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terça-feira, 8 de maio de 2012

seguir nas asas do tempo



to-morrow, and to-morrow, and to-morrow,
creeps in this petty peace from day to day
to the last syllable of recorded time.

macbeth, william shakespeare

quinta-feira, 12 de abril de 2012

pegada



Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.


Vitor Hugo

terça-feira, 17 de maio de 2011

polinices



a calçada faz-me escorregar. calcei os chinelos. chego e a brisa está perfeita. e a minha boca só sabe o caminho da tua. um palhaço pergunta-me se me quero sentar. apetece-me dizer que te espero. mas sorrio e entro. sento-me. toda a gente tem alguma coisa na mão. um copo. um telefone. umas chaves. outra mão.

eu procuro a caneta e só quando envio esta carta, escrevo na última página do livro que carrego: sempre chegamos aonde nos esperam.

chegam todos. fecho o livro. espero-te.

sábado, 14 de maio de 2011

efeito borboleta


foto: fabrice pinto


nem sempre sono escrito:
quem de mim foge
ora entre as pernas se esconde
ora sabe deus onde.

regina guimarães

brick lane



parecia-nos que o sonho chegara onde as salas persistem sem paredes nem vidros.

envolvendo palavras em búzios e pérolas e enredadas em redes e vidradas em contradições pungentes.

agora, persiste o sabor a sal. caminhando ao lado da pele macia dos lábios que descobrem afinal o caminho mais nosso.

repousa os olhos e o corpo. ressente e cobre de mãos ávidas de viagem em planisférios que caminhaste a doçura do toque na carne que é esta. que sempre se desfaz em água à passagem dos dedos na reentrância da anca. a que desce pela linha do tronco. a que vinca na alma o querer chegar àquela parte incerta das pestanas que cerram no encontro com o vento.
que traz a notícia desse leve mas cumpridor despertar.

terça-feira, 10 de maio de 2011

o «jovem esqueleto» do poema de baudelaire



matámos outra vez a noite na hora h.
agarrar no orwell é perder as estribeiras.
é trair todas as listas de espera, pilhas amontoadas na mesa-de-cabeceira e votos de contenção sinceros e profundos.
nem em mim mesma confio mais depois disto.

tu levaste o fausto.
está tudo dito.



sábado, 7 de maio de 2011

corpo



que te seja leve o peso das estrelas e de tua boca irrompa a inocência nua dum lírio cujo caule se estende e ramifica para lá dos alicerces da casa abre a janela debruça-te deixa que o mar inunde os órgãos do corpo espalha lume na ponta dos dedos e toca ao de leve aquilo que deve ser preservado mas olho para as mãos e leio o que o vento norte escreveu sobre as dunas levanto-me do fundo de ti humilde lama e num soluço da respiração sei que estou vivo.

sou o centro sísmico do mundo

al berto

sexta-feira, 22 de abril de 2011

reservado


foto: fabrice pinto

«Regresso a casa devagar, perdido , no tráfego da cidade. Então lentamente, a tua imagem oculta, um aceno horrível de outrora. Ah, tu não fazes ideia, Tina. Está bem que tinhas direito a uma definitiva aposentação. Mas eram só mais uns anos, Tina, assim deixas-me bem aflito. Só mais uns anos para que quando te lembrasses fosses só a minha recordação. Coisa fácil e avulsa só de recordar. Entro agora no Campo Grande,lembro-me de acender o rádio. Estou só, qualquer coisa que me faça companhia. Abro o rádio, uma sonata, parece-me, de Beethoven? uma coisa plana e larga como o nome de sonata.Podias ter esperado alguns anos, coisa pouca, o bastante para eu dizer sim à vida infame que me codilhou. O bastante para eu existir por mim. Espera, é a sonata ao luar, não gosto. O gosto dos outros comeu-lhe tudo, não gosto. Mas ouço não aquilo que vou ouvindo, mas o que ouço para lá. Assim tu não és coisa natural de recordar, mas a aflição que está para lá. Estou verdadeiramente embaraçado, tu não podes imaginar no conforto do teu descanso. E então devagar vou até à tua memória que é a realidade fictícia de eu estar bem onde não estou. Memória antiga como o começo do mundo.»

v.f.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

dos meus braços para os teus


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

eugénio de andrade

terça-feira, 5 de abril de 2011

bina gardens


«I mind my own business, I bother nobody, and what do I get? Trouble»

ladri di biciclette, vittorio de sica, 1948

i'm here i'm gone



miragem.
ilusão.
vertigem.
sossego.
ombro.
vastidão.
momento.
regresso.
mão.
distância.
frio.
chegada.
silêncio.
colo.
ausência.
fim.

unkle @ brixton academy







the duke spirit


unkle









too much love



I got too much love
As a vision slides

I got too much love
I got too much love
As a motion dies

You figure it's time
For a man to run
You figure it's time
For the falling stars come down on us

Run run run till you think you're made
Run run run till it's you're told you're safe
Run run run till you're overcome
Run run run you're the only one

I got too much love
Don't deceive me now
As the color slows

I got too much love
For a glitter doll
For the rain to unfold

Don't step down


I got too much love
For a glitter doll
As my emotion slides

In another end
In another life
I was on your side

unkle

all the gestures are gone


foto: fabrice pinto


and now frantic silence is here.