terça-feira, 12 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
conseguiu deixar-me fascinado.»
enrique vila-matas, bartleby e companhia
sábado, 9 de julho de 2011
loathing
blitzkrieg
sexta-feira, 8 de julho de 2011
a harmonia das esferas
Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.
Miguel Esteves Cardoso, último volume
das expressões que mais ouvi desde que estou aqui foi «és corajosa».
o que não consigo nunca explicar é que o que se faz das tripas coração no dia a dia, há-de um dia tomar o rumo certo, igual ao de quem segue uma estrada de sentido único. não há volta a dar.
ter a coragem de fazer o que parecia mais remoto. mais difícil. mais trabalhoso.
é por aí. é por aí mesmo. mesmo porque nunca ouvi ninguém falar de caminhos sem regresso.
e se os há, um dia que nos venham parar à frente. a ver se decidimos tomá-los ou ficar.
o que não consigo nunca explicar é que o que se faz das tripas coração no dia a dia, há-de um dia tomar o rumo certo, igual ao de quem segue uma estrada de sentido único. não há volta a dar.
ter a coragem de fazer o que parecia mais remoto. mais difícil. mais trabalhoso.
é por aí. é por aí mesmo. mesmo porque nunca ouvi ninguém falar de caminhos sem regresso.
e se os há, um dia que nos venham parar à frente. a ver se decidimos tomá-los ou ficar.
para atravessar contigo o deserto do mundo
para enfrentarmos juntos o terror da morte
para ver a verdade para perder o medo
ao lado dos teus passos caminhei
por ti deixei meu reino meu segredo
minha rápida noite meu silêncio
minha pérola redonda e seu oriente
meu espelho minha vida minha imagem
e abandonei os jardins do paraíso
cá fora à luz sem véu do dia duro
sem os espelhos vi que estava nua
e ao descampado se chamava tempo
por isso com teus gestos me vestiste
e aprendi a viver em pleno vento
sophia de mello breyner andersen
eterno enquanto dure.
porque nada persiste. porque a natureza não permite imobilidade. empurra-nos para a frente. porque a vida é um contínuo movimento de mudança.
e tudo tem o seu fim. um dia. ele vem. para todos.
biblos
quinta-feira, 7 de julho de 2011
cinco!!
e a cada dia que passa e se anulam os quilómetros, as ausências, as noites e os dias depois delas rumam ao aconchego que se dá incondicionalmente.
em dias demasiado perto os olhares afastam-se e não chegam onde as pestanas tocam.
com um fio de prumo a conduzir a viagem, persistimos juntos, hoje. amanhã. até ver. saudade dos vossos caracóis dourados. macios. no meu ombro.
em dias demasiado perto os olhares afastam-se e não chegam onde as pestanas tocam.
com um fio de prumo a conduzir a viagem, persistimos juntos, hoje. amanhã. até ver. saudade dos vossos caracóis dourados. macios. no meu ombro.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
os dias.
Oh, blackout, now this glow has come
What are you trying to tell me i don't know
Oh, blackout i won't tell where you're from cause you're in the dark
I could be anyone
What are you trying to tell me i don't know
Oh, blackout i won't tell where you're from cause you're in the dark
I could be anyone
menos quatro, vezes dois
foto: fabrice pinto
fui todas aquelas máscaras, e a que trago hoje é um imenso e paciente
trabalho de composição, nela estão fragmentos de todas as outras
al berto
su(Risos) #1
vira-te lá do avesso a ver se mexe
como é que eu descalço esta bota se não trouxe a descalçadeira?
se me perguntares a mim, es...... o gajo, pá!!!
como é que eu descalço esta bota se não trouxe a descalçadeira?
se me perguntares a mim, es...... o gajo, pá!!!
terça-feira, 5 de julho de 2011
guardando e antevendo se rouba ao adivinho
se a lei não tivesse feito calar as mulheres para todo o sempre, talvez elas, porque inventaram aquele primeiro pecado de que todos os mais nasceram, soubessem dizer-nos o que nos falta saber, (...) que partes divina e demoníaca as compõem, que espécie de humanidade transportam dentro de si, (...) não falava do teu filho, falava das mulheres e de como geram os seres que somos, se não será por vontade delas, se é que o sabem, que cada um de nós é este pouco e este muito, esta bondade e esta maldade, esta paz e esta guerra, revolta e mansidão.
josé saramago, o evangelho segundo jesus cristo
segunda-feira, 4 de julho de 2011
40 anos
continua-se imortal.
I'm Me!
Can you dig it.
My meat is real.
My hands--how they move
balanced like lithe demons
My hair--so twined and writhing
The skin of my face--pinch the cheeks
My flaming sword tongue
spraying verbal fire-flys
I'm real.
I'm human
But I'm not an ordinary man
No No No
sexta-feira, 1 de julho de 2011
a deus
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o facto com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
Como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça.
cesariny
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o facto com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
Como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça.
cesariny
mira gaia
Num conto da mitologia Indostânica, um Ogre explica onde se encontra a sua alma: “A vinte e cinco léguas daqui há uma árvore. Rondam essa árvore tigres e ursos, escorpiões e serpentes. Na copa da árvore está enroscada uma serpente enorme; sobre a sua cabeça está uma jaula e na jaula um pássaro; a minha alma está dentro do pássaro."
porque deitava o olhar sobre as coisas.
à noite
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