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terça-feira, 13 de novembro de 2012

lembrete antes do mexefest. queriam o são jorge só para corridas 100 metros barreiras entre salas, não? :)

   antestreia exclusiva em Portugal de On The Road, adaptação há muito esperada do livro de Jack Kerouac (1922-1969), que conta no elenco com Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Sam Riley ou Kristen Stewart, é um dos destaques do Festival LER 25
Anos/25 Filmes. Seis dias (de 4 a 9 de dezembro) de cinema e literatura, de portas bem abertas no Cinema São Jorge, em coprodução com a EGEAC e a Câmara Municipal de Lisboa. Ao filme realizado por Walter Salles juntam-se uma seleção de Pedro Mexia (24 filmes, de Matar ou Não Matar, de Nicholas Ray, a Tess, de Roman Polanski, passando por Vidas em Fúria, de Stephen Frears, ou A Corte do Norte, de João Botelho), a entrevista de Carlos Vaz Marques a António Lobo Antunes (ao vivo), a conferência de Gonçalo M. Tavares, os concertos das bandas dos escritores Afonso Cruz (The Soaked Lamb) e Jacinto Lucas Pires (Os Quais), bem como o espetáculo de David Santos (Noiserv), autor de alguns dos temas musicais de José & Pilar – três concertos em parceria com o Festival Vodafone Mexefest;a emissão em direto de «Prova Oral», programa de rádio de Fernando Alvim, e mais debates, tertúlias, exposições, contadores de histórias e uma feira do livro.

na Revista Ler

hoje. tentar não tropeçar na linha do eléctrico e convidá-lo para o cafézinho after-hours na Praça das Flores.


Willem Dafoe lê poemas de Alfred Brendel às 19h no Museu de História Natural e da Ciência. O bilhete custa 2€. 

«Os poemas de Alfred Brendel são uma delícia. A sua voz é maravilhosamente excêntrica, gracejadora, maliciosa, irrequieta – os mesmos dedos brilhantes fazem um novo som.»
Harold Pinter, dramaturgo, prémio Nobel da Literatura


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

canela*














o.h.a.

mas quem está em condições de
afirmar com toda a segurança
que os ponteiros do relógio andam
para a frente? ninguém está
em condições de afirmar com toda a segurança
que os ponteiros do relógio andam
para a frente, porque, como v.exa. sabe,
os ponteiros do relógio andam à roda.


alberto pimenta

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

ter-te ali todos os dias.


Hoje de manhã saí muito cedo, 
Por ter acordado ainda mais cedo 
E não ter nada que quisesse fazer... 
Não sabia que caminho tomar 
Mas o vento soprava forte, varria para um lado, 
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas. 
Assim tem sido sempre a minha vida, e 
Assim quero que possa ser sempre 
-- Vou onde o vento me leva e não me 
Sinto pensar. 

Alberto Caeiro

terça-feira, 21 de agosto de 2012

you are my beat / i miss you

Vou atravessar
O rio
Coberto de holofotes,
Que transformam o verde claro
Numa fosforescência
De água assustada.

Se não me matarem
Nem me apanharem vivo,
Mantém-te alerta
Mantém alerta
O desejo mais antigo
e o mais novo.

Vou passar
Do lado de fora
Da parede
Perfurada
Pelas balas:

Passa-me um lenço
De seda
Com o teu perfume.

Marca-o com o segredo
Dos teus lábios.
                                                                                          in Marthiya de Abdel Hamid Segundo Alberto Pimenta, 2005

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

não há fumo sem fogo


















Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos 

mário cesariny, pena capital (de hoje)  

domingo, 3 de junho de 2012

de todas as madrugadas de todos os jardins em serralves.


Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete.
Sou alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.




Herberto Helder, Poemacto II

sexta-feira, 1 de junho de 2012

avizinhas-te



Por outro lado a sombra dita a luz não ilumina realmente os objectos 

os objectos vivem às escuras numa perpétua aurora surrealista com a qual não podemos contactar senão como amantes de olhos fechados e lâmpadas nos dedos e na boca 


 Mário Cesariny

quinta-feira, 17 de maio de 2012

calma é apenas um pouco tarde




A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —


Manuel António Pina, Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde

sexta-feira, 11 de maio de 2012

tempestade no mar da galileia.



eugène delacroix

sobre o colo,
tu és a imagem que os cacos lhe mostram
quando ela, pensativa, se inclina sobre a vida.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

sem jeito para o negócio.

hoje, dia de todos os demónios
irei ao cemitério onde repousa Sá-Carneiro
a gente às vezes esquece a dor dos outros
o trabalho dos outros o coval
dos outros
ora este foi dos tais a quem não deram passaporte
de forma que embarcou clandestino
não tinha política tinha física
mas nem assim o passaram
e quando a coisa estava a ir a mais
tzzt... uma porção de estricnina
deu-lhe a moleza e foi dormir
preferiu umas dores no lado esquerdo da alma
uns disparates com as pernas na hora apaziguadora
herói à sua maneira recusou-se
a beber o pátro mijo
deu a mão ao Antero, foi-se, e pronto,
desembarcou como tinha embarcado
Sem jeito para o negócio

Mário Cesariny

terça-feira, 8 de maio de 2012

seguir nas asas do tempo



to-morrow, and to-morrow, and to-morrow,
creeps in this petty peace from day to day
to the last syllable of recorded time.

macbeth, william shakespeare

segunda-feira, 7 de maio de 2012

senta-te a um canto e espera que passe



ando então com uns versos na cabeça: qualquer coisa sobre uma estrela que brilha na aurora, para a qual nada representa. dentro da música, movo-me assim - o poder de uns phones. dentro da música, com uns versos na cabeça, mais uma ou outra ideia que poderia ser escrita e não é. pensei: não é preciso escrevê-la. e depois pensei: brilhar na aurora e, ainda assim, ser invisível. apesar de. brilhar para dentro, mesmo que.

o outro deixará enfim de ser necessário.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

prometo-te que um dia voltarei sem bússola


neil gaiman/amanda palmer

regressarei com o lume do rio a guiar-me, e que os olhos pousarão nos teus olhos este frémito de água. Acredito nas ruas que existem por detrás dos óculos dos marinheiros, onde descansa um barco e tu foges, não acredito em ti. Um fio de água enforca-nos. Foi então que resolveste prosseguir viagem sozinho, com a tua adolescência um pouco ferida. Eu acreditei no fogo e no silêncio que, de manhã lavam os corpos, tornando-os de novo navegáveis. Esperei, ainda te espero. Ando por aí a mariscar com os nativos, escondendo do mundo a tristeza que me devora o corpo.

al berto, o medo

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Till the gossamer thread you fling... - for you



A NOISELESS, patient spider,
I mark’d, where, on a little promontory, it stood, isolated;
Mark’d how, to explore the vacant, vast surrounding,
It launch’d forth filament, filament, filament, out of itself;
Ever unreeling them—ever tirelessly speeding them.
And you, O my Soul, where you stand,
Surrounded, surrounded, in measureless oceans of space,
Ceaselessly musing, venturing, throwing,—seeking the spheres, to connect them;
Till the bridge you will need, be form’d—till the ductile anchor hold;
Till the gossamer thread you fling, catch somewhere, O my Soul.

-Walt Whitman

terça-feira, 24 de abril de 2012

os meus pensamentos são todos sensações.

foto: assíria mikosz (nunca sei se no teu nome o s vem antes do z)

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos - Poema IX

sexta-feira, 20 de abril de 2012

terra molhada.

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
 




domingo, 15 de abril de 2012

que a luz martela de leve.



E digo: elas cantam a minha vida. Essas mulheres estranguladas por uma beleza incomparável. Cantam a alegria de tudo, minha alegria por dentro da grande dor masculina. Essas mulheres tornam feliz e extensa a morte da terra.
Elas cantam a eternidade.

Cantam o sangue de uma terra exaltada.

herberto helder, a faca não corta o fogo