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domingo, 7 de outubro de 2012

O Tempo Dum Corisco

Dos turcos desce a palavra
e aqui entreluz, naufraga.

A palavra a ninguém salva.

Melhor metê-la, sem esperança,
sem recado, na garrafa.

Sempre é da minha lavra.


- Alexandre O'Neill, Poesias Completas
Fotografia: Fernando Dinis Music/Photography

TransVerso

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

vai e vem.



Instrutivas são as existências em que a felicidade se vai e depois regressa; o homem entra constantemente em contacto com o universo. Estas reviravoltas não são raras na vida do jogador, mas podem ser igualmente observadas nos príncipes e nos soldados. Ainda assim, tais curvas num mundo, em que frequentemente apenas um passo em falso chega para causar ruína, permite imaginar a existência de uma inteligência fortemente marcada e rítmica. Do mesmo modo, sente-se nas pontas dos dedos, e, com efeito, tem-se consciência de que mãos finas e bem contornadas são frequentemente um indício de uma natureza feliz. Existe uma ciência do momento favorável; quem quiser ter uma ideia, deve utilizar o compêndio de Casanova.

- Ernst Jünger, O Coração Aventuroso


TransVerso

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

quando um mestre traduz outro mestre e, apesar dos anos, isso não me sai da cabeça.


«É uma sensação estranha; deixei para amanhã as duas últimas páginas e meia, a assobiar para o lado. Depois passo os olhos por ela, mando-a só para receber e, como combinado, vou deixá-la em pousio para a ler sem me sentir tesicado pelo fantasma “Despacha-te, pá!” Resquícios que me ficaram da síndroma do “fecho de páginas”. Um gajo bem tenta, bem se esforça, mas não é de chumbo, a coisa fica em lume brando e salta quando menos se espera; a imprensa. Meu Deus, há quanto tempo ela não “fornece um novo dia” (Herberto Helder).
Mas devo confessar que, além da mencionada lágrima no olho, e não o escrevo “em forma de coração” (Salinger), chegada a hora de devolver o livro todo massacrado pelas molas que o mantêm aberto e anotado, sinto-me borradinho de medo. Uma coisa é lê-lo e conversarmos, outra, bem diferente, é o sentimento de frustração quando se acaba de traduzir um livro. Por mim falo, sinto-me roubado, privado de uma companhia; como se o computador tivesse dado o berro e oferecido um ficheiro ao vazio. Longe vá o agoiro; não me dava jeito nenhum, ver a minha biblioteca de babel a arder.»

Jorge Fallorca,
sobre o terminar da tradução de Diário Volúvel, de Enrique Vila-Matas

quarta-feira, 20 de junho de 2012

nasceu *


Ler. Pensar. Escrever. Trazer para as páginas em branco o que queremos deixar ao mundo. 
E partilharmos linhas que cosemos cá dentro.

TransVerso - Escrita criativa, revisões de monografias, traduções de inglês para português. Damos história à sua criatividade.

A mera formalização de um trabalho contínuo de mais de uma década.

apareçam. visitem. contratem. ou apenas divulguem. *

quinta-feira, 8 de março de 2012

vocês aí em baixo não sabem

mas aqui, mesmo sem querermos, temos em casa o porto canal...
calhou-me no zapp uma coisa de stand up que se chama bolhão rouge...

«eu taba ao tefone a ber tubisão e passou o tuférico à minha beira.

e bocê num deu? - num dei mas quaise.»

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

e sei o porquê desta ansiedade ao virar a página ainda que ninguém seja passível de se esconder entre as folhas de um livro.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

biblos



cheira a livros. cheira a escola. cheira a horas cheias de linhas e mofo e páginas abertas e cadeiras que rangem. luzes. ouve-se música em surdina. e tudo se abre.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011