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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

00h30














Quando leres isto, eu que era visível, serei invisível,
Agora és tu, concreto, visível, aquele que me lê, aquele que me procura,
Imagino como serias feliz se eu estivesse a teu lado e fosse teu companheiro,
Sê tão feliz como se eu estivesse contigo. (Não penses que não estou agora junto a ti.)


- Walt Whitman

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

redução de ruído.

On Silence [ by Aldous Huxley ]

 

The twentieth century is, among other things, the Age of Noise. Physical noise, mental noise and noise of desire -- we hold history's record for all of them. And no wonder; for all the resources of our almost miraculous technology have been thrown into the current assault against silence. That most popular and influential of all recent inventions, the radio is nothing but a conduit through which pre-fabricated din can flow into our homes. And this din goes far deeper, of course, than the eardrums. It penetrates the mind, filling it with a babel of distractions, blasts of corybantic or sentimental music, continually repeated doses of drama that bring no catharsis, but usually create a craving for daily or even hourly emotional enemas. And where, as in most
countries, the broadcasting stations support themselves by selling time to advertisers, the noise is carried from the ear, through the realms of phantasy, knowledge and feeling to the ego's core of wish and desire. Spoken or printed, broadcast over the ether or on wood-pulp, all advertising copy has but one purpose -- to prevent the will from ever achieving silence. Desirelessness is the condition of deliverance and illumination. The condition of an expanding and technologically progressive system of mass production is universal craving. Advertising is the organized effort to extend and intensify the workings of that force, which (as all the saints and teachers of all the higher religions have always taught) is the principal cause of suffering and wrong-doing and the greatest obstacle between the human soul and its Divine Ground. 

— from Silence, Liberty, and Peace (1946)

sábado, 13 de outubro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

-4



Come closer to me, come closer. I promise you it will be beautiful.

You keep your promise.

Listen, I do not believe that I alone feel that we are living something new because it is new to me. I do not see in your writing any of the feelings you have shown me or any of the phrases you have used. When I read your writing, I wondered, What episode are we going to repeat?
You carry your vision, and I mine, and they have mingled. If at moments I see the world as you see it, you will sometimes see it as I do.


Anais Nin to Henry Miller 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

feito de ti.














Um coração de rosas como só em certas casas.
Adormece. (...) Adormeceu. Não o acordes.
Entrou pelo quarto, ele dorme, o coração feito de rosas vermelhas artificiais. Pega nele. 

Está na mesinha-de-cabeceira. 
O coração.

- Gonçalo M. Tavares, Água, Cão, Cavalo, Cabeça

quinta-feira, 5 de julho de 2012

algures perto dos pulmões.


- onde é que vais pôr uma caixa desse tamanho numa casa já de si tão pequena, onde não quero acumular tralha, já me basta o que ainda nem trouxe, que nunca vou trazer e desencaixotar e....


- já olhaste bem para o tamanho dessa caixa toráxica? onde conseguiste arrumar um coração desse tamanho aí dentro? a merda é a mesma. arrumando.



para um homem do norte, merda é vernáculo e o coração vírgula.


sábado, 7 de janeiro de 2012

salgueiros - 1 / mouraria - 0



e quando por volta das 7 da manhã finalmente dormimos e os galos se ouvem nas traseiras.
onde andam o raio dos galos que nem da varanda os vemos mas ouvem-se quando fechamos os olhos.
é a primeira luz do dia.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

sentar



são trezentos e vinte quilómetros por semana.
oitenta por dia.
são traços perdidos, horas ganhas, pessoas reencontradas e o cansaço ao final do dia.
mas chegar a casa e as tuas mãos. sempre assim perto. não há cansaço que resista.

domingo, 11 de dezembro de 2011

domingo


A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte.
O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons de duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade.

Hermann Hesse, O Jogo das Contas de Vidro