terça-feira, 10 de janeiro de 2012
isobel
apaixonada pela timeline da björk.
e até junho sei que vou conseguir pronunciar correctamente o seu nome de família.
e ainda porque agora te perdias no tema
pedro jordão* :)
faz um mês
a vizinha de cima ficou sem internet para nos dar a nós. faz frio e ninguém se importa.
perguntas-me pela enésima vez se sais em salgueiros. que à volta não há metro. e não tens carta mesmo que quisesses voltar.
a lua entra pela janela, de vidraça larga.
amo ser de outra cidade, de outros costumes, só para poder dizer que isto pode ser maravilhoso e pede deferimento.
se te atreves a parar, algo te lembra
pedro jordão *:)
domingo, 8 de janeiro de 2012
jack kerouac's letter to marlon brando

«I'm praying that you'll buy ON THE ROAD and make a movie of it. Don't worry about the structure, I know to compress and re-arrange the plot a bit to give a perfectly acceptable movie-type structure: making it into one all-inclusive trip instead of the several voyages coast-to-coast in the book, one vast round trip from New York to Denver to Frisco to Mexico to New Orleans to New York again. I visualize the beautiful shots could be made with the camera on the front seat of the car showing the road (day and night) unwinding into the windshield, as Sal and Dean yak. I wanted you to play the part because Dean (as you know) is no dopey hotrodder but a real intelligent (in fact Jesuit) Irishman. You play Dean and I'll play Sal (Warner Bros. mentioned I play Sal) and I'll show you how Dean acts in real life.
What I wanta do is re-do the theater and the cinema in America, give it a spontaneous dash, remove pre-conceptions of "Situation" and let people rave on as they do in real life. That's what the play is: no plot in particular, no "meaning in particular, just the way people are.»
só por causa disso. vou-te escrever*
«i biked here. teach me how to drive»
«i like a challenge
sábado, 7 de janeiro de 2012
sobrevivi ao drive
e trouxe de lá uma vontade imensa de voltar aos louros.
desde que sejam o goslin bad ass e tenham nas costas um escorpião bordado a dourado.
a bunch of crows flying over père-lachaise amongst snowfall
sometimes one of the most difficult things in life is to know which bridge to cross and which bridge to burn.
salgueiros - 1 / mouraria - 0
onde andam o raio dos galos que nem da varanda os vemos mas ouvem-se quando fechamos os olhos.
é a primeira luz do dia.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
sentar
são trezentos e vinte quilómetros por semana.
oitenta por dia.
são traços perdidos, horas ganhas, pessoas reencontradas e o cansaço ao final do dia.
mas chegar a casa e as tuas mãos. sempre assim perto. não há cansaço que resista.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
mais branco

sabemos de antemão que só aprendemos à cabeçada.
é um defeito de fabrico de almas e corpos humanos como os nossos.
depois de casas arrombadas, trancas à porta.
depois de estraçalhados os viveres, cuidados nos dizeres.
enfim, um sem número de inutilidades verbais que apenas fazem sentido depois da dita. cabeçada. precisamos de folhas brancas. rascunhos.
acontece que das páginas em branco pode-se fazer praticamente tudo.
pode-se desenhar caminhos, regressos, palavras ou símbolos.
apagar. ou escrever melhor.
não existe nada mais nobre do que um livro onde a vida toma forma.
o cheiro das páginas, tentar adiar o fim, as últimas linhas. o que existe ali, na última frase.
e concluir que se escreve mais e com mais velocidade à medida que os nossos olhos aceitam o tornear dos dedos sobre o papel.
escrever. viver enredos. encontrar viagens e paradeiros incertos. recomeçar.
já sabia que ia acontecer algo do género para por à prova o jogo de cintura
Devagar, aproximo a colher, oblíqua, do centro do prato. Por um instante, a circunferência de caldo e a colher formam um exemplo geométrico, são como a ilustração de ângulos num manual de matemática. Sinto o cheiro a conforto morno, a casa, a bem-estar, a inverno agasalhado. Abro caminho com a ponta da colher entre fios de couve, finos e embaraçados como ninhos de pardais. Quando a colher já está cheia e a levanto, não penso em mais do que na sua própria imagem. Fixo-a como se já lhe soubesse o sabor. Confirmo o melhor desse conhecimento no fim do gesto. Caldo verde. Fecho os olhos por um momento.
Após esse momento, o mundo reaparece. A minha mãe dá voltas à mesa. Tem pressa talvez por não querer que este tempo acabe. A sua imagem pisca de um e de outro lado da mesa. Antes de eu chegar, eu sei que a minha mãe enrolou folhas de couve na mão. Aproximou-as das lâminas do aparelho de ferro que as cortou em fios, a rodar por meio de uma manivela, preso à mesa por um grampo. Tenho essa memória desde pequeno, o som das folhas grossas de couve a serem cortadas, a sua cor verde-escura e o seu cheiro fresco, também verde. A voz da minha mãe mistura-se com o sabor da sopa. Diz-me: sabes quem é que morreu? Não sei, mas quero saber. Então, a minha mãe perde a pressa. Faz uma pausa para dar dois ou três passos, que se ouvem chinelados no chão. Dentro de mim, preencho esse silêncio com uma sucessão de rostos da minha infância.
josé luís peixoto
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
ewige wiederkunft.
nietzsche, a gaia ciência
we should crash the party on new year's eve
e no primeiro dia do ano
depois da chuva que se ouvia sem parar lá fora
depois de ter a certeza que não me ia levantar para mais nada...
arranjei coragem para finalmente por os olhos nisto.
e acudiu-me aquela aflição conhecida de saber na pele o correr dos dias e das horas e de como são valiosas. todas elas.

biutiful, alejandro gonzález iñárritu, 2011















