quarta-feira, 19 de setembro de 2012

summer sunday and a year.

She lives on Love Street
Lingers long on Love Street
She has a house and garden
I would like to see what happens 


the doors

levantai hoje de novo.


the left cannot just fight the right, it always has to fight other leftists as well, which is why, I fear, we will never achieve — or you, because I’m too old now — ever achieve a decent revolution.
[...]

Revolutionaries inevitably become guilty of the same crimes as those they overthrow, and that’s more depressing than de Gaulle.
[...]

It threw me into the soup, the soup of mankind, alienated, exploited, insecure, terrified — in one word, in nausea. But now it wasn’t Roquentin’s [the hero of his novel Nausea], it was mine, all of us, and made me realize that my struggle is yours and vice versa, that there is no escape for any of us, except that we find our fulfillment, so to speak, fighting together. Without ever thinking that this is a meaning, only an act. Meaning has to be created by each of us.




Jean-Paul Sartre
John Gerassi
Talking with Sartre
Conversations and Debates




texto roubadinho do vortex.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

morder o teu sorriso.

e água branca a tinir pelos teus poros. água cinzenta que deixa a marca dos dedos ao passares a mão pelo cabelo. água nossa, incolor, apenas água do nosso banho. água que demora a cair água do mar da foz naquela noite que atravessámos o paredão de olhos vendados. 
 






chegámos.

e desligámos a palavra partir.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

adoro vernáculo no momento oportuno.

Vão-se Foder!

Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso. Aos 32 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se foder!
Trabalho há 11 anos. Sempre por conta de outrém. Comecei numa micro empresa portuguesa e mudei-me para um gigante multinacional.
Acreditei, desde sempre, que fruto do meu trabalho, esforço, dedicação e também, quando necessário, resistência à frustração alcançaria os meus objectivos. E, pasme-se, foi verdade. Aos 32 anos trabalho na minha área de formação, feliz com o que faço e com um ordenado superior à média do que será o das pessoas da minha idade.
Por isso explico já, o que vou escrever tem pouco (mas tem alguma coisa) a ver comigo. Vivo bem, não sou rica. Os meus subsídios de férias e Natal servem exactamente para isso: para ir de férias e para comprar prendas de Natal. Janto fora, passo fins-de-semana com amigos, dou-me a pequenos luxos aqui e ali. Mas faço as minhas contas, controlo o meu orçamento, não faço tudo o que quero e sempre fui educada a poupar.
Vivo, com a satisfação de poder aproveitar o lado bom da vida fruto do meu trabalho e de um ordenado que batalhei para ter.
Sou uma pessoa de muitas convicções, às vezes até caio nalgumas antagónicas que nem eu sei resolver muito bem. Convivo com simpatia por IDEIAS que vão da esquerda à direita. Posso “bater palmas” ao do CDS, como posso estar no dia seguinte a fazer uma vénia a comunistas num tema diferente, mas como sou pouco dado a extremismos sempre fui votando ao centro. Mas de IDEIAS senhores, estamos todos fartos. O que nós queríamos mesmo era ACÇÕES, e sobre as acções que tenho visto só tenho uma coisa a dizer: vão-se foder. Todos. De uma ponta à outra.
Desde que este pequeno, mas maravilhoso país se descobriu de corda na garganta com dívidas para a vida nunca me insurgi. Ouvi, informei-me aqui e ali. Percebi. Nunca fui a uma manifestação. Levaram-me metade do subsídio de Natal e eu não me queixei. Perante amigos e família mais indignados fiz o papel de corno conformado: “tem que ser”, “todos temos que ajudar”, “vamos levar este país para a frente”. Cheguei a considerar que certas greves eram uma verdadeira afronta a um país que precisava era de suor e esforço. Sim, eu era assim antes de 6ª feira. Agora, hoje, só tenho uma coisa para vos dizer: Vão-se foder.
Matam-nos a esperança.
Onde é que estão os cortes na despesa? Porque é que o 1º Ministro nunca perdeu 30 minutos da sua vida, antes de um jogo de futebol, para nos vir explicar como é que anda a cortar nas gorduras do estado? O que é que vai fazer sobre funcionários de certas empresas que recebem subsídios diários por aparecerem no trabalho (vulgo subsídios de assiduidade)?… É permitido rir neste parte. Em quanto é que andou a cortar nos subsídios para fundações de carácter mais do que duvidoso, especialmente com a crise que atravessa o país? Quando é que páram de mamar grandes empresas à conta de PPP’s que até ao mais distraído do cidadão não passam despercebidas? Quando é que acaba com regalias insultosas para uma cambada de deputados, eleitos pelo povo crédulo, que vão sentar os seus reais rabos (quando lá aparecem) para vomitar demagogias em que já ninguém acredita?
Perdoem-me a chantagem emocional senhores ministros, assessores, secretários e demais personagem eleitos ou boys desta vida, mas os pneus dos vossos BMW’s davam para alimentar as crianças do nosso país (que ainda não é em África) que chegam hoje em dia à escola sem um pedaço de pão de bucho. Por isso, se o tempo é de crise, comecem a andar de opel corsa, porque eu que trabalho há 11 anos e acho que crédito é coisa de ricos, ainda não passei dessa fasquia.
E para terminar, um “par” de considerações sobre o vosso anúncio de 6ª feira.
Estou na dúvida se o fizeram por real lata ou por um desconhecimento profundo do país que governam.
Aumenta-me em mais de 60% a minha contribuição para a segurança social, não é? No meu caso isso equivale a subsídio e meio e não “a um subsído”. Esse dinheiro vai para onde que ninguém me explicou? Para a puta de uma reforma que eu nunca vou receber? Ou para pagar o salário dos administradores da CGD?
Baixam a TSU das empresas. Clap, clap, clap… Uma vénia!
Vocês, que sentam o já acima mencionado real rabo nesses gabinetes, sabem o que se passa no neste país? Mas acham que as empresas estão a crescer e desesperadas por dinheiro para criar postos de trabalho? A sério? Vão-se foder.
As pequenas empresas vão poder respirar com essa medida. E não despedir mais um ou dois.
As grandes, as dos milhões? Essas vão agarrar no relatório e contas pôr lá um proveito inesperado e distribuir mais dividendos aos accionistas. Ou no vosso mundo as empresas privadas são a Santa Casa da Misericórdia e vão já já a correr criar postos de trabalho só porque o Estado considera a actual taxa de desemprego um flagelo? Que o é.
A sério… Em que país vivem? Vão-se foder.
Mas querem o benefício da dúvida? Eu dou-vos:
1º Provem-me que os meus 7% vão para a minha reforma. Se quiserem até o guardo eu no meu PPR.
2º Criem quotas para novos postos de trabalho que as empresas vão criar com esta medida. E olhem, até vos dou esta ideia de graça: as empresas que não cumprirem tem que devolver os mais de 5% que vai poupar. Vai ser uma belo negócio para o Estado… Digo-vos eu que estou no mundo real de onde vocês parecem, infelizmente, tão longe.
Termino dizendo que me sinto pela primeira vez profundamente triste. Por isso vos digo que até a mim, resistente, realista, lutadora, compreensiva… Até a mim me mataram a esperança.
Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem… Contas feitas, aqui neste t2 onde vivemos, levaram-nos o dinheiro de um infantário.
Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar.
Por isso, do alto dos meus 32 anos digo: Vão-se foder"

Descobri este texto de uma portuguesa de 32 anos, uma cidadã que diz o que sente e pensa a partir da sexta-feira passada. É um texto impressionante, que vivamente recomendo. Leiam, por favor, até ao fim.

Domingos Amaral

terça-feira, 11 de setembro de 2012

-4



Come closer to me, come closer. I promise you it will be beautiful.

You keep your promise.

Listen, I do not believe that I alone feel that we are living something new because it is new to me. I do not see in your writing any of the feelings you have shown me or any of the phrases you have used. When I read your writing, I wondered, What episode are we going to repeat?
You carry your vision, and I mine, and they have mingled. If at moments I see the world as you see it, you will sometimes see it as I do.


— Anais Nin to Henry Miller 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

agora sim. é tempo de balanço.


vénias.

feito de ti.














Um coração de rosas como só em certas casas.
Adormece. (...) Adormeceu. Não o acordes.
Entrou pelo quarto, ele dorme, o coração feito de rosas vermelhas artificiais. Pega nele. 

Está na mesinha-de-cabeceira. 
O coração.

- Gonçalo M. Tavares, Água, Cão, Cavalo, Cabeça

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

go ask alice.


Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: Às vezes apenas um segundo.

Foto: Alice in Wonderland - Courtney Love for Vanity Fair


TransVerso

à maneira de acrescentar o desejo ao pedido.















foto: o.a.

(…) na cabeça das mulheres muita coisa se incompleta de raciocínio, como se a sua inteligência fosse apenas uma reminiscência da inteligência verdadeira, assim como se lembrassem de algum dia terem sabido o que isso é, mas sem o saberem realmente.

valter hugo mãe, o remorso de baltazar serapião

pára tudo. o que eu não sabia



é que depois de enfiares isto tudo lá dentro, ainda conseguiste levar a prancha e o pára-vento para casa...
de ladinho e com jeitinho.
ora se isto não é...

<3>

porras e porrinhas. que se isto fosse de planeamento estratégico, o mais certo era acabar mal. como não, tudo acaba sempre bem.


Tragédias e contratempos são postos no mesmo plano, porque a verdadeira tragédia da vida é ela ser por inteiro e somente um contratempo.


Claudio Magris

quando um mestre traduz outro mestre e, apesar dos anos, isso não me sai da cabeça.


«É uma sensação estranha; deixei para amanhã as duas últimas páginas e meia, a assobiar para o lado. Depois passo os olhos por ela, mando-a só para receber e, como combinado, vou deixá-la em pousio para a ler sem me sentir tesicado pelo fantasma “Despacha-te, pá!” Resquícios que me ficaram da síndroma do “fecho de páginas”. Um gajo bem tenta, bem se esforça, mas não é de chumbo, a coisa fica em lume brando e salta quando menos se espera; a imprensa. Meu Deus, há quanto tempo ela não “fornece um novo dia” (Herberto Helder).
Mas devo confessar que, além da mencionada lágrima no olho, e não o escrevo “em forma de coração” (Salinger), chegada a hora de devolver o livro todo massacrado pelas molas que o mantêm aberto e anotado, sinto-me borradinho de medo. Uma coisa é lê-lo e conversarmos, outra, bem diferente, é o sentimento de frustração quando se acaba de traduzir um livro. Por mim falo, sinto-me roubado, privado de uma companhia; como se o computador tivesse dado o berro e oferecido um ficheiro ao vazio. Longe vá o agoiro; não me dava jeito nenhum, ver a minha biblioteca de babel a arder.»

Jorge Fallorca,
sobre o terminar da tradução de Diário Volúvel, de Enrique Vila-Matas

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

the song which gives the key to perfection



siddha kunjika stotram
(The song which gives the key to perfection)

siva uvaca (siva said)

smu devi pravaksyami kunjika stotram uttamam yena mantraprabhavena candijapah subho bhavet

(Listen, Oh Goddess, while i elucidate the excellent song which gives the key to perfection. By means of the brilliance of these mantras, the meditation of the goddess Chandi becomes easy)

na kavacam nargala stotram kilakam na rahasyakam na suktam napi dhyanam ca na nyaso na ca varcanam

(Not the armor, nor the praise which unlocks the bolt, nor the praise which removes the pin, nor the secrets: neither the hymns, nor even the meditations, nor the establishment of the mantras into the body nor the offering of worship and adoration)

kunjika patha matrena durga phalam labhet
ati guhyataram devi devanamapi durlabham

(The recitation of the mantras which give the key will grant the fruits of the recitation of the glory of the goddess. Oh Goddess, this is extremely secretive and difficult even for the Gods to attain.)

gopaniyam prayatnena svayoniriva parvati maranam mohanam vasyam stambhanoccata nadikam
patha matrenam mohanam vasyam stambhanoccata nadikam
patha matrena samsiddhyet kunjika stotram uttamam

om aim hrim klim camundayai vicce om glaum hum klim jum sah jvalaya jvalaya jvala jvala
prajvala prajvala aim hrim klim camundayai vicce jvala ham sam lam ksam phat svaha

namaste rudra rupinyai namaste madhu mardini namah kaitabha harinyai namaste mahisardini

namaste sumbha hantryai ca nisumbhasuraghatini

jagratam hi maha devi japam siddham kurusve me aimkari srsti rupayai hrimkari prati palikwa

klimkarf kama rupinyai bija rupe namo stu te camunda canda ghati ca yai kari varadayini

vicce cabhayada nityam namaste mantra rupini

dham dhim dhum dhurjateh patni vam vim vum vagadhisvari
kram krim krum kalika devi sam sim sum me subham kuru

hum hum humkara rupinyai jam jam jam jambhanadini
bhram bhrim bhrum bhairavi bhadre bhavanyai te namo namah

am kam cam tam tam pam yam sam vim dum aim vim ham ksam
dhijagram dhijagram trotaya trotaya diptam kuru kuru svaha

pam pim pum parvati purna kham khim khum khecarf tatha

sam sim sum saptasati devya mantra siddhim kurusva me

idam tu kunjika strotram mantra jagarti hetave abhakte naiva datavyam gopitam raksa parvati

yastu kunjikaya devi hinam saptasatim pathet na tasya jayate siddhir aranye rodanam yatha

om aim hrim klim camundayai vicce
om glaum hum klim jum sah jvalaya jvalaya jvala jvala prajvala prajvala aim hrim lim camundayai vicce jvala ham sam lam ksam phat svaha.


obrigada, b*

as cinco sessões diárias do nosso contentamento*****

ir a pé.
ou roubar-te a bicicleta.

conseguiste fazer a ponte.

foto: o.a.

agora vê se a atravessas. *

yet again.

grizzly bear, shields, 2012

recordações da casa amarela.





































Há uma teimosia em entender o amor como coisa absoluta. 
Sendo absoluta, não é possível. Ficamos com a ideia.

- João César Monteiro

domingo, 2 de setembro de 2012