quinta-feira, 20 de outubro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
tokyo girl
There was a time when I slept in your bed please give me your gun
There was a stranger working in your mouth please give me your gun
-----------------------------------------
There was a tokyo girl upstairs please give me your gun
There was a stranger working in your mouth please give me your gun
This is the moment to take you the silence
There was a stranger working in your mouth please give me your gun
This is the moment to take you the silence
noiserv
terça-feira, 18 de outubro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Num esforço lento e penoso, como se o corpo se recusasse ao movimento, levantou-se e acendeu a luz. A sala de jantar, onde se encontrava, era grande, e a lâmpada que a iluminava tão fraca que, da escuridão afastada, ficaram penumbras nos cantos.
As paredes nuas, as cadeiras de espaldar vertical, duras e repelentes, a mesa sem brilho e sem flores, os móveis baços e quase desguarnecidos – e Justina sozinha, no meio deste frio, muito alta e magra, o vestido preto, e os olhos negros, profundos e calados.
Clarabóia, José Saramago
Clarabóia, José Saramago
domingo, 16 de outubro de 2011
claridade
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
a geração que nos assiste
recordo-me sempre de ter saído à rua, como tantas outras vezes, perdi-lhes a conta, para gritar e dizer o que me parece mais justo. enquanto muitos ficaram em casa, cheios da preguiça com o rabinho no sofá e a sacudir para os outros a água do indignado capote.
subsídios, baixas e outras merdas não sei o que é. trabalho e tento não adoecer senão tou lixada. eu pago as minhas férias e as minhas possíveis doenças.
não me parece que a indignação surja dos famigerados cortes. é algo mais profundo do que isso . é o direito a uma vida justa. a não sustentar com os nossos impostos e com a força do nosso trabalho, esse que não pára, senão não se come, os luxos e cobardias de gestões alheias a um povo mais nobre do que os que os representam momentaneamente no poleiro da governação.
e nunca deixei nada por dizer, mesmo que fosse infrutífero. lembra-me o filme absurdamente pertinente desta noite. mesmo sendo sobre ou para absolutamente nada. vale sempre a pena.
mesmo que ninguém ouça. dizemos. fazemos acontecer.
estou para ver qual vai ser a desculpa para este sábado.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
alucina génios
Absurdity is what I like most in life, and there's humor in struggling in ignorance. If you saw a man repeatedly running into a wall until he was a bloody pulp, after a while it would make you laugh because it becomes absurd.
david lynch
david lynch
«não cabia no título, é gigantesco...»
A realidade de certas coisas só é vista por olhos que choraram
- Lacordaire
perante a fragilidade da vida, paramos.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
o silêncio dos bons
foto: fânia santos
"DE qualquer modo dança. De qualquer modo sente. De qualquer modo o corpo contém o dia. De qualquer modo as cores e o Músculo. De qualquer modo o coração. De qualquer modo sempre no FUndo a Memória. Mas de qualquer modo sem TEORIAS. De qualquer modo com a teoria da poética que é não existir teoria e só existir poética De qualquer modo a ciência atrapalha 1 pouco mas não totalmente. De qualquer modo a Curiosidade. De qualquer modo coleccionar montanhas. De qualquer modo acabar quando o ritmo exige que se continue o ritmo exige coisas a que não devemos aceitar obedecer ser escravos."
Gonçalo M. Tavares, o Livro da Dança
(esse lugar...)
reverbera
Era o branco que a fazia acordar sem fim. Numa roda-viva infindável de gestos repetidos, ano após ano. Daquela varanda o vira descer a calçada. Na esquina já ao Poço dos Negros perdera-o de vista. Nunca mais lhe vira as botas. A silhueta queimada do navio em mar alto. As mãos cortadas do cordoame, que lhe inchava também os pulsos doridos. À noite, lembrava-se de deitar e dos pés frios, duros que procuravam os seus. Dormia, rangia os dentes e ele acordava. Lá estás tu outra vez (…)Sente-se no ar o frio das frinchas abertas. Descuidam-se pessoas e gestos e as casas ruem.
Persiste nas cidades o querer voltar na esperança de que o tempo se esqueça delas. É puro o engano e finge-se parar a mudança. Ela é sempre a única verdade presente ao abrir da janela.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
grasp the second
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
só pode ser das obras intermináveis no ip3
que persegue as viagens e acabo sempre aqui.
é o mondego à noite e a lua sobre a faculdade.

as ruelas apertadas e cheias de gente que canta e pede insónias.
o parque vazio. só. cheio de vozes que foram.
outra vez. e sempre.
a loja de vinis no quebra-costas.costas voltadas para o largo da portagem. daqui não se parte nunca.
é o mondego à noite e a lua sobre a faculdade.
as ruelas apertadas e cheias de gente que canta e pede insónias.
o parque vazio. só. cheio de vozes que foram.
outra vez. e sempre.
a loja de vinis no quebra-costas.costas voltadas para o largo da portagem. daqui não se parte nunca.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
síndrome de imigrante

foto: peter turnley
Atrás de qualquer porta
está sempre o mar alto que me espreita
Ou então a capa em que o vento abate
a dúvida ou a suspeita
Linhas rectas seguem cidades
quebrando fazendo nós
quando um homem lança mão num estrado
de abelhas completamente sós
Criaram-se novas leis
novos modelos de calçado
Fotografias com cores
décors do patriarcado
Mas as facas de cortar fruta
que correm a praia de extremo a extremo
dançam em pontas sobre o pequeno
E as mães que já não sabem
fazer as suas contas
deitam-se ao mar pelo que vêem
e julgam-no sereno
Saem dos astros pés das ondas mãos
a taparem os rostos os medos
As fardas que andam nuas
sobram armas lugares amenos
O mundo não previa tanto
e esgotou-se a lotação
Vão pelos canos correndo pardais cegos
como convém à perseguição
Criaram-se novas leis
há pânico pelas nossas varandas
nascem entretanto árvores nuas
tantas
Mas os dentes ainda são de pedra
apesar da nova lei que os não respeita
Embora a máquina de fazer peças para novas peças
seja o mar alto que atrás da porta me espreita.
está sempre o mar alto que me espreita
Ou então a capa em que o vento abate
a dúvida ou a suspeita
Linhas rectas seguem cidades
quebrando fazendo nós
quando um homem lança mão num estrado
de abelhas completamente sós
Criaram-se novas leis
novos modelos de calçado
Fotografias com cores
décors do patriarcado
Mas as facas de cortar fruta
que correm a praia de extremo a extremo
dançam em pontas sobre o pequeno
E as mães que já não sabem
fazer as suas contas
deitam-se ao mar pelo que vêem
e julgam-no sereno
Saem dos astros pés das ondas mãos
a taparem os rostos os medos
As fardas que andam nuas
sobram armas lugares amenos
O mundo não previa tanto
e esgotou-se a lotação
Vão pelos canos correndo pardais cegos
como convém à perseguição
Criaram-se novas leis
há pânico pelas nossas varandas
nascem entretanto árvores nuas
tantas
Mas os dentes ainda são de pedra
apesar da nova lei que os não respeita
Embora a máquina de fazer peças para novas peças
seja o mar alto que atrás da porta me espreita.
fernando lemos
35º à sombra
tenta manter a lente ao alto e os olhos abertos .
sem paredes, sem cortina, sem tecto nem chão. sem nada. a sua forma dilui-se no contorno cinzento da sua quietude. ninguém se move. ninguém tropeça. ninguém entra. ninguém sai. no silêncio aparente, igual ao de uma cidade que prepara o primeiro grito, a primeira pancada nas costas ao renascer. a luz e o arrependimento imediato de quem chega ao mundo pela primeira vez e percebe que ou mata ou morre. ou entra, ou sai. dali, de onde se renasce, sair vivo, só reencontrando a portada aberta e o branco de uma manhã de cheiro a roupa lavada numa calçada de Lisboa.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






