quarta-feira, 7 de março de 2012

a maior arte no magistério é a aprendizagem



a turma de jiu jitsu é a mais disciplinada que já tive até hoje.
o respeito que demonstram por aquilo que lhes ensino todas as semanas lembra-me que o que já aprendi e ainda vou aprender com eles é a maior recompensa da entrega e das horas que lá tenho passado, longe de casa. valer a pena, vencer, não baixar os braços.
quando muito, torcê-los :)





apanhá-los a todos



é que era

terça-feira, 6 de março de 2012

o vale onde se afundam as costas



e no caso de dias que se te acordam curtos e sesimbrados, cheios de palavras bonitas de ontem,
lembra-te de quando eram cheios e de como se voltam a inflar, vazios nunca se sabe, e como num sopro para que a vela se encha à força de querer-te só a ti. nada mais do que a esse contorno sobre o sofá recostado que se lembra de como aqui chegaste. é nesse lembrar que resistes. lembrado nunca é esquecido.

venha a nós o vosso reino



pensar. ler. escrever.

do exemplo

não quero mentir
mas parece-me que só uma ou duas vezes ouvi alguém referir-se à directora da escola onde trabalho (ou ela mesma, falando de si) como... directora. e se tem cartas dadas. e o reconhecimento merecido. nunca ninguém lhe perdeu o senso de hierarquia por isso. é desnecessário e tão evidente que não é preciso repetir. toda a gente sabe que ela o é.

isso revela tanto a gratificação quanto o respeito com que se faz ouvir, sem se colocar acima de ninguém. igualdade responsabilizada equivale a ausência de pedestal.

inspira-nos.

o doce da serrilha



e alongas-te líquida como se soubesses contar pelos dedos o doce que lambes da serrilha da faca

joão negreiros

segunda-feira, 5 de março de 2012

tu messias mais




se ninguém te quiser ouvir grita
escala um arranha-céus e diz tudo
até que as entranhas se esvaiam em acordeões
até que sejas impossível de ignorar
e se te baterem bate a mais portas
e se te baterem mais usa a testa como aríete e entra-lhes nos pensamentos
tu sabes que tens razão
tu tens sempre razão
tu vais salvar toda a gente de si própria
tu sabes o segredo que lhes vai mudar as vidas
tu és o sopro que lhes falta quando assobiam
o som da trombeta
o guizo do chapéu
o rasgo do papel
o mago da magia
o marco do correio
o pico do cume
a água do dromedário
tu vieste para ajudar
tu só queres ajudar
então porque não te deixam?
porque não te sopram carinho ao ouvido e te chamam nomes feios que tu sabes não serem da tua família nem da afastada
a sociedade também foi feita para ti
um bocadinho foi
um buraquinho foi
porque não te deixam entrar lá?
porque não te deixam estar lá?
querem-te à chuva e ao frio
sem amigos
sem calor
sem pão
sem sal
não te dão nem um naco da tua própria carne
nem a luz do teu quarto
nem o silêncio da tua mente
e tu aceitas?
e tu ficas-te?
e tu não protestas?
seu banana
seu falhado
seu funcionário sem sindicato
sua mulherzinha que nunca votou
sua criancinha que limpa o prato
seu homossexual não assumido
seu cão sem pulgas
seu cabrão sem cornos
seu tronco sem pau
seu pau mandado
seu arado sem terra
seu dinossauro radioactivo sem cidade japonesa
seu lamparina sem petróleo que foi inundar uma gaivota
seu cabeça sem capacho
seu diamante
seu bruto
seu papa-açorda
seu caramelo
seu lambe-cus
seu
seu
seu
seu és tu
seu és tu
ouviste?
seu é contigo
seu é para ti
acorda
já é noite
já foi dia
amanhã vai ser tudo isso outra vez e tu estás ao relento
não tens onde ficar
não tens lugar na terra e ninguém to vai dar se não esgravatares
procura
pede
come
ataca
implora
arrasta-te
resvala
escorrega
assusta-os
ignora-os
tu sabes que tens razão
e a tua razão é respirar
se respiras tens direito à vida
se tens direito à vida tens direito a chorar
se tens direito a chorar tens direito a voz
se tens direito a voz tens direito a que te ouçam
se tens direito a que te ouçam tens direito a dizer algo que lhes mude as vidas
se tens direito a dizer algo que lhes mude as vidas tens direito a mudar também a tua
não peças respeito
nasce respeitado
não implores por dignidade
apregoa a dignificação do Homem
não mendigues comida
acaba com a fome
não protejas os teus filhos
protege todos os filhos
não procures uma religião
faz o que um Deus bom faria
não ouças tudo o que te dizem
ouve todos os que falam
tens direito ao teu canto
e o teu canto é o de mudar tudo
tu podes mudar tudo
tu deves mudar tudo
tu sabes mudar tudo
repara nas pessoas e muda-as para melhor se elas quiserem
aproveita para ires melhorando também
dá-te como se fosses de borla
não peças nada em troca mas dá com um sorriso mais rasgado a quem te der um beijo no fim
não tenhas medo que te interpretem mal
aliás não tenhas medo que te interpretem
aliás não tenhas medo
guarda o melhor para os outros e o pior para ti
mas não sejas cruel contigo que és o único que tens
tens que ter noção do teu papel
e o teu papel é duro como se embrulhasse pregos ou cacos que não queremos nas mãos do senhor da recolha nem nos dentes do gato vadio
o que tu vais fazer agora porque é o único tempo que te pertence é mudar
mudar até que nada fique igual
até que esteja mesmo do agrado de todos
mas se por acaso no meio do teu percurso de conflito e mudança
no meio da tua jornada de luta pelo bem encontrares algo de profundamente belo
não lhe mexas
não lhe toques
pega numa cadeira de praia monta-a e senta-te calmamente a apreciar

joão negreiros, a verdade dói e pode estar errada

e vai daí

- mas não a avisaram que é proibido ter animais domésticos no prédio?
- não. como também não avisaram que não se podia ouvir tony carreira às 9h da manhã de um domingo e há quem ouça. o conceito de animal é bastante lato, não concorda?

e de cada vez que olho



insurge-se o óbvio elefante que todos vêem mas de que ninguém fala.
do orgulho que tenho em vocês todos e não quero mesmo saber se o orgulho é pecado.
merda para o pecado. vocês são o meu orgulho*

do bom e do bonito

tempo

da al_ma

o que sucede por ordem de chegada:
telefonar-te
ouvir-te
sentir-te. *
por mais que...









domingo, 4 de março de 2012

slow



Don't turn me over, just let me know
How long will it be before you let me go?
You hold the line, a bullet soul
It's just that sometimes, times, so slow
Sometimes, times, so slow
I don't wanna, believe, be but, in love
I don't wanna, be, believe, in love


george lewis jr. aka twin shadow @ vodafone mexefest porto

sábado, 3 de março de 2012

as delícias que só nós é que sabemos

enquanto cumprimentamos o george aka twin shadow, alguém pensa em voz alta
«aah, eu sabia que devia ter feito a depilação hoje...»

my lips are red



Your lips are red
My face is red from reading your red lips
My hands are black
My hands are black inside this downtown taxi cab

This city's red
This city's red from riding us into the ground
This city's black
This city's black from all the ashes in downtown
Ashes in downtown, ashes in downtown

My face is drawn
My face is drawn on with this number two pencil
Your face is drawn
Your face is drawn from drawing words right from my lips
Words right from my lips, words right from my lips

Your lips are red
My face is red from reading your red lips
My hands are red
My hands are red from sealing your red lips
Sealing your red lips, sealing your red lips

annie clark aka saint vincent @ vodafone mexefest porto

sexta-feira, 2 de março de 2012

gone play on



This never ending song is scratching Scratching my brain Like a vinyl in desire This never ending thought Is coming and is gone It's travelling on a plane on my way And in a highway too As if I speak for you And I say that you did those things I did in the past it's true And in a highway too In a truck I do Keep your stuff in my pocket...

russian red

bou ali já benho


o meu gmail anda há dois dias cinzento e a dizer que chove

onde me encontro não a vejo há mais de dois meses, e durmo pouco, portanto não pode ter sido de noite. o google não me retirou o ip da mouraria. só pode.

até agora, nada.

coming of age



when i think about writing you, drop a line or two, i think about dreams. i join all my scattered memories of times long gone and try to fix something to hope for, far away from all the oceans and lands that keep people appart.

but now you say you are hoping for a long letter. something you can hold on to. as if the pages are blank again, and we aren't aging and growing, but being born again.
and whatever happens from this season on, days grow bigger, we grow eager and stronger and streets are only street names, really. buildings keep us safe from curious eyes.
letters and screens are just images, projections of some mindtricks someone entitled itself to render.


you go for your days, hoping for news that arrive slowly.
i stand by my time, realizing every step you come closer you draw your arm gently behind my neck. as if delusion never existed.
when the mere existence of you gives me hope.

coming of age has everything to do with dreams. we are so small and dream of grown-ups. dreams of the perfect job, the perfect man, the perfect pet, the perfect life.
and people are anything but perfect, jobs aren't perfect, pets and lives and the world isn't perfect. perfectioness lyies in details. a fingerprint. a flick of hair. a warm and sound yawn. eyelashes and beautymarks. irises and hands. while these days all i ever dream about is your eyes, catching my breath everytime you try to close them. perfect eyes. and eventually, that is all there is. forever seeing. watching your eyes opening and closing.

here it is. it's not long, but we can pretend it's perfect. :)


quinta-feira, 1 de março de 2012

according to the ethereal explained to the lyricists this is basically the remaining track there is

apesar de tudo



tudo se consegue.

virar a jangada. pintar de céu as estrelas.


não é um gorila! é o king kong...



disparado em forma de sussurro. como quem chama um petiz à atenção. uma criança diz sempre o que pensa. dei-te uma palmada e tudo.
e não sei quando é que os gajos do parquímetro decidiram que seria boa ideia multar 12 minutos antes de acabar a tarifa obrigatória. vi-os aproximarem-se de todos os carros, mas fechei a porta assim mesmo e entrei para dar aula. ignorei-os. como tenho feito a praticamente quase tudo.
pelo meio recebi mais uma mensagem tua. não te queixavas, que tu nunca te queixas, mas pensavas comigo, como tantas outras com quem tenho falado, fartinha das criancices alheias. que a paciência esgota-se algures entre um bocejo e um olhar-se para o lado. finge-se que não se vê. mas eu digo-te que já vi esse filme e não foi no rivoli. foi de mãos dadas no são jorge. e também entre soluços numa sessão onde fiquei pregada à cadeira no corte inglés. as coisas por que uma pessoa passa por amor. como se tudo valesse. se é por amor, aguenta-se. por amor tudo se perdoa, tudo se condena. nada se entende. consegue-se o tudo e o nada. até ao nada resumir o todo. todos se embrulham, todos se tropeçam e quando por fim, chegam a algum lado, pensam-se invencíveis. como se mais nada voltasse a ser igual. como se de repente tudo o resto se apagasse, com uma borracha milagrosa que limpa a vida para debaixo do tapete. e os outros, ah, coitados dos outros. coitados uma merda.

e tu, consegues ainda assim fazer torradas enquanto mo dizes. séria. quase sem fechares os olhos.
porque bem sabes que ninguém faz o mal de propósito. é apenas por não saber fazer melhor. o bem e o quase perfeito.
é assim de erro em erro. até acertarmos.

posso até ficar mais dois dias a pensar que naquela tarde cheguei das aulas para variar a correr e a atirar a mala para o chão como de costume, e abre-se-me outro sorriso com um coração de chocolate dentro. só porque sim. porque passaste e te lembraste.
e porque não o fazerem contigo?
porque não encerrar o ciclo do deixa ver se fica?
é mandar às urtigas. essas sim, proliferam. por toda a parte e alimento não falta nunca. nem aqui. nem do outro lado do mundo.
e onde é que isto descambou. ah, já sei! foi naquele momento em que entramos por santa catarina e diante da senhora da bilheteira gritas, diz lá à senhora qual é o que queres. e eu penso que nos conhecemos há milénios, que sabes bem o que quero e que agora me lembras da vida lá de baixo onde as pessoas de tantos anos já nem perguntavam por sentirem antes de eu falar.
é isso! tal e qual quando a minha mãe sabia que era febre antes de o termómetro mostrar.

eu já sei o que vim cá acima fazer. antes da vida mo pregar pela alma dentro.

porra, está ali um gorila!