, mesmo quando os ventos correm de feição; na urgência fundamental que representa escutar-se a si mesmo, perfurando camadas de distração e automatismo.
diria isto: por vezes o que nos aproxima da autenticidade é o continuar, por vezes é parar.
e só o saberemos no exercício paciente e inacabado da escuta. mas esta audição a nós próprios não se faz sem coragem e sem esvaziamento.
não podemos estar à espera de condições ideais. eu acredito naquilo que o músico John Cage deixou escrito: em nenhuma parte do espaço ou do tempo existe isso a que, de forma idealizada, nós chamamos silêncio. à nossa volta tudo é som, por muito que tentemos encontrar um silêncio. e do mesmo modo se expressou Kafka falando da sua trincheira, a literatura: «nunca conseguimos estar suficientemente sozinhos quando escrevemos, até mesmo a noite nunca é noite o suficiente». aquilo a que chamamos silêncio só se torna real e efetivo através de um processo de despojamento interior, e de nenhuma outra maneira.
os padres do deserto ensinam-no, com uma sabedoria sempre calibrada de humor. como aparece nesta história o monge Arsénio? «a certa altura, o abba Arsérnio chegou a um canavial e os juncos eram agitados pelo vento. e o velho sábio perguntou aos irmãos : que rumorejar é este?, e eles responderam: são os juncos.
o velho sábio disse-lhes: na verdade, se um homem se sentar em silêncio e ouvir a voz de um pássaro, é porque não tinha mesmo silêncio no seu coração. quanto mais não será assim convosco, que ouvis os sons destes juncos?
o silêncio não é apenas exterior. é preciso ter «silêncio no seu coração». mas esse silêncio pede-nos, em cada dia, muita turbulência e empenho. diziam ainda os padres do deserto: aquele que se senta em solidão e está silencioso escapou a três guerras - ouvir, falar, ver. terá, contudo, de travar continuamente uma batalha contra uma coisa: o seu próprio coração.
faltam-nos hoje mestres de humanidade. faltam cartógrafos do coração humano, dos seus infindos e árduos caminhos que, por fim, se revelam extraordinariamente simples. falta-nos uma nova gramática que concilie os termos que a nossa cultura tem por inconciliáveis: razão e sensibilidade, eficácia e afetos, individualidade e compromisso social, gestão e compaixão(...)
josé tolentino mendonça, revista expresso, 19/jan'13
é isto.
até.
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sábado, 19 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
cai neste instante uma bátega de água que podiam ser sapos.
Ideias genéricas e uma grande presunção estão sempre em via de causar uma terrível desgraça
- Johann Wolfgang von Goethe
no Público de hoje.
- Johann Wolfgang von Goethe
no Público de hoje.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
A Fala dos Dedos
A beleza está nos olhos de quem a vê.
Obrigada pelo privilégio de estar aqui*****
no Teatro Rápido, R. Serpa Pinto, 14, ao Chiado.
Fernando Dinis Music/Photography
Fernando Dinis Music/Photography
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sábado, 29 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
achei que não aguentava
duas noites seguidas, entalada entre a maria joão, o mário laginha e o jp simões.
mas cá estou para contá-la.
ainda bem que o mundo só acaba sexta-feira.
mas cá estou para contá-la.
ainda bem que o mundo só acaba sexta-feira.
domingo, 2 de dezembro de 2012
em vez de ocultar a esfera, devemos simplesmente segurá-la por baixo, com a mão aberta.
deste modo, - dizia Aurius - ela fica visível para mim e, ao mesmo tempo, para todos, e se assim o vento ou qualquer outra força o quiserem, ela pode rolar da mão para o mundo, cumprindo, então, o destino da sua forma.
gonçalo m. tavares, histórias falsas
gonçalo m. tavares, histórias falsas
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
crise? qual crise?eu passei a minha vida toda em crise! não sei o que é viver sem ser em crise! (prémio chapada para os que se queixam o dia todo nas redes sociais, mas que ainda conseguem ter dinheiro ou trabalho para aceder à internet)
domingos ferraz.
reformado
no dia do seu 74º aniversário.
do alto de uma vida inteira de trabalho, e de umas quantas advertências e detenções pela antiga polícia política de defesa do dito estado.
reformado
no dia do seu 74º aniversário.
do alto de uma vida inteira de trabalho, e de umas quantas advertências e detenções pela antiga polícia política de defesa do dito estado.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
do teu inverno
que nos aquece,
do amor inexplicável de quem faz 300 quilómetros e chega de madrugada apenas para nos adormecer.
e fazer bolo de bolacha. o da nossa infância. o que escalda os dedos a transbordar de afecto.
de cuidado.
escolhemos. a pantufa. a leitura. o estômago.
escolhemos tudo.
do amor inexplicável de quem faz 300 quilómetros e chega de madrugada apenas para nos adormecer.
e fazer bolo de bolacha. o da nossa infância. o que escalda os dedos a transbordar de afecto.
de cuidado.
escolhemos. a pantufa. a leitura. o estômago.
escolhemos tudo.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
a carta da Fiona Apple aos fãs, após cancelar a tourné para ficar em casa com o ser mais importante da sua vida. nós somos isto.
It’s 6pm on Friday, and I’m writing to a few thousand friends I have not met yet. I’m writing to ask them to change our plans and meet a little while later.
Here’s the thing.
I have a dog, Janet, and she’s been ill for about 2 years now, as a tumor has been idling in her chest, growing ever so slowly. She’s almost 14 years old now. I got her when she was 4 months old. I was 21 then — an adult, officially — and she was my kid.
She is a pitbull, and was found in Echo Park, with a rope around her neck, and bites all over her ears and face.
She was the one the dogfighters use to puff up the confidence of the contenders.
She’s almost 14 and I’ve never seen her start a fight, or bite, or even growl, so I can understand why they chose her for that awful role. She’s a pacifist.
Janet has been the most consistent relationship of my adult life, and that is just a fact. We’ve lived in numerous houses, and joined a few makeshift families, but it’s always really been just the two of us.
She slept in bed with me, her head on the pillow, and she accepted my hysterical, tearful face into her chest, with her paws around me, every time I was heartbroken, or spirit-broken, or just lost, and as years went by, she let me take the role of her child, as I fell asleep, with her chin resting above my head.
She was under the piano when I wrote songs, barked any time I tried to record anything, and she was in the studio with me, all the time we recorded the last album.
The last time I came back from tour, she was spry as ever, and she’s used to me being gone for a few weeks, every 6 or 7 years.
She has Addison’s Disease, which makes it more dangerous for her to travel, since she needs regular injections of Cortisol, because she reacts to stress and excitement without the physiological tools which keep most of us from literally panicking to death.
Despite all this, she’s effortlessly joyful & playful, and only stopped acting like a puppy about 3 years ago. She is my best friend, and my mother, and my daughter, my benefactor, and she’s the one who taught me what love is.
I can’t come to South America. Not now. When I got back from the last leg of the US tour, there was a big, big difference.
She doesn’t even want to go for walks anymore.
I know that she’s not sad about aging or dying. Animals have a survival instinct, but a sense of mortality and vanity, they do not. That’s why they are so much more present than people.
But I know she is coming close to the time where she will stop being a dog, and start instead to be part of everything. She’ll be in the wind, and in the soil, and the snow, and in me, wherever I go.
I just can’t leave her now, please understand. If I go away again, I’m afraid she’ll die and I won’t have the honor of singing her to sleep, of escorting her out.
Sometimes it takes me 20 minutes just to decide what socks to wear to bed.
But this decision is instant.
These are the choices we make, which define us. I will not be the woman who puts her career ahead of love & friendship.
I am the woman who stays home, baking Tilapia for my dearest, oldest friend. And helps her be comfortable & comforted & safe & important.
Many of us these days, we dread the death of a loved one. It is the ugly truth of Life that keeps us feeling terrified & alone. I wish we could also appreciate the time that lies right beside the end of time. I know that I will feel the most overwhelming knowledge of her, and of her life and of my love for her, in the last moments.
I need to do my damnedest, to be there for that.
Because it will be the most beautiful, the most intense, the most enriching experience of life I’ve ever known.
When she dies.
So I am staying home, and I am listening to her snore and wheeze, and I am revelling in the swampiest, most awful breath that ever emanated from an angel. And I’m asking for your blessing.
I’ll be seeing you.
Love,
Fiona
Maggie, onde quer que estejas, nós somos isto
♥porque eu, de ti, ainda não consigo dizer nada. apenas sentir e ficar.
quieta. imóvel.
à espera que apareças como de costume. como sempre encostada ao meu pescoço.
limão.
E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.
Miguel Sousa Tavares
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
do saber.
You're not to be so blind with patriotism that you can't face reality. Wrong is wrong, no matter who does it or says it.
- Malcolm X
TransVerso
TransVerso
domingo, 18 de novembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
home*
o
melhor de uma verdade é o que dela nunca se chega a saber...evitarás
assim o ridículo de chorar a perda de um alfinete numa casa que te
ardeu.
vergílio ferreira
vergílio ferreira
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