terça-feira, 16 de agosto de 2011

a kate




casou-se.

«“You know, in life there’s perfume and there’s cologne,” he told her. “Cologne, you have to spray every fifteen minutes. Perfume, you put a drop and it lasts a week. You’re perfume.”»



«At 37, she looks ravishing; she attributes her honed form to Jivamukti yoga. “They call it moving meditation,” she says. “It’s loud, loud music, so it’s dynamic, not boring.”»


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

a eternidade de segundos



mãos que enlaçam e seguram e dizem e articulam palavras nos dedos em ultra-som.
tudo é desnecessário quando o essencial persiste e resiste e se dilata na íris que absorve horas azuis, momentos calados de vida interminável e sossegam.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

evaporou-se

dorothy.

nunca saberia que existem formas.
e janelas fechadas.
e que o corpo que se manifesta num dia acobarda-se no seguinte.

a perder tempo ganha-se no peito uma resistência angular como as esquinas da cidade.

é a vida. a dela. a de muitos. a de sempre.

su(Risos) #3

agora já não és tão intelectual.

já a minha avó dizia

na vida, ninguém morre virgem.

há sempre alguém que nos fode.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

o meu casaco cinzento tinha letras de nyc



vai tirar fotos ao nascer do sol sobre nova iorque
é tao bom
quando as ruas estao quase vazias

abrir a porta do carro




acreditar que quando se recomeça, a possibilidade existe em todo o lado. a receptividade, exequível, palpável.

cheira a nunca mais.
cheira a tudo presente.


think for yourself

ver braga por um canudo


«os homens não se conhecem uns aos outros com facilidade, ainda que ponham nisso o melhor da sua vontade e das suas intenções. porque há que contar sempre com a má vontade que tudo distorce.
conhecer-nos-íamos melhor uns aos outros se não estivéssemos sempre a querer comparar-nos uns com os outros. decorre daí que as pessoas fora do vulgar ficam em pior situação, porque, como as outras não chegam a poder comparar-se com elas, tornam-se alvo de demasiada atenção.»

Johann Wolfgang von Goethe, Máximas e Reflexões

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

the same and the other

«Look at your watch […] and note that it is, let us say, noon. Say it and you will have enunciated a truth. Now write this on a piece of paper: “It is now noon”. At this point Hegel remarks that a truth cannot cease to be because of being formulated in writing. And now look at your watch again and reread the sentence you have written. You will see that the truth has been transformed into error, for it is now five minutes past noon.

What can be said, except that real being can transform a human truth into error – at least so far as the real is temporal and Time has an identity.»

Alexandre Kojève

dia 352


ouço a conversation 16 e vem-me tudo à memória. tudo. em catadupa. as fugas. os jantares. a senhora de vermelho na cinemateca. as práticas. as calçadas. agosto. chagall. e não consigo evitar que os olhos me persigam como dantes. perceber que é cedo, que o tempo não passou. que fingimos seguir. que queremos ser outros. que estás aí e eu aqui. e não são as cidades. são as decisões. é um nunca mais. e tão belo é o momento do click final que basta segurar o botão do comando e desligar a retina por segundos. a facilidade com que se esquece, se apaga, merece o espanto com que lembramos. a felicidade amarrada a uma manga de camisa.


arrasto-me do tapete até ao sofá. estou estendida no chão. ponto final.

i was afraid i'd eat your brains.


i'm afraid of everyone



i don't have the drugs to sort it out

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

existe nas memórias algo de muito traiçoeiro.
elas surgem depois de termos vivido o sumo todo espremido da laranja.

vai-nos saciar a sede, encher de açucares e vitaminas, inventar palavras para a cor do líquido que nos passa pela garganta.

mas dessa sede, surge outra vontade. a da fome da laranja.

cardiopatia

«essas linhas e curvas é que são sagradas.
tudo o resto são meras tentativas de o tentar capturar por instantes.»

o ovo cósmico




(...)maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

Herberto Helder

terça-feira, 2 de agosto de 2011

sempre chegamos aonde nos esperam



«Tentai apreender a vossa consciência e sondai-a. Vereis que está vazia, só encontrareis nela o futuro. Nem sequer falo dos vossos projectos e expectativas: mas o próprio gesto que surpreendeis de passagem só tem sentido para vós se projectardes a sua realização final para fora dele, fora de vós, no ainda-não. Mesmo esta taça cujo fundo não se vê - que se poderia ver, que está no fim de um movimento que ainda não se fez -, esta folha branca cujo reverso está escondido (mas poderia virar-se a folha) e todos os objectos estáveis e sólidos que nos rodeiam ostentam as suas qualidades mais imediatas, mais densas, no futuro.
O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente? O acontecimento não nos assalta como um ladrão, visto que é, por natureza, um Tendo-sido-Futuro. E, para explicar o próprio passado, não será a primeira tarefa do historiador procurar o futuro?»

Jean-Paul Sartre, "Situações I"

domingo, 31 de julho de 2011



e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

al berto

NeoPop '11 @ Viana do Castelo








Junior Boys


GasLamp Killer

Modeselektor




sexta-feira, 29 de julho de 2011

descalços de areia


«No alto da duna o Búzio estava com a tarde. O sol pousava nas suas mãos, o sol pousava na sua cara e nos seus ombros. Ficou algum tempo calado, depois devagar começou a falar. Eu entendi que falava com o mar, pois o olhava de frente e estendia para ele as suas mãos abertas, com as palmas em concha viradas para cima. Era um longo discurso claro, irracional e nebuloso que parecia, com a luz, recortar e desenhar todas as coisas. Não posso repetir as suas palavras: não as decorei e isto passou-se há muitos anos. E também não entendi inteiramente o que ele dizia. E algumas palavras mesmo não as ouvi, porque o vento rápido lhas arrancava da boca. Mas lembro-me de que eram palavras moduladas como um canto, palavras quase visíveis que ocupavam os espaços do ar com a sua forma, a sua densidade e o seu peso. Palavras que chamavam pelas coisas, que eram o nome das coisas. Palavras brilhantes como as escamas de um peixe, palavras grandes e desertas como praias. E as suas palavras reuniam os restos dispersos da alegria da terra. Ele os invocava, os mostrava, os nomeava: vento, frescura das águas, oiro do sol, silêncio e brilho das estrelas.»

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Homero", in Contos Exemplares

quarta-feira, 27 de julho de 2011

aqui



«há o desejo, que não tem limite, e há o que se alcança, que o tem. a felicidade consiste em fazer coincidir os dois... e entre os dois, no conflito do dois, na não-aceitação de um e de outro, escrevemos histórias, realizamos filmes... criamos. sentimos.»

vergílio ferreira



far



and as I sat there listening to that sound of the night which bop has come to represent for all of us, I thought of my friends from one end of the country to the other and how they were really all in the same vast backyard doing something so frantic and rushing-about.

jack kerouac, on the road