quinta-feira, 26 de maio de 2011

pocket knife on a wedding dress

Please don't make my wedding dress

I'm too young to marry yet
Can you see my pocket knife?
You can't make me be a wife
How the world just turns & turns
How does anybody learn?

Mummy, put your needle down
How did you feel when you were young?
Cos I feel like I've just been born
Even though I'm getting on
How the world slips by so fast

How does anybody last?
As the world keeps coming
And the bees keep humming
And I'll keep running

Flowers I can do without
I don't wanna be tied down
White material will stain
My pocket knife's gotta shiny blade
I'm not trying to cause a fuss
I just wanna make my own f**k-ups
I'm not trying to break your heart
I'm just trying not to fall apart


polly jean h.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

oeste


foto: fabrice pinto

de dia tecia a manta de retalhos interminável, ponto por ponto, para à noite a desfazer.
incontáveis dias e noites se perdeu no afã do seu regresso.
por saber que voltar era apenas um começo.

adorar o politicamente correcto

é tão bonito
não ter espinha dorsal nem tronco e deixar quebrar os galhos ao sabor do vento.

s. tem um cordel no parapeito da janela

de dia ensaia as marchas com as miúdas do bairro.
dançam e cantam tudo bem decorado e alinhado para não fazerem má figura no feriado.
à noite os lobos uivam e ela deixa-se levar.
ao longe parece sempre dizer que não teve outra forma. não soube melhor. não há mais nada.

nem as luzes se apagam e nem o bairro dorme.

e repousa :)



domingo, 22 de maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

a despedida


Quiero que sepas
una cosa.

Tú sabes cómo es esto:
si miro
la luna de cristal, la rama roja
del lento otoño en mi ventana,
si toco
junto al fuego
la impalpable ceniza
o el arrugado cuerpo de la leña,
todo me lleva a ti,
como si todo lo que existe,
aromas, luz, metales,
fueran pequeños barcos que navegan
hacia las islas tuyas que me aguardan.

Ahora bien,
si poco a poco dejas de quererme
dejaré de quererte poco a poco.

Si de pronto
me olvidas
no me busques,
que ya te habré olvidado.

Si consideras largo y loco
el viento de banderas
que pasa por mi vida
y te decides
a dejarme a la orilla
del corazón en que tengo raíces,
piensa
que en ese día,
a esa hora
levantaré los brazos
y saldrán mis raíces
a buscar otra tierra.

Pero
si cada día,
cada hora
sientes que a mí estás destinada
con dulzura implacable.
Si cada día sube
una flor a tus labios a buscarme,
ay amor mío, ay mía,
en mí todo ese fuego se repite,
en mí nada se apaga ni se olvida,
mi amor se nutre de tu amor, amada,
y mientras vivas estará en tus brazos
sin salir de los míos.

pablo neruda

terça-feira, 17 de maio de 2011

[watching it rain frogs outside the library window] This happens. This is something that happens.

It's not / What you thought / When you first began it / You got / What you want / Now you can hardly stand it though / By now you know / It's not going to stop

obedece. cumpre. dorme. come. bebe. finge. sorri. dorme.


polinices



a calçada faz-me escorregar. calcei os chinelos. chego e a brisa está perfeita. e a minha boca só sabe o caminho da tua. um palhaço pergunta-me se me quero sentar. apetece-me dizer que te espero. mas sorrio e entro. sento-me. toda a gente tem alguma coisa na mão. um copo. um telefone. umas chaves. outra mão.

eu procuro a caneta e só quando envio esta carta, escrevo na última página do livro que carrego: sempre chegamos aonde nos esperam.

chegam todos. fecho o livro. espero-te.

foi pela música que principiou a indisciplina

segunda-feira, 16 de maio de 2011

corifeu

foto: fabrice pinto

Um relâmpago. Avista-se Diónisos em beleza esmeraldina.

Diónisos:

Sê prudente, Ariadne!...
Tu tens orelhas pequenas, tens as minhas orelhas:
Mete nelas uma palavra prudente! -
Não temos que odiar-nos primeiro, para podermos amar-
[mo-nos?...
Eu sou o teu labirinto...


ditirambos dionisíacos, f. nietzsche


sábado para domingo ainda está dormente.

sobreviveste?

antígona, ou a mulher que enterra o irmão, o pai, a mãe(avó) e sabia fazer rir o mundo



a tragédia transformada em riso.

a noite trazida em lua prateada perdida no alto da muralha.
a verdade dentro de uma morna.

ocorre abrir a volta da tenda que nos deixou ali adormecer. e dançar

isto não é só fabuloso. é obrigatório.


domingo, 15 de maio de 2011

colher flores da berma da estrada.
cortá-las e encher os dedos.

nas mãos vazias.

a noite



não devia acordar-se tão cedo depois de um dia assim.

não devia terminar-se uma noite depois de um dia assim.