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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

um espectáculo para os meus compatriotas. é obrigatório.

















de rui pina coelho e gonçalo amorim.
na ZDB Negócio, Rua do Século.

porque a nossa revolução nunca irá passar na televisão.

(rui, lembro-me desta foto nas eleições para a ae... até já!)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

do silêncio de novo.


uma noite de verão em 2011 levou-me por acaso ao Palácio Belmonte pela mão da fabulosa Maria de Morais e o seu Metaphorás' Project.
foi uma daquelas noites surreais, únicas, de onde nasceram imagens e sons que me mantêm pelas muralhas do castelo ainda hoje. e ontem revimos o Lisbon Story do Wim Wenders e lá estavam aquelas salas outra vez.
as paredes descascadas, mais os painéis de azulejos, aquela sala na penumbra onde o vinil rodava, o fogo no terraço. a vista sobre São Vicente de Fora. inesquecíveis.
eu não acredito muito nos acasos, mas hoje chegou-me este email.
ela regressa com o ciclo de conversas O Silêncio tem Sentido? vai ser na galeria Luis Serpa.

De amanhã até Novembro os dias contam-se. devagar.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

é ir*


e felicidade de te rever no palco.*

Um hino à imaturidade dos amantes a partir do drama trágico "Penthesilea" (1808) de Heinrich von Kleist. O autor, inspirando-se provavelmente na passagem de Penthesilea pelo poema épico "Posthomerica" de Quintus Smyrnaeus e na herança imagética de Séneca, nomeadamente nas descrições sangrentas, subverte o mito clássico de que a rainha das Amazonas morreria pela espada de Aquiles durante a guerra de Tróia.


Na peça do dramaturgo alemão, é Aquiles quem é brutalmente desmembrado pela rainha confusa por experimentar sentimentos novos e obcecada pela conquista que a sua tradição lhe exige. Em cena, soam as vozes de uma poderosa luta entre o belo e o terrível, a razão e a emoção, a sociedade e os afectos.

A filosofia mistura-se com a poesia que se mistura com a psicologia, num espectáculo que sublinha, sobretudo, a evidência de que os homens dificilmente conseguirão resolver a sua relação com a liberdade. Parafraseando Oscar Wilde, é caso para se dizer “Each man kills the thing he loves” (Todos os homens matam o que amam).

É urgente ler.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

lembrete 8867840

numa mesa com 15 actores, um encenador, um dramaturgo, um escritor, um cenógrafo, um câmara, uma designer, um irmão, um namorado, um acompanhante, dois motoristas e um cão que dorme no carro porque não o deixaram sentar-se à tal mesa mas nós fingimos que sim (e ainda faltou o raio do tradutor!), não beber café após as 2h da manhã.

terça-feira, 8 de maio de 2012

seguir nas asas do tempo



to-morrow, and to-morrow, and to-morrow,
creeps in this petty peace from day to day
to the last syllable of recorded time.

macbeth, william shakespeare

domingo, 8 de janeiro de 2012

jack kerouac's letter to marlon brando



«I'm praying that you'll buy ON THE ROAD and make a movie of it. Don't worry about the structure, I know to compress and re-arrange the plot a bit to give a perfectly acceptable movie-type structure: making it into one all-inclusive trip instead of the several voyages coast-to-coast in the book, one vast round trip from New York to Denver to Frisco to Mexico to New Orleans to New York again. I visualize the beautiful shots could be made with the camera on the front seat of the car showing the road (day and night) unwinding into the windshield, as Sal and Dean yak. I wanted you to play the part because Dean (as you know) is no dopey hotrodder but a real intelligent (in fact Jesuit) Irishman. You play Dean and I'll play Sal (Warner Bros. mentioned I play Sal) and I'll show you how Dean acts in real life.
What I wanta do is re-do the theater and the cinema in America, give it a spontaneous dash, remove pre-conceptions of "Situation" and let people rave on as they do in real life. That's what the play is: no plot in particular, no "meaning in particular, just the way people are.»

só por causa disso. vou-te escrever*

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

bate à porta


Despeço-me disto
Despeço-me da falta de dinheiro
Despeço-me dos sonhos adormecid...os
Despeço-me de nós
Despeço-me das memórias de tempos mais felizes
Despeço-me das ilusões de eternidade
Despeço-me da esperança
Despeço-me da fé em mim própria
Despeço-me de ter vontade
Despeço-me das birras
Despeço-me das brigas
Despeço-me da vida ao contrário

texto: rui pina coelho
foto: fania santos

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

da falácia



ou de como cheguei ao tca para ver chaplin e saí de lá com uma peça de teatro no bolso.

só no porto, disse-me um amigo ao contar que cheguei à bilheteira do teatro do campo alegre, e um senhor de barbas brancas, com alguma idade, me chamou de menina, sim a menina, já tem bilhete para hoje, e que eu, algo confusa por não saber se se dirigia a mim, disse que ia comprar, que a sessão daquela noite podia estar concorrida, referindo-me eu ao cinema, claro, ao maravilhoso ciclo de chaplin, nunca à peça da falácia que estava em cena ali na sala ao lado. ouvindo isto, ele nem hesitou e sacou de um bilhete convite que tinha a mais, sem mais nem menos dizendo que apenas poderia ser aborrecido para mim sentar-me ao lado dele, e não acreditando que me dava um bilhete para a peça, sem mais nem outra, calei-me, e depois de entender o que pretendia, enchi-me de argumentos que não podia aceitar e tal, mas ele não os quis sequer ouvir. deixou-me o bilhete na mão e na cara um sorriso de orelha a orelha.

pois não vi chaplin mas presenciei falácia de carl djerassi pela seiva trupe.
ponto. sim, sem argumentos. só no porto.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

já passaram quantos anos, perguntou ele



ontem foi mais um dia.
e não sei muito bem quando foi que percebemos que ambos escrevíamos para ninguém ver. o rui passava a vida a disfarçá-la com passes de teatro, gírias alentejanas e histórias de évora, do tejo e dos pais que nos recebiam como a matilha de filhos que o tempo pouco lhes dera. pois esta noite li-te e reli-te nas entrelinhas da nossa geração que se vai apagando. vê os sonhos perdidos e encontra no refugo de manhãs mal bebidas o sabor acre da despedida. mas hoje, por ti e pelo tempo que nos passou, também já sou eu que me despeço. hoje és mais tu que ficas e eu que me despeço. é o desnorte que simplifica o não ter de justificar nada. a ninguém. tu sabes. mas vi-te ali e tive a certeza de que tudo se materializara. o carro, os filhos, a casa, até a coluna nos jornais diários, a escrita tão nossa. o amor que se perde. a amiga de quem se gosta tanto que até se lhe confia o único e verdadeiro querer. a paixão. o agosto de intervalo. estamos todos ali. naquele palco. naquele urso feito esquilo. naquelas pessoas que se escondem para ser felizes. que olham para o lado ao ver que alguém chora. que se protegem da chuva. aquilo, somos todos nós. o children of men, o terminator, o reservoir dogs. sim. talvez devesse ir viver para amsterdão. pelo menos a anestesia seria outra e o pilar da ponte não estaria algures entre o tejo e o douro. sim, parece o fim do mundo, pelo menos daquele que construíamos entre pessanha e hélder, nos cafés do polícia ou nas tardes sem fazer nada de nada a desconstruir futuros.
estamos todos ali.

e perdemo-nos pelo caminho.



depois de nós.

quinta-feira, 9 de junho de 2011


foto: fabrice pinto

no sooner met, but they looked;

no sooner looked but they loved;
no sooner loved but they sighed;
no sooner sighed but they asked one another the reason;
no sooner knew the reason but they sought the remedy.

as you like it, william shakespeare

terça-feira, 7 de junho de 2011

o verão do nosso contentamento


«I’ll follow you and make a heaven out of hell,
and I’ll die by your hand which I love so well.»

Fourth. A Midsummer Night’s Dream

Act 12. Shakespeare.

terça-feira, 17 de maio de 2011

polinices



a calçada faz-me escorregar. calcei os chinelos. chego e a brisa está perfeita. e a minha boca só sabe o caminho da tua. um palhaço pergunta-me se me quero sentar. apetece-me dizer que te espero. mas sorrio e entro. sento-me. toda a gente tem alguma coisa na mão. um copo. um telefone. umas chaves. outra mão.

eu procuro a caneta e só quando envio esta carta, escrevo na última página do livro que carrego: sempre chegamos aonde nos esperam.

chegam todos. fecho o livro. espero-te.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

antígona, ou a mulher que enterra o irmão, o pai, a mãe(avó) e sabia fazer rir o mundo



a tragédia transformada em riso.

a noite trazida em lua prateada perdida no alto da muralha.
a verdade dentro de uma morna.

ocorre abrir a volta da tenda que nos deixou ali adormecer. e dançar

isto não é só fabuloso. é obrigatório.


sábado, 26 de março de 2011

a varanda de julieta


uma vez, entrei em verona para não entrar
em veneza. Entre o vê de verona e o vê
de veneza optei por ver verona. Gostei da
coincidência das consoantes na janela
de julieta; e sei que em veneza não ouviria
o vento da vingança, nem provaria o veneno
de uma volúpia que só em verona se
desvenece com a vida. Não há canais em
verona, como em veneza; nem há janelas
em veneza, como em verona; mas julieta
espreita a rua, da janela que é sua, e se
ninguém diz a senha que só ela sabe, agita
o lenço molhado pelas lágrimas que as
nuvens bebem, levando-as de verona até
veneza, onde a chuva as deita nos canais.



nuno júdice