a protecção civil recomenda.
fique dentro de casa.
@TransVerso
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sábado, 19 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
porque não se deve contrariar ídolos. parte 5.
The State never intentionally confronts a
man’s sense, intellectual or moral, but only his body, his senses. It is
not armed with superior wit or honesty, but with superior physical
strength. I was not born to be forced. I will breathe after my own
fashion. Let us see who is the strongest.
- Henry David Thoreau, On Civil Disobedience
- Henry David Thoreau, On Civil Disobedience
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
porque não se deve contrariar ídolos. parte 3.
Dia do Desassossego
“Escrevo para desassossegar, não quero leitores conformados, passivos, resignados”,
disse José Saramago pelos cantos do mundo e, pela última vez, na apresentação de Caim, para muitos mais do que um romance, um grito para romper com a indiferença. Nunca a sociedade precisou tanto de seres humanos desassossegados, capazes de mostrar coletivamente a inquietação e, a partir dela, elaborar alternativas que nos devolvam a racionalidade.
O Dia do Desassossego é uma chamada de atenção. Somos seres pensantes e queremos viver enquanto tal. Não somos massa, nem um número, nem uma estatística, e muito menos um rebanho dirigido. Somos homens e mulheres capazes das maiores proezas, incluindo a de sorrir em tempos sombrios, porque decidimos que ninguém nos gela o sangue nem nos corta a respiração.
“Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”, escreveu Ricardo Reis-Fernando Pessoa. E José Saramago mostrou-lhe esse espetáculo no ano da sua morte porque sempre soube que contemplar é um passo necessário, mas o segundo, tão urgente hoje como em 1936, é intervir, antes que intervenham sobre nós. Como pessoas, como culturas, como países. Neste Dia do Desassossego, quando José Saramago faria 90 anos, contemplemos o espetáculo do mundo pela sua mão.
Caminhemos com O Ano da Morte de Ricardo Reis pelas ruas de Lisboa e, em cada esquina descrita, paremos para pensar, de cabeça levantada. Somos cidadãos desassossegados, gente que pensa e tem coração para sentir a força da beleza, da bondade e dos argumentos. Saiamos à rua neste 16 de novembro, desassossegados mas não vencidos, com as nossas capacidades despertas, a nossa sensibilidade afinada, seres de palavras, de memória e de gratidão. O desassossego será uma forma de romper todos os cercos.
Fundação José Saramago
aos grandes 90 que hoje seriam.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
da indignação
o carro ficou desde ontem na Travessa da Arrochela e, não sei bem como, escapou ileso. As pessoas não tiveram a mesma sorte.
pela primeira vez desde o início, a 15 de setembro, havia sangue nos passeios da minha rua.
isto impede-nos a todos de olhar para o essencial e voltarmos ao básico.
isto recupera todas as gritantes necessidades básicas de qualquer ser humano.
recolho-me e olho para dentro para perceber o que fazer a seguir. abro a porta e deixo-os entrar comigo?
fazemos o quê?
pela primeira vez desde o início, a 15 de setembro, havia sangue nos passeios da minha rua.
isto impede-nos a todos de olhar para o essencial e voltarmos ao básico.
isto recupera todas as gritantes necessidades básicas de qualquer ser humano.
recolho-me e olho para dentro para perceber o que fazer a seguir. abro a porta e deixo-os entrar comigo?
fazemos o quê?
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
o pacheco pereira
acaba de dizer laissezfaire, laissezpasser (tudo junto e a reboque e sem respirar nem pausa para engolir a saliva).
juro que gostava de conseguir transcrever o sotaque com que o regurgitou, mas confesso que nem tentando muito com muita dedicação e toda a vontade de gozar com esta gente que bota discurso e compete pela taça do mais idiota de cabelo grisalho e barrigudo sem tacho político há demasiado tempo na tv portuguesa.
o gajo esqueceu-se do aller... tristeza pá. tristeza.
juro que gostava de conseguir transcrever o sotaque com que o regurgitou, mas confesso que nem tentando muito com muita dedicação e toda a vontade de gozar com esta gente que bota discurso e compete pela taça do mais idiota de cabelo grisalho e barrigudo sem tacho político há demasiado tempo na tv portuguesa.
o gajo esqueceu-se do aller... tristeza pá. tristeza.
«you can ask me whatever you want, because you are a journalist.»
ai. o embaixador dos estados unidos em
portugal reúne as hostes no hard rock café para contar os votos e...
charaaaannnn... não fala uma palavra de português. welcome to por tu
gal.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
a modos que os sistemas são iguais em todo o lado.
Que me perdoem os americanos, mas calamidade de verdade aconteceu há pouco na Assembleia da República.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
um espectáculo para os meus compatriotas. é obrigatório.
de rui pina coelho e gonçalo amorim.
na ZDB Negócio, Rua do Século.
porque a nossa revolução nunca irá passar na televisão.
(rui, lembro-me desta foto nas eleições para a ae... até já!)
sábado, 13 de outubro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
é a vergonha.
é a segunda noite que passo por eles no caminho de casa.
raso a escadaria e chego-me mais perto para ver. sentir ao menos o que lhes vai na pele e no corpo que há duas noites por ali ficam.
há um grupo de gente a que poucos dão ouvidos. mas eles ali estão. não chegam a duas dezenas.
perguntei se queriam um cobertor, ou água.
disseram que tinham «carros de apoio». os amigos, os pais, (o)as namorad(o)as.
são cidadãos com deficiência que protestam devido aos cortes nos apoios do Estado que já poucos ou nenhuns eram.
é a tristeza de ver como se tratam pessoas que realmente precisam neste país.
conversámos um pouco e agradeceram por ter passado por lá.
se ao menos todos fizessem o mesmo, a família não tinha de estar sempre por ali a cuidar do frio e da fome.
deixei-os ali em sossego, mas assegurei que voltava mais tarde. fosse preciso ou não, há coisas que não se perguntam.
por isso deixo-vos esta nota muito breve. levantem os rabos do sofázinho de subúrbio sonolento.
venham encontrá-los, sentir como eles e dar apoio com o que tiverem.
deixem-se de conversas bonitas e declarações acaloradas no virtual.
disso, ninguém se alimenta nem aquece.
e para finalizar, deixo-vos algo antigo, mas tão certeiro que até dói nos olhos.
«Este governo não cairá porque não é um edifício,
sairá com benzina porque é uma nódoa»...
Eça de Queiroz
há um grupo de gente a que poucos dão ouvidos. mas eles ali estão. não chegam a duas dezenas.
perguntei se queriam um cobertor, ou água.
disseram que tinham «carros de apoio». os amigos, os pais, (o)as namorad(o)as.
são cidadãos com deficiência que protestam devido aos cortes nos apoios do Estado que já poucos ou nenhuns eram.
é a tristeza de ver como se tratam pessoas que realmente precisam neste país.
conversámos um pouco e agradeceram por ter passado por lá.
se ao menos todos fizessem o mesmo, a família não tinha de estar sempre por ali a cuidar do frio e da fome.
deixei-os ali em sossego, mas assegurei que voltava mais tarde. fosse preciso ou não, há coisas que não se perguntam.
por isso deixo-vos esta nota muito breve. levantem os rabos do sofázinho de subúrbio sonolento.
venham encontrá-los, sentir como eles e dar apoio com o que tiverem.
deixem-se de conversas bonitas e declarações acaloradas no virtual.
disso, ninguém se alimenta nem aquece.
e para finalizar, deixo-vos algo antigo, mas tão certeiro que até dói nos olhos.
«Este governo não cairá porque não é um edifício,
sairá com benzina porque é uma nódoa»...
Eça de Queiroz
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o nosso portugalito,
revolução
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
dia 1.
(...)
Vai minha geração, ergue a cabeça e solta os teus filhos no esplendor do lixo e do descuido,
Deixa-te ir enquanto o sabor acre da desistência vai corroendo a doçura da sua infância.
Vai minha geração, reage, diz que não é nada assim,
Que é um lamentável engano, erro tipográfico, estatística imprecisa, puro preconceito,
Que o teu único defeito é ter demasiadas qualidades e tropeçar nelas.
Vai minha geração, explica bem alto a toda a gente
Que és por demais inteligente, para sujar as mãos neste velho processo, triste traste de Deus.
De fingir que o nosso destino é ser um bocadinho melhor do que antes.
Vai minha geração, nasceste cansada, mimada, doente, por tudo e por nada, com medo de ser inventada
O que é que te falta, agora que não te falta nada?
Poderá uma pobre canção contribuir para a tua regeneração ou só te resta morrer desintegrada?
Mas minha geração,
Valeu a trapaça, até teve graça, tanta conversa, tanta utopia tonta, tanto copo, e a comida estava óptima! O que vamos fazer?
jp simões, retrato
Vai minha geração, ergue a cabeça e solta os teus filhos no esplendor do lixo e do descuido,
Deixa-te ir enquanto o sabor acre da desistência vai corroendo a doçura da sua infância.
Vai minha geração, reage, diz que não é nada assim,
Que é um lamentável engano, erro tipográfico, estatística imprecisa, puro preconceito,
Que o teu único defeito é ter demasiadas qualidades e tropeçar nelas.
Vai minha geração, explica bem alto a toda a gente
Que és por demais inteligente, para sujar as mãos neste velho processo, triste traste de Deus.
De fingir que o nosso destino é ser um bocadinho melhor do que antes.
Vai minha geração, nasceste cansada, mimada, doente, por tudo e por nada, com medo de ser inventada
O que é que te falta, agora que não te falta nada?
Poderá uma pobre canção contribuir para a tua regeneração ou só te resta morrer desintegrada?
Mas minha geração,
Valeu a trapaça, até teve graça, tanta conversa, tanta utopia tonta, tanto copo, e a comida estava óptima! O que vamos fazer?
jp simões, retrato
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
todos temos o nosso. quando quisermos. nós somos a revolução. acordar um país demora. porra para isto.
O MEU 25 DE ABRIL
Estou na cama de manhã e aproveito para apontar na Agenda o tempo que passa. Tinha ficado na véspera em casa a rever provas. O puto fora para o liceu. Resolvo ir à rua beber uma cerveja e continuar a revisão. Ao pé do chafariz, o barbeiro atira com esta: “então, o Marcello e o Thomaz lá foram ao ar...” Não percebo logo. Nem acredito como. Mas ele confirma: a Emissora Nacional não funciona, só o Rádio Clube Português é que dá música e de vez em quando comunicados breves.
Já mais convencido, convido-o logo a festejar na tasca da Laurentina que era para onde eu ia. E depois, ainda duvidoso, vou com ele à barbearia a ver se oiço algum comunicado. Música ligeira, sem nada de marcial. Canções populares portuguesas, pouco mais. (Até a Amália, parece-me!). Mas passados minutos um comunicado do Comando das Forças Armadas. Aí, adquiro a certeza que é, deverá ser a repetição do golpe das Caldas, mas com outra amplitude. Refere que o público tem ocorrido às lojas, em tentativas de açambarcamento, e manda fechar o comércio. Aconselha a população a manter-se nas suas casas e as forças militares e militarizadas a recolherem aos quartéis e não oferecerem resistência à tropa. A coisa é grave. Parece que não há comboios e para lá de Sete Rios não se passa.
Tenho algum dinheiro e resolvo logo ir ver (foi o melhor que fiz: ver para crer). Desço acelerado e vou a casa do Fernando Paços, perguntar se ele sabe alguma coisa. Se sabe não diz. Mas confirma. Acompanho-o à farmácia de Queluz Ocidental e depois (ele aconselha-me que não vá a Lisboa, pois não conseguirei passar – mas eu conheço outro sítio para entrar, ou sair, da minha terra e caminho acelerado.
Muitos carros, em fuga discreta?) para cá. Em Queluz, já vejo lojas fechadas, outras a fechar à pressa e uma data de tontos a abastecerem-se para o ano todo... oiço que um tal comprou mais de cem pães. Rica açorda (ou negócio) deve ter feito com eles. Cafés fechados. Há comboios. Meto-me num para a Amadora, depois sigo a pé. No Bairro do Bosque (sempre o intenso movimento de carros a saírem), ainda consigo meter um copo. Não há jornais. Rostos, com as janelas fechadas, assomem entre cortinas. Tudo me dá a ideia de receio (mas em Queluz vi alguns magalas a planar, o que me deixou intrigado).
Venho a pé até às portas de Benfica e o ambiente é o mesmo: fila de carros a safarem-se, comércio encerrado, mulheres com sacos de plástico cheios, tensão. Meto-me num autocarro da Carris, de Benfica para o Chile e fico-me um tanto a rir do Paços, que em Lisboa e a andar para o centro já eu vou. No Chile, só uma taberna aberta: bebo mais um copo, estou nas lonas. Animação. Um tipo ao meu lado compra 8 maços de Português Suave, também está a açambarcar ou a fumar aquilo diariamente habilita-se a um cancro nos pulmões em beleza e rápido. Aparece gente com jornais (A Capital) e sei que estão a vender para os lados do Império. Vou logo lá, sento-me num degrau e sei as primeiras notícias. Tá bem! Resolvo ir a casa do Henrique, ver se ele estará.
Na Carlos Mardel, uma senhora num 1º andar pergunta-me onde vendem jornais. Digo e ofereço-lhe o meu. O marido, que vinha à rua, fica com ele e eu fico reduzido a 30$00. Começo com sede e angústias. Estou em jejum e já andei um bom bocado. Penso ainda ir ao Manaças (António) mas desde a última vez, desde a nossa última conversa, ele não me está a apetecer.
E depois, o importante deve estar a acontecer na Baixa. Enfio ao Montecarlo (fechadíssimo) mas consigo topar um tipo a bater à porta da Mourisca (também fechada) e entrar. É que há gente. Vou, bato, o Costa Loiro está a forrar vidros por dentro com papel, talvez com receio dalgum obus. Peço-lhe vintes e ele despacha-me. Meto à Rua Viriato e vou até ao quartel de Santa Marta (todas as tascas fechadas até ali). Dá-me vontade de rir ver os cabeças de nabo reunidos lá dentro, a falarem uns com os outros (é que obedeceram às ordens?). Mas logo ao lado há uma tasca restaurante, porta meio aberta, com gente e muito movimento (guardas a beber, outro a telefonar para casa e sossegar a mulher (?), diz que não há azar).
Bebo uma Sagres e como uma sandes. E avanço para a linha de fogo, que não sei onde é. Metros andados, ouvem-se ao longe tiros e rajadas de metralhadora. Tipos que fogem. Mas onde será o tiroteio? Como a coisa parou, continuo a andar. Até que encontro, já não sei onde, o Almeida Santos e um tipo que é revisor no Diário de Lisboa ou no Popular, já não sei. Metemo-nos num táxi que sobe pela Calçada do Carmo. Mas logo populares avisam (ah, entretanto, perto do Tivoli, já tinha comprado um Diário de Notícias, com mais informes) que a rua está bloqueada. O carro faz marcha-atrás e mete (por onde?) para o Bairro Alto. Bebemos não sei o quê numa tasca, o revisor vai à vida, o Almeida Santos pira-se e eu avanço para os lados do Carmo. Na Rua da Misericórdia, muita gente, tropa e um tanque de respeito. Da janela da Redacção da República, o Vítor Direito e o Afonso Praça (aquele grita-me: “estás muito bonito hoje!”, eu levava o sujíssimo albornoz que me deu o Artur), noutra varanda o Álvaro Belo Marques, a quem pergunto: “como é que se entra para aí?”, porque a porta da escada da República está fechada. “Vai pelas traseiras!”. Vou mas também está fechada e logo à esquina aparece um vendedor com a última da República. É um verdadeiro assalto. Aí fico a saber dos chefes (Costa Gomes e Spínola) e o alvoroço é enorme. Já não sei bem: se vim ao Rossio, se de repente notei uma grande correria para o Terreiro do Paço. Sem perceber nada do que se passa, sigo a onda. No Terreiro do Paço, começa a chover.
Há correrias e encontro uma rapariga que me conhece muito bem mas não topo logo. É a Maria João, a engenheira química, amiga do Henrique, com outro rapaz. Ficámos abrigados da chuva debaixo das arcadas, depois convenço-os a irem beber um copo ao Terreiro do Trigo (Campo das Cebolas?), não sei já se estava aberto se não. Ela tem o carro no Camões e para aí vamos. Mas o Chiado está cheio de gente, que quer assaltar a Pide. Já não sei se ouvi tiros. Vi ainda as (uma?) ambulâncias, depois quase à porta da Brasileira um rapaz ou homem com a mão cheia de sangue (seco?), que tinha agarrado num rapaz ou rapariga.
Começam a chegar fuzileiros, há mais correrias, a Maria João e o rapaz perderam-se de mim. Cheira-me que já chega. Agarro um táxi e arranco para casa da São. Pela TV vi depois o resto.
Foi bonito e foi rápido. Já posso morrer mais descansadinho.
Luiz Pacheco
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
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