quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
острова Диомида
A dificuldade de estabelecer e firmar relações. Há uma técnica para isso, conheço-a. Nunca pude meter-me nela. Ser «simpático». É realmente fácil: prestabilidade, autodomínio. Mas. Ser sociável exige um esforço enorme — físico. Quem se habituou, já se não cansa. Tudo se passa à superfície do esforço. Ter «personalidade»: não descer um milímetro no trato, mesmo quando por delicadeza se finge. Assumirmos a importância de nós sem o mostrar. Darmo-nos valor sem o exibir. Irresistivelmente, agacho-me. E logo: a pata dos outros em cima. Bem feito. Pois se me pus a jeito. E então reponto. O fim. Ser prestável, colaborar nas tarefas que os outros nos inventam. Colóquios, conferências, organizações de. Ah, ser-se um «inútil» (um «parasita»...). Razões profundas — um complexo duplo que vem da juventude: incompreensão do irmão corpo e da bolsa paterna. O segundo remediou-se. Tenho desprezo pelo dinheiro. Ligo tão pouco ao dinheiro que nem o gasto... Mas «gastar» faz parte da «personalidade». Saúde — mais difícil. Este ar apeuré que vem logo ao de cima. A única defesa, obviamente, é o resguardo, o isolamento, a medida.É fácil ser «simpático», difícil é perseverar, assumir o artifício da facilidade. Conservar os amigos. «Não és capaz de dar nada», disseram-me. Oh, sou mesmo capaz de dar tudo. Do que não sou capaz é de me enfiar na técnica da «generosidade» — normalmente, aliás, avara. Dar tudo — mas de uma só vez ou de cada vez, e não fazer da generosidade governada um meio simpático e coercivo de atrair uma corte. Nos intervalos, regresso. Agora, mais do que nunca, se exige a técnica da sociabilidade. Sou irremediavelmente de um tempo passado. Ninguém dos que convivem comigo me acusam de. O que me é difícil é ser sociável por automatismo. Os sociáveis são-no com toda a gente e ninguém. Criaram esse modo de ser por fora. Como o pentearem-se e fazer a barba. E governam-no como lhes interessa. De qualquer modo o que me aflige é a facilidade do impulso, o primarismo dos máximos (para cima e para baixo), a incapacidade de controlo, de frieza exterior, a fácil emotividade, o «entrar em pânico» (Regina), a falta — que diabo, digamos tudo — de coragem. Aguentar as contrariedades. Tenho o dom de as tornar mais calamitosas. Acabou-se: é difícil aprender a viver. Ou ter oportunidade de. Um sempre instável equilíbrio. O viver por metade. Bom. Lamúria, já assentámos que não.
Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 1
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
coimbra 24-06-12
«I wanted to be a boy when I was growing up because I was in love with all of the male dancers I knew and they were all gay. And I thought, Well, if I was a boy, they'd love me. So I got into role-playing then.
That's where it began.»
M
That's where it began.»
M
domingo, 5 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
a arte do xadrez humano
são grandes, parecem torres.
e não é só por serem altos e entroncados. toda a postura impõe respeito.
ao princípio ficaram um pouco incomodados, riso nervoso, mais no sentido de não saberem como interagir do que pela ideia de me terem por ali. uma magricela. com um ôm nas costas?
percebia-se o campeonato europeu ainda no goto.
a ideia foi do colega que costuma pô-los a todos na linha, em sentido mesmo, nas aulas de jiu jitsu num dos lugares onde costumo dar aulas praticamente todos os dias.
passo sempre por aquela sala quando vou abrir a minha. eu curiosa dos movimentos deles. eles desconfiados da força dos nossos. a nós, em tom de brincadeira já os tinha ouvido chamar-nos a malta do campismo selvagem, porque nos vêem entrar de mat debaixo do braço. :) dizem que o chão onde dormimos é mesmo duro. :)
esse tal colega, de Gi azul, medalhado e com a parede engalanada de feitos e honrarias, lá arranjou forma de me ter numa das suas aulas para explicar à turma o porquê de querer uma parceria entre a arte marcial e o método com o qual trabalho.
diz ele que precisam da nossa concentração. que precisam de saber como pensar, respirar antes de aplicar a força. e que queria que eu entendesse como se movem.
sentei-me e ouvi tudo até ao fim. partilhei a origem comum de ambas as modalidades.
vi como os corpos formam um xadrez humano, de alavancas e molas, de tesouras e estrangulamentos. a força e o pó que levanta a mão a bater no chão.
senti por aquilo tudo um tremendo respeito. lembrei-me de vir da escola preparatória e de ver os putos bem, que podiam, na altura era assim, só quem podia, fazia um desporto pago pelos pais, e de sentir o misto de curiosidade e pena por não ir também.
finalmente subi ao tapete.
voar é fácil. fazer voar, nem tanto.
as asas nos pés devem ajudar. siga para ko.
e não é só por serem altos e entroncados. toda a postura impõe respeito.
ao princípio ficaram um pouco incomodados, riso nervoso, mais no sentido de não saberem como interagir do que pela ideia de me terem por ali. uma magricela. com um ôm nas costas?
percebia-se o campeonato europeu ainda no goto.
a ideia foi do colega que costuma pô-los a todos na linha, em sentido mesmo, nas aulas de jiu jitsu num dos lugares onde costumo dar aulas praticamente todos os dias.
passo sempre por aquela sala quando vou abrir a minha. eu curiosa dos movimentos deles. eles desconfiados da força dos nossos. a nós, em tom de brincadeira já os tinha ouvido chamar-nos a malta do campismo selvagem, porque nos vêem entrar de mat debaixo do braço. :) dizem que o chão onde dormimos é mesmo duro. :)
esse tal colega, de Gi azul, medalhado e com a parede engalanada de feitos e honrarias, lá arranjou forma de me ter numa das suas aulas para explicar à turma o porquê de querer uma parceria entre a arte marcial e o método com o qual trabalho.
diz ele que precisam da nossa concentração. que precisam de saber como pensar, respirar antes de aplicar a força. e que queria que eu entendesse como se movem.
sentei-me e ouvi tudo até ao fim. partilhei a origem comum de ambas as modalidades.
vi como os corpos formam um xadrez humano, de alavancas e molas, de tesouras e estrangulamentos. a força e o pó que levanta a mão a bater no chão.
senti por aquilo tudo um tremendo respeito. lembrei-me de vir da escola preparatória e de ver os putos bem, que podiam, na altura era assim, só quem podia, fazia um desporto pago pelos pais, e de sentir o misto de curiosidade e pena por não ir também.
finalmente subi ao tapete.
voar é fácil. fazer voar, nem tanto.
as asas nos pés devem ajudar. siga para ko.
quem foi a idiota que foi a correr de são joão da madeira para o sá da bandeira e do sá da bandeira para o hot five de saltos altos??
aos pulos que nem uma desalmada!?
quem foi?????
lombalgia 5.
bah.
quem foi?????
lombalgia 5.
bah.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
a teoria dos sapos
- mas consegues identificar o momento?
- sim. sei perfeitamente onde ele está.
- então porque não voltas a ele e arrancas de lá o que faltou? o que precisas reconciliar?
- porque sempre que lá volto, a maré sobe.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
que noite, pá, que noite, sr. cohen!
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
querias
tenho um amigo que me diz muitas vezes que se apaixona por uma cidade da mesma maneira que se apaixona por uma mulher.
eu costumo perguntar-lhe o que acontece então com as cidades quando o amor termina como lhe acontece invariavelmente com as mulheres. também deixas de as visitar?
as mulheres, como as cidades, não deixam nunca de se amar, ainda que possamos temporariamente deixar de as entender, se é que algum dia chegámos a consegui-lo.
a comparação diverte-o.
há sítios (como há pessoas) que não podemos não amar. sítios dos quais cuidamos como cuidamos do nosso amor. por isso há sítios que eu protejo, sítios de que cuido, sítios que não exponho, com o egoísmo que também em alguns dias me caracteriza no amor.
a comparação diverte-o.
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