terça-feira, 21 de agosto de 2012

you are my beat / i miss you

Vou atravessar
O rio
Coberto de holofotes,
Que transformam o verde claro
Numa fosforescência
De água assustada.

Se não me matarem
Nem me apanharem vivo,
Mantém-te alerta
Mantém alerta
O desejo mais antigo
e o mais novo.

Vou passar
Do lado de fora
Da parede
Perfurada
Pelas balas:

Passa-me um lenço
De seda
Com o teu perfume.

Marca-o com o segredo
Dos teus lábios.
                                                                                          in Marthiya de Abdel Hamid Segundo Alberto Pimenta, 2005

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

depois disto, três dias na cama, três.

















e ai de ti que tentes fazê-la quando sair para comprar café!


they shall not pass.














de cada vez que me lembro da nossa identidade, de conseguirmos ser quem somos e dizer o que pensamos sem alguém que se nos atire ao pescoço, lembro-me de que fragilidade ainda rima com liberdade.


não se fez num dia. e mesmo assim, era cedo que no campo o sol vai alto.












do sonho que começa hoje.

hyperballad

We live on a mountain
Right at the top
There's a beautiful view
From the top of the mountain
Every morning I walk towards the edge
And throw little things off
Like:
Car-parts, bottles and cutlery
Or whatever I find lying around

It's become a habit

A way
To start the day
 
I go through all this
Before you wake up
So I can feel happier
To be safe up here with you


Björk



beware. pussy is rioting.


















dear folks

here comes a statement in defense of pussy riot :


as a musician and a mother i would like to express i fiercely dont agree with them being put to jail because of their peaceful protest performance . they are currently standing trial and facing seven years in prison for this .



in my opinion the russian authorities should let them go home to their families and children


i would like to invite pussy riot to join me in a particular song on stage : which was written for all enhancement of justice ( you can guess : once , which one )


warmth , björk
fuck, yeah! \m/

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

parti o japamálá. parti o japamálá. parti o japamálá. parti o japamálá. parti o japamálá.

porra pá
parti o japamálá
ou será que foi ele que se partiu?

coura(aça)


deve ser das botas de combate na lama :)
traz ao de cimo o rambo que há em mim.
ou será a g.i. jane? a noiva, de sabre na mão?
uma dessas, vá.

claro que ontem já era de dia e as vagas não estavam tão altas.
















não era de noite, via onde punha os pés
mas ainda havia poças de água salgada do dia anterior e aposto que o riso se ouvia por entre muros e rochas.

preferi mil vezes a noite.
voltava lá outra vez de olhos fechados. 
subia o muro com as tuas mãos de novo mas agora, já consigo passar atrás do farol a correr.
quero lá saber das ondas sobre o muro e a penumbra por onde andamos.
quero lá saber se o faroleiro nos vai abrir a porta.
as mãos pelo cabelo colam da maresia e até hoje não percebo ainda como me conseguiste levar até ali de mansinho, sem eu dar por nada nem protestar.
contingências da vida. é que aquela luz está habituada à persistência do mar.
é o rasto de quem sabe e quer ficar.

a chéu foi à vila.

por lá toma-se banho quente, diz ela :)
comprou galochas dois números acima porque naquele pezinho, em coura não há quem caiba.
chegou-me de cabelo a escorrer ainda.
brilhos nos olhos, galochas em pontas. nunca visto.
diz que são oito. cinco tendas. à vez, chamam-se para jantar. deixam o palco e rumam ao campismo para a refeição como as famílias ao domingo.
por ali dançámos kitty coiso até não poder mais.
some beautiful shit rises again!!
nós, às 6 e picos já estávamos surdos pela voz soulista do palco secundário, que de pequeno não tem nada. é de gente grande, enorme hoje.
acotovelámos o ruivo dos koc para ver midlake e por ali dançámos mais, até a fome nos levar vale acima.
e de tanto furarmos, lá te consegui mostrar watson. o grande mistério caía diante dos nossos olhos mais uma vez: como conseguir no meio de milhares ouvir apenas uma alminha que canta.
algures à espera de dEUS, um grupo enorme e esganiçado ao nosso lado faz contagem decrescente e berra ao chegar a zero - «feliz ano novo!!»
canta aquela!!!
a lia lá anda, a escrever de um palco para o outro.

irra, que se pudéssemos fazer reset ao ano, aos meses, aos dias, à vida, que fosse por ali entre montes e vales e vacas e rios de águas cheias de gente que ri à gargalhada e toca guitarra para quem passa ouvir.
ouve-se poesia porno e desconexa na relva. há um barbeiro a cortar cabelos e a deixá-los voar até ao tabuão. é o woodstock de muita gente. é o glastonbury dos que trazem o kit impermeável.

amar coura todos os anos é amar o que somos de simples.
somos pele, carne, osso, respiramos e a chuva.... essa sempre passa.
mas regressa. como nós *

despacha-te.


como o deixaste. 
é que nem o pó lhe limpo.


tu nem sequer sabias da existência de dEUS


mas enfim. lá te fizeste um homenzinho.
\o/

dEUS @ paredes de coura

aqui respira-se











































segunda-feira, 13 de agosto de 2012

magnolia.



três vezes. sai-te da boca três vezes seguidas.
à terceira, começo a acreditar.
na magnolia também.
nunca vi uma cidade que as tivesse tantas. estendo a mão e lá estão elas. brancas. enormes*****

sem nada.

há muito tempo já que não nos acontecia um fim-de-semana inteiro a olhar para o mar.
só ali no não fazer nada, rodeados de gente que nos fala e nos olha com o verdadeiro sentido de olhar.
sem computadores, sem folhas excel, sem telefones, sem jornais, sem paredes ou janelas.

e só ontem à noite ao sentar no sofá, deixados os amigos no comboio para lisboa e nós aqui, sentimos verdadeiramente o nosso lugar. 
assim diante do mar. :)) 
hoje, repetimos? ;) amanhã? ficamos lá?

a minha sorte digo-te eu qual foi.
















tínhamos o prato no colo e acredita que se o segundo arrepio vinha com a intensidade do primeiro, era o bom e o bonito para não desatar a chorar ali mesmo à tua frente, comida espalhada, as tuas gargalhadas e o espinafre que te soube tão bem, sem gracinha nenhuma a decorar o tapete da sala!

dasse!!

nos dias em que deixámos o telemóvel em casa



ocorre-nos desatar a ligar às pessoas a avisar disso mesmo.
mas como?

parto rumo à primavera

 foto: genoveva abreu

que em meu fundo se escondeu
esqueço tudo do que eu sou capaz
hoje o mar sou eu.


manel cruz

e quando ulisses por fim chegou

atena adiou o nascer do sol, até penélope deslizar os dedos pelas suas costas, 
prolongando a noite do seu reencontro
até uma qualquer eternidade.