quarta-feira, 19 de outubro de 2011

tokyo girl



There was a time when I slept in your bed
please give me your gun
There was a stranger working in your mouth
please give me your gun

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There was a tokyo girl upstairs please give me your gun
There was a stranger working in your mouth
please give me your gun
This is the moment
to take you the silence

noiserv

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

la mer




Votre plus grande déception?
- Je ne connais pas la déception.

albert cossery


Num esforço lento e penoso, como se o corpo se recusasse ao movimento, levantou-se e acendeu a luz. A sala de jantar, onde se encontrava, era grande, e a lâmpada que a iluminava tão fraca que, da escuridão afastada, ficaram penumbras nos cantos.

As paredes nuas, as cadeiras de espaldar vertical, duras e repelentes, a mesa sem brilho e sem flores, os móveis baços e quase desguarnecidos – e Justina sozinha, no meio deste frio, muito alta e magra, o vestido preto, e os olhos negros, profundos e calados.

Clarabóia, José Saramago

domingo, 16 de outubro de 2011

claridade



É sempre a mesma história. Para uns, muito; para outros, pouco: e para outros, nada. Quando é que essa gente aprende a pagar aquilo de que precisamos para viver?


Clarabóia, José Saramago















sexta-feira, 14 de outubro de 2011

a nossa posição perante o sr. passos é parecida à dela, só não se vê tão longe nem tão alto como ao ouvir esta pequena maravilha



feist, metals, 2011

... e andei.


a geração que nos assiste


recordo-me sempre de ter saído à rua, como tantas outras vezes, perdi-lhes a conta, para gritar e dizer o que me parece mais justo. enquanto muitos ficaram em casa, cheios da preguiça com o rabinho no sofá e a sacudir para os outros a água do indignado capote.
subsídios, baixas e outras merdas não sei o que é. trabalho e tento não adoecer senão tou lixada. eu pago as minhas férias e as minhas possíveis doenças.
não me parece que a indignação surja dos famigerados cortes. é algo mais profundo do que isso . é o direito a uma vida justa. a não sustentar com os nossos impostos e com a força do nosso trabalho, esse que não pára, senão não se come, os luxos e cobardias de gestões alheias a um povo mais nobre do que os que os representam momentaneamente no poleiro da governação.

e nunca deixei nada por dizer, mesmo que fosse infrutífero.
lembra-me o filme absurdamente pertinente desta noite. mesmo sendo sobre ou para absolutamente nada. vale sempre a pena.
mesmo que ninguém ouça. dizemos. fazemos acontecer.

estou para ver qual vai ser a desculpa para este sábado.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

alucina génios

Absurdity is what I like most in life, and there's humor in struggling in ignorance. If you saw a man repeatedly running into a wall until he was a bloody pulp, after a while it would make you laugh because it becomes absurd.

david lynch

«não cabia no título, é gigantesco...»

A realidade de certas coisas só é vista por olhos que choraram

- Lacordaire

perante a fragilidade da vida, paramos.


foto: fabrice pinto


«It's you, it's you, it's all for you
Everything I do
Tell you all the time
Heaven is a place on earth for you»

lana del rey, videogames

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

o silêncio dos bons


foto: fânia santos

"DE qualquer modo dança.
De qualquer modo sente. De qualquer modo o corpo contém o dia. De qualquer modo as cores e o Músculo. De qualquer modo o coração. De qualquer modo sempre no FUndo a Memória. Mas de qualquer modo sem TEORIAS. De qualquer modo com a teoria da poética que é não existir teoria e só existir poética De qualquer modo a ciência atrapalha 1 pouco mas não totalmente. De qualquer modo a Curiosidade. De qualquer modo coleccionar montanhas. De qualquer modo acabar quando o ritmo exige que se continue o ritmo exige coisas a que não devemos aceitar obedecer ser escravos."

Gonçalo M. Tavares, o Livro da Dança

(esse lugar...)

ou can't wring your hands and roll up your sleeves at the same time.

reverbera

Era o branco que a fazia acordar sem fim. Numa roda-viva infindável de gestos repetidos, ano após ano. Daquela varanda o vira descer a calçada. Na esquina já ao Poço dos Negros perdera-o de vista. Nunca mais lhe vira as botas. A silhueta queimada do navio em mar alto. As mãos cortadas do cordoame, que lhe inchava também os pulsos doridos. À noite, lembrava-se de deitar e dos pés frios, duros que procuravam os seus. Dormia, rangia os dentes e ele acordava. Lá estás tu outra vez (…)

Sente-se no ar o frio das frinchas abertas. Descuidam-se pessoas e gestos e as casas ruem.

Persiste nas cidades o querer voltar na esperança de que o tempo se esqueça delas. É puro o engano e finge-se parar a mudança. Ela é sempre a única verdade presente ao abrir da janela.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

grasp the second



I'm losing everything I know,
I'm pleading for the faith to keep me strong,
It haunts me everywhere I go,
You've been here pulling me through all along

mr. meeble

o teu sádhana \O/



I make it one
Watch the sun
Sink behind the trees to the keys to the kingdom

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

«because of this, originality consists in returning to the origin.»

Gaudí

só pode ser das obras intermináveis no ip3

que persegue as viagens e acabo sempre aqui.
é o mondego à noite e a lua sobre a faculdade.





as ruelas apertadas e cheias de gente que canta e pede insónias.
o parque vazio. só. cheio de vozes que foram.
outra vez. e sempre.
a loja de vinis no quebra-costas.

costas voltadas para o largo da portagem. daqui não se parte nunca.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

síndrome de imigrante


foto: peter turnley

Atrás de qualquer porta
está sempre o mar alto que me espreita
Ou então a capa em que o vento abate
a dúvida ou a suspeita

Linhas rectas seguem cidades
quebrando fazendo nós
quando um homem lança mão num estrado
de abelhas completamente sós

Criaram-se novas leis
novos modelos de calçado
Fotografias com cores
décors do patriarcado

Mas as facas de cortar fruta
que correm a praia de extremo a extremo
dançam em pontas sobre o pequeno
E as mães que já não sabem
fazer as suas contas
deitam-se ao mar pelo que vêem
e julgam-no sereno

Saem dos astros pés das ondas mãos
a taparem os rostos os medos
As fardas que andam nuas
sobram armas lugares amenos

O mundo não previa tanto
e esgotou-se a lotação
Vão pelos canos correndo pardais cegos
como convém à perseguição

Criaram-se novas leis
há pânico pelas nossas varandas
nascem entretanto árvores nuas
tantas
Mas os dentes ainda são de pedra
apesar da nova lei que os não respeita
Embora a máquina de fazer peças para novas peças
seja o mar alto que atrás da porta me espreita.


fernando lemos

here I go and I don't know why
I fell so ceaselessly
could it be he's taking over me...

I'm dancing barefoot
heading for a spin
some strange music draws me in
makes me come on like some heroine

35º à sombra



tenta manter a lente ao alto e os olhos abertos .

sem paredes, sem cortina, sem tecto nem chão. sem nada. a sua forma dilui-se no contorno cinzento da sua quietude. ninguém se move. ninguém tropeça. ninguém entra. ninguém sai. no silêncio aparente, igual ao de uma cidade que prepara o primeiro grito, a primeira pancada nas costas ao renascer. a luz e o arrependimento imediato de quem chega ao mundo pela primeira vez e percebe que ou mata ou morre. ou entra, ou sai. dali, de onde se renasce, sair vivo, só reencontrando a portada aberta e o branco de uma manhã de cheiro a roupa lavada numa calçada de Lisboa.

ficas invisível



antes de dormir