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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

arrepiar o coração.


peregrinos de si mesmos, voltam inevitavelmente ao mesmo lugar.

Fotografia: Fernando Dinis MusicPhotography para a TransVerso

criar condições para um encostar perfeito no sofá.

 

Ser cidade complica a vida de qualquer menina com ares de importância. Cumplicidades que nos medem riscos e vielas, becos e encruzilhadas. Nunca nos deixam em paz, por mais noite que seja. Abandonam-nos aos automóveis, às torres e às urbanizações. Abrem-nos o cérebro com imitações de casas de bonecas que sabemos estarem prenhes de boas intenções acriançadas. Haviam de nos ensinar à nascença a praticar a claridade por vias sinuosas. Um qualquer lugar em que se ensinasse a acolher tantas almas perdidas e encontradas. Dentro dele apenas impetuosidade e omnipresença de corpo e espírito. No dia em que me cobrirem o corpo com o manto verde que tanto desejo, abrirei os braços ao mundo. Aportarei navios cheios de raças e bocas sedentas de sardinhas e vinho. Á vista desarmada, prossigo na espera. Como sempre Ulisses, desde que me sentiu aqui aninhada junto ao mar. Olissipo. Cidade da perdição sentida. Abrigo tantos e não há quem me adormeça a pele. Sigo cantada por recantos escuros e falada pelas esquinas de cheiro acre. Esqueceram-se de me fechar ao sair. Sigo escancarada na luz que me ressalta dos olhos ao acordar.

domingo, 18 de novembro de 2012

jardim das amoreiras.

é uma tentação atribuir aos outros o poder de tirarem o melhor ou o pior de nós, como se fossemos um instrumento musical nas mãos de um músico, que tanto pode revelar o talento para extrair a nossa mais harmoniosa melodia, como apenas obter notas desafinadas e ruidosas. 

os outros justificam o facto de sermos simultaneamente um Stradivarius e um violino de plástico. 

foto: o.a.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

sindicato p'rá polícia!!





durante os primeiros dias tentei andar sem a máquina fotográfica.
com tantas subidas e descidas a pé, portátil de um lado, máquina e mala do outro, chegava ao chiado toda descadeirada e a pensar que os dois minutos de percurso de carro teriam de ser inevitáveis. 
comecei a caminhar mais leve. calçado confortável, mala de perfeito ajuste às costas, música que acompanhasse as passadas, o fresco da cidade a equilibrar o calor da caminhada. 
dias perfeitos.

acontece que nesta cidade a cada esquina existem momentos como este.
e se hoje não tivesse sido mais teimosa que a lombalgia, a máquina teria ficado em casa.
bendita a horinha em que a pendurei ao ombro.
bendita a horinha em que pelas ruas do bairro e travessas estreitas os olhos se ficam por lá.
não existe um segundo que se perca por aqui.
não existem pessoas, bichos, montras ou calçadas que nos sejam indiferentes.
são muitos anos. muitas entranhas remexidas. conheço-a como a palma da minha mão.
todos os dias. diferente.


domingo, 23 de setembro de 2012

quando penso numa fotografia


não entendo o porquê de coisas sempre tão iguais, que copiam tantas coisas que tantos outros já fizeram, que tantos já mastigaram e cuspiram, baralharam e voltaram a dar vezes sem conta.
quando olho para ti e sem edições de imagens, sem cores, sem sombras, sem quilos de distracções e sem poses mais que ensaiadas és tu. sempre tu. sempre sem mais nada.

a fotografia é o momento que já foi. mas que continua aqui. 
é impossível reencená-lo.
és tu.*

terça-feira, 18 de setembro de 2012

morder o teu sorriso.

e água branca a tinir pelos teus poros. água cinzenta que deixa a marca dos dedos ao passares a mão pelo cabelo. água nossa, incolor, apenas água do nosso banho. água que demora a cair água do mar da foz naquela noite que atravessámos o paredão de olhos vendados. 
 






quarta-feira, 29 de agosto de 2012

calçada redonda.

há qualquer coisa nos coretos e nos bancos onde pessoas que esperam deixam o sol desviar-se dos olhos, nos minutos que ganham por ali.

os nós das árvores, a mistura de sons de longe e de perto, conversas cruzadas, calçada escorregadia para cima, rua abaixo. os tremoços. o mazagran.

é a esquina da mercearia ou o bar das horas esquecidas. 
a vossa proximidade. o cheiro a casa. o cheiro a tudo.
ligas-me e ouço crianças a jogar à bola.
pergunto-me se os dias serão preenchidos assim, livros pelos chão, o jornal aberto sobre a mesa.
o coração nas mãos. os olhos na estrada a que te começas a habituar.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

trocarem-nos as voltas.

primeiro que tudo: é bombeiro, não é faroleiro.

* maui










depois, dizem que as mulheres sozinhas são mais produtivas.

*lena

esta gente não sabe nada da vida.

não sabem que desde que te encostaste às fitinhas que dividem a sala do quarto, as noites que passo a escrever sobre as linhas das tuas costas são apenas reservadas a quem sabe estar sozinho, acompanhado.

quando uma mulher se distrai com o que é importante na bida.














e ainda me perguntam porque é que ainda não fiz o mal-fadado post sobre os ornatos em coura.
é que na verdade. é isto amigos. é isto que se passa ultimamente.

(e a lia que me perdoe, mas se vou falar dos violetas, ai os dead combo sim, foram a verdadeira descida ao doce dos infernos de quente e bom****)

olha. e não é que já quase estava a fazer o raio do post?

a minha mãe avisou-me tantas vezes.

não sejas tralheira, filha.
não sejas tralheira.

mas depois vem a maui e traz o bombeiro.
vêm vocês todos e trazem caixas, envelopes, bagagens, paredes e chão e telhados de coisas a levar outra vez. e penso nela.
a toda a hora.

filha, não sejas tralheira.!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

claro que ontem já era de dia e as vagas não estavam tão altas.
















não era de noite, via onde punha os pés
mas ainda havia poças de água salgada do dia anterior e aposto que o riso se ouvia por entre muros e rochas.

preferi mil vezes a noite.
voltava lá outra vez de olhos fechados. 
subia o muro com as tuas mãos de novo mas agora, já consigo passar atrás do farol a correr.
quero lá saber das ondas sobre o muro e a penumbra por onde andamos.
quero lá saber se o faroleiro nos vai abrir a porta.
as mãos pelo cabelo colam da maresia e até hoje não percebo ainda como me conseguiste levar até ali de mansinho, sem eu dar por nada nem protestar.
contingências da vida. é que aquela luz está habituada à persistência do mar.
é o rasto de quem sabe e quer ficar.

a chéu foi à vila.

por lá toma-se banho quente, diz ela :)
comprou galochas dois números acima porque naquele pezinho, em coura não há quem caiba.
chegou-me de cabelo a escorrer ainda.
brilhos nos olhos, galochas em pontas. nunca visto.
diz que são oito. cinco tendas. à vez, chamam-se para jantar. deixam o palco e rumam ao campismo para a refeição como as famílias ao domingo.
por ali dançámos kitty coiso até não poder mais.
some beautiful shit rises again!!
nós, às 6 e picos já estávamos surdos pela voz soulista do palco secundário, que de pequeno não tem nada. é de gente grande, enorme hoje.
acotovelámos o ruivo dos koc para ver midlake e por ali dançámos mais, até a fome nos levar vale acima.
e de tanto furarmos, lá te consegui mostrar watson. o grande mistério caía diante dos nossos olhos mais uma vez: como conseguir no meio de milhares ouvir apenas uma alminha que canta.
algures à espera de dEUS, um grupo enorme e esganiçado ao nosso lado faz contagem decrescente e berra ao chegar a zero - «feliz ano novo!!»
canta aquela!!!
a lia lá anda, a escrever de um palco para o outro.

irra, que se pudéssemos fazer reset ao ano, aos meses, aos dias, à vida, que fosse por ali entre montes e vales e vacas e rios de águas cheias de gente que ri à gargalhada e toca guitarra para quem passa ouvir.
ouve-se poesia porno e desconexa na relva. há um barbeiro a cortar cabelos e a deixá-los voar até ao tabuão. é o woodstock de muita gente. é o glastonbury dos que trazem o kit impermeável.

amar coura todos os anos é amar o que somos de simples.
somos pele, carne, osso, respiramos e a chuva.... essa sempre passa.
mas regressa. como nós *

terça-feira, 14 de agosto de 2012

galochas @ paredes de coura \o/

o desafio de contornar poças equivale cada vez mais à vontade de nos atirarmos ao taboão de olhos fechados e mãos atrás das costas até os pulmões precisarem de vir à tona outra vez.

:)))

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

magnolia.



três vezes. sai-te da boca três vezes seguidas.
à terceira, começo a acreditar.
na magnolia também.
nunca vi uma cidade que as tivesse tantas. estendo a mão e lá estão elas. brancas. enormes*****

sem nada.

há muito tempo já que não nos acontecia um fim-de-semana inteiro a olhar para o mar.
só ali no não fazer nada, rodeados de gente que nos fala e nos olha com o verdadeiro sentido de olhar.
sem computadores, sem folhas excel, sem telefones, sem jornais, sem paredes ou janelas.

e só ontem à noite ao sentar no sofá, deixados os amigos no comboio para lisboa e nós aqui, sentimos verdadeiramente o nosso lugar. 
assim diante do mar. :)) 
hoje, repetimos? ;) amanhã? ficamos lá?

a minha sorte digo-te eu qual foi.
















tínhamos o prato no colo e acredita que se o segundo arrepio vinha com a intensidade do primeiro, era o bom e o bonito para não desatar a chorar ali mesmo à tua frente, comida espalhada, as tuas gargalhadas e o espinafre que te soube tão bem, sem gracinha nenhuma a decorar o tapete da sala!

dasse!!

e quando ulisses por fim chegou

atena adiou o nascer do sol, até penélope deslizar os dedos pelas suas costas, 
prolongando a noite do seu reencontro
até uma qualquer eternidade.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

assim como assim.


ultimamente não há nada em que não me meta que não ganhe.
não, não é nada disso. dinheiro que é bom não se ganha. toda a gente sabe que quem o tem mesmo a sério, aos montes, andou a roubá-lo.
falo daquelas coisas mesmo coisas. mesmo muita boas. irrepetíveis. únicas e que o dinheiro até pode comprar, mas não seria a mesma coisa. ah.
senão, vejamos.
tipo bilhetes para festivais compram-se, mas oferecidos têm o gosto de ver um amigo de quem gostamos mesmo muito amar-nos só pelo facto de dar e ainda por cima nos permitir retribuir da mesma moeda.
tipo, canitos que vão espevitando à forma de sopas, arrozes e abraços que quase lhe tiram o ar.
o dinheiro até os pode enfiar em clínicas xpto, mas o corpo de quem os agarra, as mãos de quem os mima, já não se vendem.
tipo, paixões assolapadas, há que lhes meta dinheiro por cima, tipo capa dourada a reflectir o que não se consegue lá chegar com amor e entrega verdadeiras, mas essas, oferecidas, aos trambolhões pelo colo acima são as melhores cabeçadas que a vida dá.

e pronto. hoje foi mais uma que ganhei. bilhete, sim. canita, sim. mais acordadinha. paixão, também. com direito a entrega de lanche e olhos seguros e beijos no pescoço que o sol escaldava se me distraía ao agarrar no copo de sumo de laranja, para o deixar à sombra.
e a meta de uma vida à distância de dois telefonemas. assim. pronto. já está.

e é por isso mesmo que está na hora de fazer o euromilhões. de hoje não passa.
tipo, o dinheiro não se ganha, mas este como vem da santa casa, é como tirar de todos nós e dar aos pobres. certo? ;)

agarrar-te a alma















como um arrepio que não acaba na linha das tuas costas.